2013-02-05

Skyroad Granfondo - Outubro 2012


Relato do JB: 
"Estava bastante entusiasmado com este evento SkyRoad, uma vez que ia pedalar por zonas que não conhecia e por ser também um evento que decorria em estrada. Aproveitei para levar a máquina fotográfica e tirei umas fotos que podem ver no FB.

A viagem iniciou-se na sexta em direcção ao Coimbrão, onde descansámos umas horas, pois o despertador tocou às 5.15.

A bike Giant e a "S" do Sérgio já estavam dentro da carrinha e por isso era só arrancar, mas não foi bem assim. A carrinha estava "morta" e  tivemos de ligar uns cabos para ver se ela ganhava vida...E ganhou e assim lá fomos até à padaria mais próxima (a do meu pai) para levarmos uns pães quentes para a Lousã.

A viagem foi rápida e às 7.20 já estávamos a levantar os dorsais e os sacos com as ofertas. A caminho do secretariado, reparámos que estava um calor estranho e ambos começámos a bater o dente.

Quando a buzina soou estávamos nós a ir para a grelha de partida, mas isso não foi problema, pois passados uns minutos já estávamos no pelotão. Os primeiros kms foram feitos sempre a subir e de repente passam os "meninos" da equipa profissional do Tavira num ritmo supersónico que até abanámos.
A subida deu para aquecer bem e por volta do 30 km tínhamos o primeiro abastecimento. Parámos, bebemos e comemos qualquer coisa ao som de uns tambores característicos daquela zona mas como era uma zona ventosa tivemos de ir rapidamente para a estrada para aquecer. E aquecemos, mas de repente sentimos um ventinho que ao virar certas curvas ficava forte e fresco. Reparei que já estávamos a pedalar acima dos 800 metros e as antenas que se avistavam a rodar a grande velocidade queria dizer isso mesmo. A paisagem era espetacular, o sol era uma constante, de vez em quando aparecia o nevoeiro que dava um ar especial a certas partes do percurso.
Continuámos a subir, estradas com óptimo piso, carros nem vê-los (excepto os da organização), mas víamos motas. Estas motas, umas da organização outras da BT GNR acompanhavam-nos ao longo da subida. Aproveitei para meter conversa com um motard da GNR e perguntei-lhe se queria trocar, mas ele só concordou fazer essa troca no final da subida. Esperei por ele no final da subida mas ele não estava lá :))))

Depois de uma subida, há uma descida e neste caso que descida...era a descida para a barragem de Santa Luzia. Umas curvas que mais pareciam rectas e um belo lago iam prendendo a nossa vista. Aproveitei para consultar as minhas notas e verifiquei que se estava a aproximar um muro. Ah pois é, toca a subir quase 2km com uma inclinação média de quase 12%. Nesta subida estavam muitos ciclistas e fui ultrapassando alguns sempre com o SD por perto. Tínhamos feito 60km e o corpo estava a reagir bem ao desgaste e lá continuámos serra acima em direcção à Pampilhosa da Serra onde chegámos com 75km nas pernas.

Chegámos à Pampilhosa, mais um abastecimento com muita variedade de comida. Tentei não ficar ali muito tempo, pois estas paragens dão cabo de mim. Consultei novamente as minhas notas e verifiquei que tinhamos de enfrentar uma subida de 5,3km a 6,7% de inclinação média e pensei "tá-se bem!". Pedalámos aí uns 200 metros e de repente paralelo e depois sem avisarem "zás" uma parede com alguns metros com 20%. Fiquei todo baralhado e até os bolos vieram ao cérebro...esta não estava nas minhas notas. O SD já devia estar avisado, pois ele subiu aquilo com alguma tranquilidade. Entretanto entrámos numa estrada larga lá continuámos no nosso ritmo e até alcançámos um conhecido meu e fomos pondo a conversa em dia. Distraí-me um pouco e o SD estava a ficar ligeiramente para trás. Pensei que ele tivesse comido demais e como íamos a subir, o "lastro" do seu corpo estava a fazer com que ele ficasse mais afastado....

Percebi que o SD estava a "quebrar" e então fiquei com ele. Apesar de se ter alimentado o corpo não estava a reagir (cá para mim o problema era da "S" lol). Chateou-me para eu ir ao meu ritmo, mas ao contrário do que ele pediu fiquei com ele. SD, não és mais chato do que eu :)))))))))))

Estava a ficar calor, a pedalar numa estrada nacional, grandes rectas, carros poucos ou nenhuns e eis que vê-mos a placa dessa especial localidade de Picha, isto queria dizer que já tínhamos nas pernas (e no resto do corpo também) 100 km e que da Picha até à Lousã era "quase" um tiro. Mas para chegar à Picha tivemos alguns obstáculos que foram a inclinação da entrada na aldeia e o seu piso em paralelo. Lá conseguimos chegar e tivemos de parar na Picha, pois havia abastecimento....
Depois do abastecimento, 200 metros a seguir uma placa a indicar outra bela localidade com o nome de Venda da Gaita....muito bom!

A seguir à Picha fomos em direcção a Castanheira de Pera. Tínhamos de pedalar cerca de 10km a 3.5% de média por uma estrada estreita, no meio de pinhal onde oxigenámos os pulmões.
Chegámos a Castanheira de Pera e mais um abastecimento. O SD aproveitou para provar de quase tudo um pouco e eu também lol.
Estávamos com cerca de 120km nas pernas e só tínhamos de vencer esta ultima subida  e que subida...aqui a organização brindou-nos com umas placas de informação dos kms que faltavam até ao final da subida e a sua inclinação média. A estrada era fantástica e como íamos a subir dava para observar a fabulosa paisagem. Ao virar de uma curva reparo novamente numas eólicas, olhei para o GPS e verifiquei que estava novamente perto dos 1000 metros. Que espectáculo!!!

