Relato do JB
"Estava a ver que não conseguia participar em mais uma edição da maratona do centro, tudo porque a carrinha logo de manhã não quis funcionar. Gastei ali umas energias, mas não foram necessárias para as 4h50m26s de btt que se seguiram.
Carrinha estacionada, dirigi-me para o secretariado para levantar o dorsal nº1170 dos Não Federados. Este ano as inscrições esgotaram...cerca de 1100 bttistas que se dividiram por 75km e por 40 km. Dirigi-me para a partida e como o meu dorsal era o nº1170, fiquei mais ou menos a meio do pelotão.
9.30 e mais alguns minutos - PARTIDA.
Sabia que a partida iria ser de alguma confusão e foi…os primeiros 5 kms foram em alcatrão para dispersar o pessoal, depois entrámos na parte do btt, onde havia alguns estradões para rolar. O problema foram as subidas, algumas com pedra e bastava alguém parar para haver “engarrafamentos”. Aos 18 kms inicia-se a subida mais dura da prova, por ser longa, quase 3 kms, de piso muito técnico, com pedra e inclinações que variam entre os 10 e os 20%.
Ao final de 21kms com 740m de desnível acumulado, a primeira zona de assistência (ZA1). Fruta, bolos, bebidas energéticas mas o que queria era água, pois o calor já era muito.
Até à ZA2, que se situava ao km 41, o percurso foi novamente de subidas e descidas. Nas descidas era preciso ter algum cuidado, pois havia delas em que predominava o calhau. Aliado ao esforço, a temperatura, cerca de 27 graus já se faziam sentir. Nesta parte do percurso rolei com uma bttista da zona de Leiria e andámos quase sempre juntos até ao final, o que facilitou o andamento. As mudanças da KTM começaram a dar-me dor de cabeça. A corrente roçava no desviador dianteiro, fazia um barulho estranho e muitas das vezes as mudanças não queriam funcionar…e assim continuou até ao final.
Chegado à ZA2 já com 41kms e 1430m de Desnível Acumulado Total (690m Desnível Parcial ZA1-ZA2) abasteci-me de água, pois o muito calor a isso obrigava.
A parte mais rápida da prova, inicia-se após a ZA2. Trilhos rápidos, e um ou outro susto por causa das curvas e assim se chega à ZA3 já com 56kms e 1730m Desnível Acumulado Total (300m Desnível Parcial ZA2-ZA3).
A última parte foi exigente, pois o calor era mais do que muito e não soprava vento devido ao trilho que percorremos cortado na encosta do monte, com partes com cerca de 20% de inclinação, para depois se subir para o Pé da Serra para acabar com a “reserva” de energias. Para os últimos kms, um conjunto de trilhos muito divertido e aqui vi o único acidentado do dia.
A Maratona foi concluída com o tempo 4h50:26. Na classificação final dos não federados (federados foi ganho pelo José Silva em 3h16.23), fiquei em 87º lugar a 1h16.50 do vencedor, que foi o Vítor Gamito.
Mais uma vez adorei o percurso feito pela organização da Maratona do Centro. Foram cerca de 75 kms, com 2200mts de desnível acumulado, dureza quanto baste, bem sinalizado e com muita gente a apoiar. Por tudo isto, foi um dia bastante FUN!"
2011-03-22
PT OPEN XCR - 1ª Etapa - ABRANTES - 19 de Março de 2011 - II
"Pois é! Esta já está! Venham as próximas, sabendo à partida que pelo menos a 3º etapa, Proença-a-Nova, vou ter de faltar devido a indisponibilidade da data anunciada! Tenho pena, pois no mínimo os pontos de presença, estariam garantidos! ;)
Esta foi de facto, das 3 vezes em que participei a solo em provas de 12 horas a solo, a mais difícil de todas elas!
Um percurso tremendamente difícil! Não pela sua extensão, apenas 4,7 kms por volta, mas sim pelas dificuldades ao longo do mesmo! Uma primeira parte de percurso praticamente todo a descer, sim, mas onde a velocidade máxima que consegui atingir foram apenas 37,2 kms/h e num único ponto onde isso era possível. Não mais de uns 100 metros e ainda assim com pedras soltas. Porque o resto da descida era toda ela em single track e com um grau de dificuldade bem grande. Ora porque num dos lados era declive. Ora porque era muito sinuoso e com pedras soltas na primeira parte, sendo que a segunda parte do single era uma terra mais húmida e mais solta onde à passagem dos concorrentes foi ficando gradualmente cavado nalguns pontos, dificultando assim a negociação de algumas curvas bem fechadas!