A subida acaba e o SD já estava novamente com a energia toda e lá fomos em direcção à Lousã. Foram 20 km sempre, mas sempre a descer. A organização disponibilizou os locais onde devíamos ter atenção por serem perigosos e ao longo destes 20km estavam assinalados alguns, como por exemplo, curvas bastante fechadas, piso irregular, folhas nas estradas, trânsito em sentido contrário e já perto do final umas lombas...
Eu e a minha GIANT aproveitámos esta longa descida para queimar as ultimas energias e para desfrutar da paisagem, da adrenalina e da enorme satisfação de termos tido um dia FANTÁSTICO!

Lá cortei a meta com  07h 04 e pouco tempo depois lá vinha o SD, com uma cara de enorme satisfação.

A organização foi espectacular. Ao longo do percurso fomos tendo sempre a companhia das motas da organização, os abastecimentos não sofriam da chamada "politica de austeridade", nos cruzamentos, nas descidas, nas zonas perigosas tudo muito bem sinalizado com pessoas  a avisarem-nos através de bandeiras, tivémos direito a música, a incentivos por parte das populações e tivémos um amigo especial que se chama São Pedro que proporcionou um dia espectacular de outono.

Como o SD já disse na sua crónica e até tínhamos comentado isso durante o evento do GrandFondo, temos de voltar um dia destes com a malta dos Just4Fun. Temos os tracks, por isso é só marcar na agenda. Acreditem, que vale mesmo a pena!!!!

Obrigado SD pela companhia e para o ano estamos lá quer tu queiras ou não :)))))

Um abraço

JB & GIANT


Aqui vai o resumo do dia:
Distância:
154,78km
Veloc. Média:
20,9 km/h
Ganho de elevação:

3.207 m
Tempo:
7:23:43
Tempo Movimt.:
6:42:36
Elapsed Time:
7:23:43
Veloc. Média:
20,9 km/h
Avg Moving Speed:
23,1 km/h
Veloc. Máxima:
79,7 km/h

Elevação
Ganho de elevação:
3.207 m
Perda de elevação:
3.148 m
Elevação mín.:
128 m
Elevação máx.:
995 m

e ganhei também uma ligeira constipação que o GPS não registou :)))))"

2012-10-17

BRM Pavia200 - 13 de Outubro de 2012


Mini relato do PL:

“Depois de quase dois anos desde o último BRM, voltei a participar num da distância mais pequena, que ligaria Vila Franca de Xira a Pavia e regressava ao ponto de partida. Estavam previstos 214 km e bom tempo para a prática da modalidade.

Desde o início fui à boleia num comboio até cerca do km 75 a médias por volta de 28km/h, mas depois mudou o maquinista e a minha carruagem ficou para trás. Ainda persisti em acompanhar durante 10 km, mas felizmente o discernimento bateu forte e deixei-os ir. 
Ainda assim, à conta da média inicial acima das minhas expectativas, cheguei a Pavia bem antes do meio-dia (menos de 4 horas para 103 km). 

O regresso foi sempre sozinho durante os quase 120 km que faltavam e maioritariamente com vento contra (o melhor que se arranjou foi vento de lado :-p ). Demorei mais de 6H30 no regresso, pelo que cheguei por volta da 18:30 (15 minutos antes do tempo que tinha planeado), apesar de ter registado no total 219 km, em vez dos 200 anunciados e dos 214 do Roadbook.

Foi um dia de dois records:
- máximo tempo e quilometragem sem parar (Vila Franca até Pavia: one shot);
- maior distância percorrida num dia (219 km).

Para o ano há mais e haverá também a oportunidade de tentar as distâncias seguintes, agora que já por duas vezes cumpri BRM’s de 200 km.”

2012-10-16

Skyroad Granfondo - Lousã, 13 de Outubro de 2012

Relato do SD da participação da equipa JB/SD: 

"Foi espetacular o Granfondo da Lousã, Aldeias do Xisto!
Quando chegámos à zona da partida, já a buzina tinha soado mas, com calma, ainda integrámos o pelotão e passámos o primeiro controlo apenas 2 minutos depois.  O atraso não se deveu a nada em especial, apesar de às 6.00 ainda termos estado a fazer uma ligação com cabos de bateria para pôr um carro a trabalhar.

Arrancámos com muito frio e eu, em particular, só com a jersey J4F de manga comprida no pelo, senti bem a aragem fresca da Lousã. Apesar de ter o corta-vento no camelback, não quis parar para o vestir porque sabia que iriamos começar a subir não tardava nada e depois o calor instalava-se.

Cedo começámos a acumular altimetria. A subida era suave, estávamos em pelotão e a estrada era nossa. Íamos ultrapassando e íamos sendo ultrapassados por autênticos comboios de profissionais. Esta foi uma corrida cheia de nomes sonantes que terminou com a vitória do José Silva no Granfondo (150km) e do Vitor Gamito a cortar a meta em simultâneo com o Bruno Pais no Mediofondo (98km).

A organização Ultra-Spirit em conjunto com o Montanha Clube, esteve exemplar. Apesar de as estrada não terem sido cortadas, havia GNR’s por todo o lado. A organização tinha também um vasto conjunto de motas de apoio que nos acompanharam ao longo de toda a distância, transportando algumas delas médicos e camerman’s. Além de motas havia também carros decorados a circular que quase nos faziam pensar que estaríamos numa Volta qualquer. Abastecimentos de qualidade! Sem dar garrafas aos atletas, havia sempre inúmeros copos disponíveis com água, sumo, cola e até Goldnutrition (último abastecimento). Havia também fruta partida, sandes, bolos e cubos de marmelada e barritas da Goldnutrution (último abastecimento). Em alguns abastecimentos e até no topo de uma íngreme subida, tínhamos sempre um grupo a tocar para nós, ora com acordeão, ora com tambores. Ambiente fantástico o que se fazia sentir. Havia também apoio mecânico prestado pela Trek.

A altimetria máxima nunca passou os mil metros, mas fomos lá algumas vezes. Numa das subidas em que o JB metia conversa (para variar!) desta vez com um GNR, este já oferecia a sua mota trocando um bocadinho de cavalo. Soubemos então que o simpático agente faz BTT e falou-nos dos bons trilhos da zona.

Após a Pampilhosa da Serra onde ataquei uns saborosos bolinhos de pastelaria que me souberam maravilhosamente, deparámo-nos com uma subida em empedrado que não esperávamos. Subida bastante íngreme mas, felizmente, não demasiado extensa, sempre feita a cavalo nela, como deve ser. Após este esforço, enfrentámos uma subida de 5km que apesar de não ser nada de especial, foi nela que quebrei. Deveríamos estar com cerca de 75km percorridos. Naquele momento, seguia com o JB e tínhamos alcançado um conhecido seu. Aproveitando o facto de irem os dois a conversar, fiquei um pouco para trás tentando gerir. O JB acabou por o deixar ir e seguiu sempre comigo, apesar de eu insistir no contrário. Obrigado amigo!! Segui uns valentes km’s com uma sensação de fraqueza, apesar de, na minha opinião, me manter hidratado e alimentado.

Pela frente e até ao fim, restava ainda uma subida de 13 ou 14 km’s, assinalada pela organização com indicação de quilómetro a quilómetro e com informação da pendente média da subida. Antes deste momento, mais um excelente abastecimento, desta feita o da Goldnutritition. Após 2 copos de bebida, 1 cubo de marmelada e meia banana, arranco e comecei aos poucos a sentir que voltava novamente a mandar nas minhas pernas. Iniciávamos agora a longa subida, serpenteando pela serra com uma temperatura muito agradável e uma luz excelente. Quilómetro após quilómetro, sempre em conversa, fomos vencendo todas as inclinações. Estávamos, novamente, perto dos mil metros e até ao fim faltavam 20km e… todos, todos eles a descer! Foi uma descida alucinante como devem imaginar. O piso aqui estava um pouco mais degradado do que o restante tapete que apanhámos que, diga-se de passagem, era excelente. Mesmo este alcatrão não era nada nada mau… nas curvas de maior perigosidade havia sempre sinalética de perigo, ora via sinal ora via um elemento da organização com uma bandeirinha em riste. Dez quilómetros depois de iniciar a descida, tive de parar para vestir o corta-vento pois com a deslocação de ar o frio era tanto que já nem sentia o peito. A velocidade máxima em todo o percurso foi de 78,6km/h. Bati o meu recorde e olhem que não me esforcei para lá chegar…

Até ao fim, foi mais do mesmo e cortei a meta em 435º (de 519º finalistas) com um tempo de chip de 07:08:38.
No meu ciclo-contador foram 154,82km com 6:48:01 a andar a uma média de 22,70km/h e com um pico máximo de 78,6km/h. A altimetria acumulada fora de 2800m+.

Hei-de voltar a percorrer este asfalto, seja num evento da Ultra-Spirit seja num Just4Fun. Talvez até mais neste e se houver companhia, tanto melhor.
Para fechar, falta-me dizer que o NC também esteve presente e quase que íamos tendo um elemento Just4Fun no pódio (apesar de ele envergar a camisola dos Mumu da Talega). A organização até o contactou para o informar que ficara em 2º lugar e que tinha a televisão à sua espera para uma entrevista! :-)  Acontece que o Nuno se tinha inscrito no Granfondo e acabou por fazer o Mediofondo e o seu tempo dava-lhe o segundo lugar na prova grande. Mesmo assim o José Silva já tinha chegado!!!
Foi um Skyroad para recordar."

Subida à Torre - 22 de Setembro de 2012

Relato do SD:

"O “Assalto à Torre”, foi bem executado e correu conforme o previsto. Foram 2 anos de meticulosa preparação para que nada falhasse no dia… :-)

Tínhamos por objetivo alcançar o ponto mais alto de Portugal continental e, com o centro de operações nas Penhas da Saúde, delineámos um percurso com uma extensão de 110Km, o qual foi rigorosamente executado sob a preciosa contribuição do São Pedro que contribuiu, e muito, para o sucesso desta operação.

Após um ligeiro pequeno almoço na Pousada da Juventude, começámos logo a subir em direção ao centro de limpeza de neves. Foram apenas 2 kms de ligeiro aquecimento, até apontarmos à longa descida que nos levaria pelo Vale de Manteigas até aquela bonita localidade. Descida rápida, com uma estrada ligeiramente aos ‘S’s e onde se ultrapassava com facilidade os 60km/h.

Paragem para o café matinal antevendo a primeira subida do dia – direção Gouveia. Subida longa mas bastante aprazível, onde nos teremos cruzado com um par de carros em toda a sua extensão. Com uma vista de cortar a respiração, serpenteámos a serra observando rebanhos e aves, enquanto mantínhamos um ritmo calmo que nos permitiria enfrentar o prémio de montanha do dia com outros reservas de energia.

Concluída a primeira ascensão, e antes de apontarmos a Gouveia, tempo para tomar uma primeira barrita acompanhada da melhor água da serra, na nascente do Mondeguinho. Com a tradicional boa disposição, rolámos pela serra ganhando velocidade, cortando curvas e atacando os travões quando o velocímetro atingia medições de respeito.

Entrámos como saímos de Gouveia, ou seja, rápido, mesmo após termos experimentado o empedrado no centro desta cidade serrana. Por estradas nacionais menos movimentadas, dirigimo-nos em seguida para Seia onde a espaços perdíamos um elemento, sempre que havia figos ou uvas na berma da estrada.

Reunidas as tropas em Seia, era hora de petiscar alguma coisa antes de atacarmos a subida do dia. Encontrámos no centro da vila, o queijo e as bifanas que nos iriam forrar o estômago. Com energias retemperadas, apontámos ao inicio da subida e cedo experimentámos novas relações de transmissão.

Iniciámos a subida juntos, mas cedo nos fomos separando pois era preciso encontrar o ritmo adequado a cada um. Após um início um pouco mais duro, agrupámo-nos junto a um estabelecimento comercial para então sairmos com destino à aldeia mais alta de Portugal – Sabugueiro.