Este tipo de terreno levava-nos até cerca dos 2,7 kms da pista. A partir daí, começavam outro tipo de dificuldades! Não só porque os praticamente 100 metros de acumulado de subida estavam todos neste km e meio final de volta, como o tipo de piso a que estávamos sujeitos volta após volta. Começava-se a subir gradualmente e a bom ritmo mas com as irregularidades do terreno a fazerem mossa no corpo ao longo das horas passadas e eis que nos deparávamos com um piso que nem sei bem como o descrever?!?!?
Era um misto de areia (movediça) com uma espécie de goma que nos mantinha colados ao solo e por muito que pedalássemos, pouco progredíamos! Terrível a cada passagem!
Seguia-se mais umas 2 centenas de metros de subida, embora em melhor piso e depois... sim... depois... é que "a-porca-torcia-o-rabo"! Passados uns estrados de madeira que minimizavam uma lama muito viscosa, seguia-se um ziguezaguear por uma encosta acima onde até fazia confusão como um plano tão inclinado não era o suficiente para escorrer a água que se acumulava naquele terreno. Criava rasto a cada passagem e com o passar das horas era uma aventura passar ali, pois nos rastos anteriores a água aparecia vinda de baixo nas voltas seguintes...!
Tornou-se um martírio passar por ali, sendo que a partir das sensivelmente 17 voltas, passei a fazer quase tudo em "empurra-bike" e assim minimizava o esforço de em cada pedalada, metade da volta da roda era literalmente a patinar...! Findo este ponto de martírio, uma ligeira subida mais que nos levava até ao início da recta que era feita em ambos os sentidos e aqui era mesmo o único ponto, em minha opinião, em que podíamos descansar um pouco, pois era em asfalto, e nos levaria a cruzar a meta. Mas, não teria mais de 200 metros, já considerando ambos os sentidos em que era feita!
Bem, depois desta breve descrição ao percurso.... rsrsrs... vamos à prova em si! Comecei a mesma em bom ritmo mas rapidamente me apercebi que teria de diminuir um pouco, senão... as pilhas iam descarregar depressa demais! O calor que se fazia sentir, também não ajudava lá muito...!
Ao fim de 10 voltas ao percurso e depois de muito reclamar comigo próprio sobre o que andaria ali a fazer que justificasse o sofrimento... decidi parar para me alimentar melhor, para além de barrinhas e meia dúzia de biscoitos que levava comigo.
Fui ver as classificações, visto até ali não fazer a mínima ideia de como estariam e fiquei surpreso ao ver que (já) me encontrava em 6º lugar. Muito melhor do que esperava, confesso! Foi um alento para combater o desespero que estava a passar! A partir daí, foi tudo uma questão de estratégia e gestão. Quer de esforço, quer de autonomia de luzes. Pois nesta altura do ano anoitece mais cedo, o que faz com que necessitamos de mais horas de luz.
E assim lá foram passando as horas, à medida que os concorrentes em pista também foram diminuindo. Nomeadamente com o final das provas das 6 horas e com a saída de pista das autênticas "locomotivas" que eram alguns dos concorrentes às 6 horas.
Ainda me cruzei algumas vezes com o nosso amigo PL, que tentava incentivar-me a cada passagem. Mas a minha velocidade era de cruzeiro e não dava para mais!
No seguimento da gestão que fui fazendo, sabia que estava uma volta atrás do concorrente que me precedia e sem hipóteses de o apanhar, a menos que ele parasse.... e sabia também que estava com uma volta de vantagem para o concorrente que vinha atrás de mim. Pelo que, também não podia parar! Lá fui continuando até às 23h51m, altura em que junta à meta lá estava o PL a informar-me que poderia ficar por ali, pois já não havia perigo de alterar a classificação. Mas como já vinha "formatado" para uma volta mais, lá continuei por uma questão de teimosia e tira-teimas com o cronómetro oficial da prova. Pois consegui retirar 3 minutos na última volta, às 5 voltas anteriores que insistentemente foram completadas sempre no mesmo minuto, numa regularidade irritante! Havia que tirar a forra e queimar os últimos "cartuchos"! rsrsrsrs
E pronto, lá ficou aqui mais um dos meus resumidos relatos...! ;)
Quanto à participação do amigo PL, deixo para ser ele a comentar, como é óbvio! Contudo, agradeço-lhe aqui o grande companheirismo e apoio que me foi dando ao longo da prova!
Quero ainda agradecer ao JB e ao SD, por se terem desdobrados em esforços de modo a conseguirem fazer-me chegar uma bateria suplementar que estava no Coimbrão e num ápice veio parar a Lisboa. Daí a Miraflores e seguiu comigo para Abrantes. Foi de facto uma ajuda preciosa que fez com que não houvesse praticamente tempo perdido com a questão das luzes!"