À entrada do Sabugueiro, o miradouro permitiu contemplar a paisagem e aguardar pelos elementos que agora, rolavam rápido na descida para esta aldeia. Cruzámos a povoação e parámos na fonte. Era altura de nos abastecermos e mentalizarmos para a parte mais complicada do dia. A saída do Sabugueiro em direção à Lagoa Comprida, é feita através de uma subida com uma inclinação um pouco mais agressiva, comparando com o que tínhamos vindo a sentir até então.

Espaçados, subíamos ao nosso ritmo ao mesmo tempo que nos íamos expondo aos elementos, começando a fazer-se sentir um pouco mais de vento por esta altura. Aos 1500m de altitude, encostámos junto a um lago para reagruparmos novamente. A Lagoa Comprida estava à distância de mais uma subida que vencemos com determinação.

Os quilómetros que se seguiram até à Torre, foram feitos sempre que era possível, com os olhos postos nas gigantescas “bolas” que marcam aquele local e que se avistavam ao longe. Por esta altura, já nos tínhamos cruzado com alguns motards que simpaticamente acenavam e com alguns automóveis de matricula estrangeira que, em jeito de incentivo, os seus condutores oram batiam palmas ora gritavam palavras de incentivo. Como mais tarde pude confirmar com os restantes, estes acenos partiram sempre de veículos com matricula estrangeira…

Já perto da Torre, o vento fez-se sentir mais forte e as últimas centenas de metros que tínhamos de vencer não foram de borla. Uma vez chegados, houve um pouco de tudo. O João Pedro que chegou primeiro, não contente com a quilometragem do seu conta-quilómetros, dá mais umas voltas ao marco geodésico, “só para acertar”, enquanto aguarda a vinda do João Bronze. Juntos, aguardaram depois por mim à porta de uma loja de artesanato local. Penso que não tenha demorado muito a chegar, mas cheguei com uma sensação de mau estar e sentei-me a descansar. Nesse momento, observei os meus gémeos que, sem me doerem, estavam a contorcer-se. Provavelmente, a mente não os teria ainda informado que já tinham atingido o ponto mais alto onde alguma vez já teriam pedalado. Enquanto os meus companheiros que já tinham feito cume se degustavam com determinadas iguarias líquidas da zona, e enquanto eu recuperava ao sabor de uma bebida energética, o PL chegou com o seu ar bem disposto, ar de quem estava bem e se regozijava por ter cumprido o objetivo.

Agora reunidos, haveria que registar fotograficamente o momento, e rápido, pois fazia-se sentir muito vento e algum frio. Para dar algum colorido extra, o PL surge com uma pequena bandeira de Portugal que orgulhosamente é exibida perante a objetiva.

O difícil estava feito. Agora faltava percorrer a última longa descida do dia, em direção às Penhas da Saúde. Com embalo, devorámos os quilómetros que se seguiram, “ajudados” por um vento forte que nos sacudia. Uma última subida nos separava da Pousada, subida essa vencida pelo JP que desferiu um forte ataque deixando a concorrência a comer pó… :-)

No final do dia, após momentos de descanso aproveitado por alguns meninos para dormir, descemos à Covilhã para jantar no restaurante “O Neca”, que nos tinha sido recomendado na Pousada. Depois do jantar, subimos ainda a um jardim onde havia uma festa com música e umas tasquinhas e onde pudemos apreciar algo que só existe nesta zona do país – cherovia. Tanto quanto percebi, é uma raiz que antes substituía a batata na refeição e que hoje, é confecionada de variadas formas. Experimentámos a fartura de cherovia, a cherovia salgada e a cherovia doce, reunindo esta última o consenso da cherovia mais apreciada pelos funners.

Já tarde, fizemo-nos à serra, subindo até à Pousada. Durante a subida, comentávamos a volta que tínhamos previsto para o dia seguinte, caso não chovesse. Tínhamos por objetivo para o dia seguinte, descer até Manteigas e dar uma volta, por forma a terminarmos com a subida da Covilhã para as Penhas, uma subida muito dura.

O mau tempo que se fazia sentir na manhã de domingo, acompanhado de nevoeiro e vento, não era compatível com os nossos objetivos e decidimos adiar esta volta para uma nova oportunidade. Sim, claro… regressaremos um dia!

A todos os meus companheiros, o meu obrigado por estes momentos.
Foi fantástico!"

2012-09-10

24 H de Coruche - 30 de Junho de 2012

Mini rescaldo do PL:

"No rescaldo das 24H de Coruche, vejam este vídeo e descubram o Wally ao minuto sete e picos ;-)
Aviso já que não sou eu J

Ao ver as imagens e agora já mais a frio, concluí que há muito tempo que não tinha tão boas recordações de uma participação numas 24H (mesmo tendo vindo cheio de betadine ;-) )
A organização da prova teve algumas coisas menos boas, mas o cômputo geral foi, a meu ver, muito positivo.
Fiquei com vontade de voltar a participar e isso muito se deve à equipa que constituímos (SD, DN, JHB e PL) e que funcionou muito bem. Um ou outro desencontro que existiram fazem parte da participação numa prova deste tipo. Acho que é praticamente impossível estar 24 H a pedalar sem haver um ou outro contratempo, senão depois nem havia nada para contar, não é?
Foi pena não termos alguém que não tivesse que pedalar para dar mais algum colorido à nossa presença. Pode ser que da próxima vez alguém se disponibilize a acompanhar os malucos. A propósito disto, escusam de ter medo de ser empurrados para o grelhador só porque não pedalam. Desta vez não foi grelhador, nem respetivo operador especializado, mas o DN arranjou maneira de grelhar uns secretos às três da manhã, no equipamento dos vizinhos, que souberam muito bem, (acompanhados pela míni que se impunha J).
Acho que foi a primeira vez que comi uma sandes a “dormir” ;-)

No final, classificados em 12º Lugar em 16 equipas de quatro, com 35 voltas e a 12 da equipa vencedora. Não foi mau para um percurso exigente em termos físicos e técnicos."

2012-06-03

Estamos de volta às pedaladas

Não é que tivéssemos deixado de pedalar, mas este sítio é que esteve num estado de letargia agudo.

Na verdade, como se vê pelas três entradas abaixo (carregadas de rajada) há quem tenha andado a pedalar por aí... e muito. Isto fora as que nem sequer mereceram relato.

Ora, aproveitando a maré, fica já registado o anunciado regresso de uma equipa Just4Fun às provas de 24 Horas de BTT. Depois da moda das participações a solo, o pessoal assumiu que estava com saudades da participação em equipa e rapidamente (ou nem tanto) se arranjaram quatro "voluntários" para irem a Coruche no fim do mês.
Parece que ainda há possibilidade da participação de mais just4funners. Vamos ver.

Entretanto consta por aí que o pessoal está a assumir que está demasiado "maduro" para andar pelos montes e há muita gente a fugir para a estrada. Isto apesar de haver quem diga que "o alcatrão faz mal à saúde".

Vamos ver se a próxima entrada neste sítio não vai demorar sete meses, como aconteceu agora.

Randonneurs 300 – Planícies e Montados – 14 de Abril de 2012



Relato do TA:
"Atão lá vai um daqueles resumos! O patrão vai adorar a minha prestação hoje…

Precisamente por causa da volta que constatei que vou ter de largar umas verdinhas (pela lista que já fiz acho que vai ser uma daquelas roxas) para me preparar para chuva a sério… O casaco impermeável J4F foi ineficaz para toda aquela chuva, os sapatos que levei são de verão e nem levei as sobre-capas, as pernas só iam com protecção para o frio, os já falados alforges/bagageira…

Mas começando pelo princípio, após uma curta noite de sono (a alvorada às 4 da matina não permitiu mais) e de um briefing conciso, arranquei para o 3º randonneur juntamente com cerca de 20 ‘artistas’, finalmente com direito a passaporte já que nos 2 anteriores fui ‘ilegal’ (por dificuldade em obter uma prova de seguro: nem a Federação de Triatlo nem a de Ciclismo se dignaram a emitir a declaração, bem diferente da FPCUB que em menos de uma semana após a inscrição já me tinha enviado o documento).

O arranque começou no Parque Desportivo de Vila Franca de Xira em direcção a Porto Alto, Coruche… Assim que começou a raiar o dia (isto é meramente ilustrativo pois eram tantas nuvens que nem o céu se via), a chuva começou a cair com intensidade e perdi a minha companhia (Pedro e Albano) que parou para se preparar. Eu segui com a chuva a penetrar aos poucos na minha roupa. Voltei a ter companhia (Ângela) por breves kms até Azervadinha (km 55) que nos recebia com uma calçada que necessitava de alguns cuidados a atravessar. Aí a chuva tinha dado tréguas e o equipamento ia secando aos poucos.

Seguiu-se Couço e depois Montargil já com o Sol a bater, sempre junto à barragem. Esta zona requer mais umas visitas pois é bem agradável e calma (para desgosto dos hotéis que pareciam desertos). O primeiro posto de controlo foi em Ponte de Sôr (114 km) a que cheguei com cerca de 4.30h. Os últimos 10/15km foram chatos com rectas enormes e vento moderado contra. A partir daqui o trajecto ia-se tornar mais acidentado em direcção a Avis (nunca me tinha acontecido mas a dada altura comecei a sentir montes de sono), Pavia (fiquei mal-disposto depois de ter comido um Morgado e meia Pepsi), Arraiolos (188 km) e mesmo entre as árvores sentia-se um vento de rajada bastante intenso (fez-me lembrar um duatlo em Arronches, lembram-se SD e JB?). O pescoço, nuca e pés já se ressentiam por isso parei para esticar o esqueleto. Reencontrei o Pedro, Albano e Ângela. Segui na companhia deles até ao 2º posto de controlo, pouco antes de Montemor-o-Novo em Fonte do Petalim (km 206) em que me foi prestada alguma assistência à nuca. Para minha frustração recomeçou a chover.

Deste ponto em diante terminariam as subidas mas o vento, a chuva e o empeno acumulado não permitiam grandes velocidades. A juntar a isto tive um problema com um dos sapatos: o cleat soltou-se do pedal e ficou no pedal. Eu e o Pedro tentámos sem sucesso arranjar forma de recolocar o cleat pois a cabeça do único parafuso que restava já não tinha qualquer rasgo ou forma para permitir o seu aperto. Assim lá tive de fazer 25km com um pé a escorregar do pedal (entre Vendas Novas e Pegões com a ajuda de um alicate conseguimos enroscar a cabeça do parafuso e assim apenas tinha de encaixar o parafuso no cleat já preso ao pedal). A noite foi caindo e o frio juntou-se à chuva. As paragens eram cada vez mais frequentes e o quinteto (juntou-se o Basílio) ia quase sempre junto. A Ângela queixava-se de um braço, eu do pescoço mas preferia continuar a pedalar até que decidimos separar o grupo combinados a reencontrar-nos em Porto Alto. Enquanto eu e o Albano esperávamos no Continente de Porto Alto, apareceu o resto do grupo: a Ângela tinha caído mesmo à entrada do parque. Aparentemente já não tinha força num dos braços. Após comer, aquecer e avaliar o estado dela decidimos seguir 3 a pedalar (eu, Albano e Basílio) e o Pedro acompanhava a Ângela que faria os restantes 12km a pé. Terminei às 23:02h. O resto do dia foi banho de imersão, jantar e cama

Achei piada porque uma das moças da Organização, o Pedro e o Albano (os elementos que iniciaram o Randonneurs Portugal) lembravam-se de mim (e da inexistência de seguro do ano passado) e do Sérgio (que logo disse ‘pois, ele veio aos 200 e aos 300 mas depois não pôde vir aos 400 porque já tinha outra coisa na agenda’, para mim tens de fazer-lhes a vontade)

Escrito ao abrigo do meu desacordo com o Acordo Ortográfico"

Maratona de Sintra – 1 de Abril de 2012

Relatos do SD:

Os Just4Fun marcaram presença na Maratona de Sintra e logo na distância de 75km.

Eu e o Tiago, apesar de nem nos termos visto por lá, completámos os 75km num tempo muito semelhante, 05:46 e 05:54 respetivamente.

Quem conhece Sintra sabe que arranjar 75Km em pleno PN é fácil. Difícil seria fazer o mesmo sem subidas e… já agora, sabemos que ainda era possível apimentar mais a dificuldade e a altimetria, que já por si ultrapassava os 2100m de acumulado positivo. Ainda assim, posso resumir que foi uma maratona com um nível de exigência muito elevado. Ainda não tinha chegado a Monserrate e  já as pernas me faziam lembrar que 8 dias antes andava a fazer a Maratona de Barcelona e já agora, que a última vez que andara de bicicleta tinha sido a 12 de Fevereiro no Duatlo das Lezírias. “No pain, no gain…”

Talvez seja de não andar mais horas de bicicleta mas apesar de Sintra não ser uma Serra dura a nível de terreno (refiro-me a calhau), acusei uma dor de costas/rins que para o fim me dificultava a pedalada e não me deixava sentado confortável em cima da bicicleta. Cheguei mesmo a parar para esticar o esqueleto. Sinal dos tempos? Serão as cruzes a dizer que já não tenho idade para andar a passear 6 horas no monte numa semi-rígida? L

O vencedor, Tiago Silva, por sinal trabalha a uns 20 metros de mim! Tenho de lhe ir pedir explicações… É outro campeonato! E outra idade também, é um facto…

Abraço e ao TA, os meus parabéns pois só quem lá foi sabe o que nós passámos."
SD
















Randonneurs – 200 km – 11 de Fevereiro de 2012

Relato do TA:

"É verdade. É um percurso fantástico a atravessar locais de grande beleza. Os parabéns à Organização, especialmente ao João Almeida que esteve também até à última para me conseguir a declaração de seguro junto da Federação Portuguesa de Ciclismo. Não tivemos sucesso e por isso integrei como elemento não oficial o pelotão de 45/50 ciclistas com um elemento no feminino. Depois do briefing, partimos de Santarém um pouco atrasados devido a alguns retardatários. Assim o grupo lá se dividiu em 2 (pelo menos era essa a intenção da Organização) de modo a circularmos com maior segurança. O trajecto baseia-se em duas estradas nacionais: N3 no sentido NE e a N118 no retorno atravessando o rio em Belver.

Torres Novas, o 2º Posto de Controlo (o 1º foi na partida) foi atingido rapidamente e sem grandes demoras apontámos ao Entroncamento, Vila Nova da Barquinha, Tancos e Constância onde as longas rectas, apenas com o rio e os inúmeros quartéis militares como companhia, eram batidas com um forte vento que prejudicava em muito o andamento.

O relevo começou então a tornar-se mais acidentado. Entre o km 70 e o 122 foram vários os picos a conquistar: Vimieiro, Mouriscas, Penhascoso, Mação e mais tarde Gavião (este sim feito com companhia) deram muito que fazer com a hora e o calor a avançar pelo que fui aproveitando as várias fontes para me reabastecer. Mação era o 3º PC e onde nos era disponibilizado um saco de reabastecimento caso o pretendêssemos. Aí fiz uma pausa de meia horita, pois as pernas (e rabo e costas e nuca e …) já denotavam a falta de treino. Arranquei para uma descida bem simpática com Belver lá em baixo que nos recebia com um pavé demolidor. Passando para a margem Sul, seguiu-se Gavião, 4º PC lá bem no cimo e depois de uma enorme descida o percurso compôs-se e ajudado por um vento pelas costas, conseguíamos deslizar no ondulado ribatejano a mais de 35kmh. As estradas apresentavam um óptimo piso.

Em Rossio ao Sul do Tejo enganei-me no trajecto, fazendo mais um par de kms  o que até foi positivo pois assim que reentrei no percurso dei de caras com um mini-pelotão encabeçado pelo organizador João Almeida. Depois de subirmos para o Tramagal a bom ritmo e com uma vista sobre o rio impressionante, vim à conversa com ele o que se revelou uma injecção de energia. O João parecia incansável, para trás e para a frente, animando todo o grupo. Mesmo assim as pernas iam sentido a picada da cãibra a instalar-se e na Chamusca (PC5), o ‘druida João’ deu-me duas bombas de sais para evitar males maiores. Lá seguimos depois da Coca-Cola rumo a Alpiarça onde o gémeo direito deu o berro. Ainda consegui ir junto do grupo até à subida final (que quase parecia uma partida de mau gosto mas Santarém é assim mesmo…) que nos levaria ao Jardim do Município em Santarém para um merecido lanche após quase 10h e 212km (215 com os enganos) de estrada."

2011-09-19

Maratona de Penedo Gordo – 10 de Setembro de 2011

Relato do PL:

“Conjugaram-se diversas circunstâncias para que os Just4fun regressassem a Penedo Gordo, precisamente no ano em que esta prova voltou a realizar-se, e a presença de seis elementos (cinco nos 100 km e uma nos 50) parece revelar que é sempre fácil arranjar quórum para este evento.

Foi com pena que vimos esta maratona desaparecer do calendário durante uns anos e foi com regozijo que a vimos reaparecer e nós: - Presente!!!

Arranjou-se com a organização maneira de pernoitar no Pavilhão, que não sendo os aposentos ideais, nos resguardaram do frio da noite a custo zero e nos evitou ter de acordar “de véspera”, uma viagem de madrugada e andar a correr para estar às 9:00 na linha de partida.

Assim a maratona começou na véspera, num bar de Karaoke a beber uma sangria manhosa (desconfio que era de pacote). Salvaram-se as tostas mistas e as queijadas e desconfio que se lá ficássemos mais algum tempo ainda tomávamos conta do “palco”, o que não ia abonar muito a nosso favor ;-), mas seria apenas um pormenor no que ainda estaria para vir.

Recolhemos cedo ao pavilhão, mas a organização ainda andava a tratar de detalhes da prova pelo que acabámos por não cair cedo na “cama”, o que não calhou mal, porque complementámos o “jantar” com uns bolinhos que a organização nos ofereceu.

A alvorada foi cedo, com a chegada do pão para o pequeno-almoço, mas até foi bom, porque fizemos os preparativos todos com muita calma, enquanto tomávamos um pequeno-almoço reforçado (pão com queijo e com fiambre, bolos, sumo (joi) e um expresso à maneira, sentadinhos numa mesa exclusiva para nós.

Depois do material todo arrumado e do equipamento preparado, fomos petiscar mais qualquer coisa (segundo pequeno–almoço), porque 100 km não se fazem só com tostas mistas e sangria manhosa ;-).

Colocámo-nos na grelha de partida de modo a não estorvar as locomotivas e à hora certa lá arrancam os cento e tal participantes.

Até ao primeiro abastecimento fomos algo desgarrados, mas aí juntámos um grupo de cinco que seguiria junto até à separação de percursos (entretanto o TA já ia lá para a frente). Neste abastecimento, literalmente acampámos a comer e beber, enquanto aguardávamos que o grupo ficasse completo, e conversa puxa conversa, já estávamos quase a aceitar uma açorda para o jantar ;-). Aí a organização começou a desconfiar ;-)

Após a separação seguiu um grupo de quatro para os 100 km e no abastecimento seguinte quase víamos a carrinha pelas costas. Felizmente apanhámo-los já na fase final do arrumar da trouxa e se no anterior era açorda, aqui perguntámos se tinham minis, mas eles disseram que só tinham vinho. Ora como “em cima do melão, vinho de tostão”, guardámos esta informação preciosa e perguntámos pelo vinho depois de terminado o melão... Era treta deles.

Lá seguimos para o seguinte à procura das minis ;-), mas entretanto dissemos para avisarem os abastecimentos seguintes que íamos parar em todos...

E foi assim que fomos até ao final, seguindo de abastecimento em abastecimento em cavaqueira e a ver as paisagens, sempre em busca das minis, que só conseguimos descobrir na meta ;-).

À conta destas brincadeiras, ficámos conhecidos como o grupo que têm um quatro na camisola e que pede vinho nos abastecimentos. Também à conta dos dois que já tinham chegado (TA e EN), tivemos uma recepção com toda a gente a bater palmas (estavam só à espera que chegássemos para desmontar o estamine) fotos de grupo para o BTT-TV e um almoço cozinhado na hora só para nós. É que eles os dois fizeram um trabalho de bastidores espectacular, não permitindo que desmontassem a meta e fazendo com que guardassem carne para grelhar para os Just4Fun (esperaram horas para almoçarem connosco).

Fomos os quatro últimos (AAF, DN, JHB e PL), mas como dizíamos, gozámos mais que o primeiro e parece que até tivemos mais palmas. A melhorar no apoio aos últimos, a organização só terá que salvaguardar que não desarmam a tenda antes destes chegarem (este ano só não aconteceu isso porque TA e EN não deixaram) e dizer ao carro vassoura para dar 100 ou 200 m de distância, dado que não é agradável ir com aquele ruído nos ouvidos durante 20 km.

A verdade é que foi muito divertido voltar a Penedo Gordo, a maratona ainda é o que era, as gentes continuam espectaculares e a vontade de voltar é inegável. Vamos ver se nos deixam inscrever no próximo ano ;-), é que a passagem dos Just4Fun no Penedo Gordo deixou “marcas” ;-). Na verdade tivemos mais fama que proveito, porque no final, tendo em conta a viagem de regresso, acabámos por optar por bebidas que não entrassem em conflito com a Brigada de Trânsito ;-)

PL”

2011-08-31

Etapa final da Volta a Portugal - 15 de Agosto de 2011

Onde está o Wally? Just4Fun apanhado a ver os ciclistas passar:

Just4Fun nos Pirinéus - Pedals de Foc

Relato do JP:

"Pois é... como tudo o que é bom se acaba depressa, passou uma semaninha num instantinho!

Bem, não foi bem uma semaninha. Foram 6 dias já com 1 dia para cada lado de viagem. Sempre são 1240 km para cada lado e feitos num único carro onde iam as 4 bikes e os 4 marmanjos amontoados com mochilas, alforges, ferramentas e outros quejandos...!

Ficaram muito, muito boas recordações e a experiência que foi pedalar a 2300 mts de altitude, que foi o ponto mais alto de toda a rota dos Pedals de Foc, nos Pirinéus, com saída e chegada a Viella. A saída foi debaixo de chuva, o que de certo modo aumentou os níveis de adrenalina, mas a chegada foi com sol e uma temperatura excelente para se pedalar!

Resumiu-se em cerca de 220 km já com uma ou outra volta a mais, pois a rota total era de 215 km e um total ascendente a rondar os 6000 mts de acumulado. Nada de transcendente, se bem que o peso acrescido da bagagem que carregávamos é que fazia toda a diferença! Mesmo assim, fomos apelidados dos "portugueses malucos"... pois mais ninguém se atreveu a fazer aquilo com alforges. Aliás, chegámos mesmo a ser desaconselhados no uso dos mesmos! O restantes aventureiros usaram os meios disponibilizados pela organização, pagando à parte como é óbvio...! Mas o nosso "F.M.I." fez com que poupássemos nesse aspecto...! :)

Mesmo com tanto peso, era ver-nos quer a subir, quer a descer (principalmente) a passarmos por eles que nem doidos (como nos chamavam), desviavam-se mesmo para que passássemos e assim apreciavam as nossas conduções...! Aquilo que não sabiam, era que alguns de nós quase não tinham pastilhas de travão devido à sobrecarga que levávamos...! ;)

Quando completámos a rota, local coincidente com a loja da organização, a nossa fama já havia chegado lá... antes mesmo de nós! rsrsrsrsrs

Foram de facto uns dias espectaculares, passados com amigos muito divertidos e todos com o mesmo espírito: Desfrutar de toda a rota. Aproveitando cada canto e recanto. Sem pressas. Sem corrermos demasiados riscos que hipotecassem a aventura e principalmente divertimo-nos muito com as "macacadas" de cada um. Tudo isto, no meio de paisagens soberbas e num ambiente que não sendo único, nós não o temos por cá!

Houve ainda uma etapa marcante, a terceira etapa, que num total de 66 kms teve um acumulado muito interessante... pois nesta etapa estava aquela que era a subida "rainha".

Logo à saída da residencial onde pernoitámos, estavam à nossa espera 11,5 km de ascensão, onde passámos dos 1244 mts de altitude aos 2138 mts... numa subida seguida e progressiva de 900 metros de altitude em apenas menos de 12 km e não esquecendo que carregávamos os tais 23/24 kgs de bagagem... Chegados ao topo, houve uma ligeira subida e seguiu-se um plano mais ou menos direito e voltámos a subir até aos 2300 de altitude, onde se situava o ponto mais alto ciclável desta rota. Pena que o nevoeiro que estava instalado não nos tivesse deixado ver na sua plenitude, tudo aquilo que os montes tinham para nos mostrar!!!

Pelo meio houve ainda algum contacto com outras pessoas que estavam em aventuras semelhantes pelos Pirinéus. Aventuras essas, bem mais audazes, por sinal. Pois faziam a "TransPirináica". Uns de bicicleta, em grupo, e até um elemento a solo. Faço-lhe daqui a minha vénia. Encontrámos ainda um casal, pai e filha, que pernoitaram na mesma casa onde pernoitámos na primeira noite e que faziam a dita TransPirináica mas de cavalo. Qualquer coisa como 25 dias, já incluindo 5 dias de descanso pelo meio. Ainda assim, 20 etapas a cavalgar por entre pedras e trilhos, alguns deles bem escorregadios... é de louvar!!!

Avarias praticamente não houve, a não serem dois furos. Um do RF e outro do meu. Houve de facto problemas com as pastilhas de travões nas bicicletas que já levavam pastilhas um tanto desgastadas. Mesmo tendo trocado as mesmas por outras também já com algum desgaste, ainda assim acabaram por terem chegado ao fim quase sem pastilhas de travão. Ainda com os travões, notou-se que em altitude havia alguns problemas com a pressão de óleo no sistema hidráulico. Felizmente não notei nada disso, mas também, os meus travões tinham apenas 200 e poucos km antes desta volta...! Quedas praticamente, não houve. Praticamente... pois o amigo RF teve dois (muito) ligeiros deslizes laterais...! Nada de grave, felizmente! A tal facto não foi certamente alheio, o compromisso que tínhamos desde o início da rota, de bebermos uma cerveja em cada posto de controlo por onde tivemos de carimbar o nosso passaporte/roadbook :)

Felizmente, foram apenas 8 postos de controlo. Alguns deles coincidentes com a paragem para almoço. Logo... outra cerveja! rsrsrrsrs (Não haveria de haver deslizes laterais e/ou descidas em excesso de velocidade...).

Os nossos companheiros de aventura, espanhóis, é que só se aperceberam disso no segundo dia da rota...! rsrsrsrssrsrs

Pelo meio ficaram cerca de 800 fotografias e ainda cerca de 250 pequenas filmagens a serem editadas pelo nosso amigo David Portelada que, tal como o nosso amigo Pedro Cravo, se juntaram ao RF e ao JP e completaram esta aventura!

Sem dúvida, importante foi o teste que juntos havíamos efectuado na Páscoa passada, na zona de Castelo Branco/Proença-a-Nova e que deu para testar "máquinas" e alforges e as diferenças de comportamento que existe em "conduzi-las" com peso acrescido, maioritariamente colocado na traseira da bicicleta. Nada de preocupante, mas com algumas diferenças...!

É tudo uma questão de hábito e de vontade de se levar por diante...!

Venha a próxima, que estes moldes de passeio/aventura fascinam-me!"
 
e Vídeo (espectacular) do RF:
 

24 H de Proença-A-Nova - 23 e 24 de Julho de 2011

Relato do PL:

"Estão feitas as pazes com Proença, depois do desaire das 12h do ano passado.

Desta vez fui até ao final (das 24h) e até consegui recordar o gozo que dá pedalar no monte ao nascer do Sol com os aromas silvestres no auge.

Tinha um plano de prova algo exigente que apontava para valores a rondar os 4000 m de acumulado, mas o percurso era demasiado duro e acabou por fazer mossa empurrando-me para o descanso nocturno duas voltas mais cedo que o planeado, com apenas nove voltas e 2340 m de acumulado, mas com algumas dores nas costas a começarem a dar sinais.

Nessa altura estava animada a luta pelo terceiro lugar de Masters, que foi ocupado por este vosso escriba de modo efémero ao início da noite, mas o meu concorrente directo recomeçou a pedalar à meia-noite e pelo nascer do Sol, quando voltei ao percurso já ele levava mais de duas voltas de avanço. Ainda assim, não deitei a toalha ao tapete e cumpri as cinco voltas que estavam planeadas para domingo, acrescentando 1300 m ao acumulado do dia anterior.

A volta tinha cerca de 9,1 km e 260m de acumulado. Não era extremamente técnico mas era muito exigente fisicamente. O percurso era engraçado e variado, com alguns locais com muita condução, como uns singles apertados entre pinheiros nos quais cheguei a tocar algumas vezes com o guiador e com os braços, riscando o cromado e ameaçando seriamente a posição vertical que deve manter qualquer ciclista que se preze :-) .

Antes de sair para a última volta planeada fui ver as classificações e verifiquei que tinha recuperado uma volta, mas seria impossível alcançar o pódio de Masters. Dei a volta para cumprir o plano e para tentar segurar o 23º lugar na classificação geral, que estava a ser ameaçado por dois concorrentes que estavam a andar. Esse pelo menos consegui manter graças a essa volta final.

Apesar de ter pedalado pouco mais de 120 km o ascendente total foi de 3640 m. Não são os Pirinéus, mas não anda muito longe ;-)."