Relato do PL:
“Então cá vai o relato…
Chegados a Abrantes comprovámos o que seria previsível. O local de acampamento era no parque de estacionamento do complexo desportivo. Havia um relvado um pouco mais afastado, mas ficámos com dúvida se o sistema de rega não dispararia automaticamente. Jogámos pelo seguro e optámos pelo asfalto. Antes de montar o estamine tratamos das formalidades administrativas, que decorreram com grande agilidade.
Como chegámos cedo havia tanto espaço que a dificuldade era a escolha. Decidimos ficar afastados da pista para conseguir ter algum recato e tentar que o descanso fosse longe dos barulhos. Como homem prevenido vale por dois tinha comprado uns pregos de aço valentes que nos permitiram agarrar as tendas ao solo.
Nesta prova experimentei uma nova versão de box, constituído por um abrigo Base II Seconds da Quechua, com 5 metros quadrados, no interior do qual montei a tenda, que ficou assim mais abrigada, e sobrando espaço suficiente para vestiário, para guardar tralhas (e a bicicleta, durante a noite) e para o que fosse preciso mais. Está aprovado.
Estávamos nos preparativos finais quando começou a decorrer o briefing e ficámos a saber que a prova de Maio seria em Monsanto (no de Lisboa).
Até à partida o tempo passou a correr e quando demos por isso estávamos a começar a prova, que por acaso se iniciou uns minutinhos adiantada. Como de costume deixei-me ficar para trás evitando as molhadas, mas ainda assim apanhei algum engarrafamento, porque pouco depois iniciavam-se logo singles e zonas técnicas.
A primeira volta serviu como volta de reconhecimento e como tal fui progredindo com o cuidado possível. Já estava prevenido que o circuito não seria fácil e pude comprová-lo, mas também pude verificar que tinhas singles muito divertidos.
Ao contrário do que é costume, não tinha nenhum plano delineado e só após concluir a primeira volta determinei que tentaria fazer conjuntos de cinco voltas seguidos de uma ligeira paragem. Foi assim que fiz a primeira paragem às 14:07 para comer algo substancial, porque tinha comido pouco antes do meio-dia. Pude nesta altura constatar que estava em 31º lugar e portanto fora dos pontos. Voltei a pedalar cerca de 35 minutos depois para mais um conjunto de cinco voltas. A partir desta altura deixei de tentar pedalar na subida mais complicada do percurso. No balanço custo/benefício, o tempo que se ganhava não justificava o desgaste adicional, pelo que da sexta volta até ao final, esta seria uma zona de empurra-bike para descansar (dentro do possível). Havia também uma subida de cinco metros logo no inicio da volta que também decidi fazer a pé, porque mais uma vez não justificava o desgaste, até porque era depois de uma curva apertada e do lado direito tinha uma encosta pouco simpática, onde cheguei a apanhar um pequeno susto. O resto do percurso era todo ciclável e a primeira metade era um mino. Era daqueles em que cada passagem na meta significava mais uns minutos de gozo nos singles. Era assim fácil decidir fazer só mais uma volta a cada vez que se passava na meta (ou não, como à frente se verá…).
Estava a fazer voltas em cerca de 30 minutos, mais cerca de 3 minutos que no primeiro conjunto de cinco voltas, pelo que fiz a nova paragem às 17:10. Comi qualquer coisa, tratei da bike e voltei ao percurso cerca de meia hora depois. Tinha subido uns lugares e andava agora por volta do 27º lugar, mas com muita gente por perto, pelo que subir ou descer três lugares era muito fácil, dependendo das paragens de cada um. Não ia conseguir fazer cinco voltas antes de ter montar luzes, mas faria o que conseguisse. Foram só duas. Parei às 18:40 para jantar e montar as luzes. Aproveitei esta paragem para tratar da suspensão dianteira, onde o bloqueio estava a dar problemas, dado que não desbloqueava totalmente e a tornava muito dura. Desmontei a parte de cima da perna direita e limpei, mas não resolveu, pelo que cortei o mal pela raiz e fiz o que já há algum tempo tinha pensado fazer. Retirei o bloqueio e a suspensão passou a funcionar muito melhor. Fui depois comer e quando peguei na bicicleta para voltar ao circuito tive a surpresa desagradável de ter a roda de trás completamente em baixo. Tentei encher para ver se o líquido fazia a sua obrigação, mas sem sucesso. Procurei algum pico espetado no pneu, mas a lama não me permitiu ver nada. Tive mesmo que desmontar a roda, de onde tirei um espinho de tojo com mais de um centímetro de comprimento. Devo ter perdido uns vinte minutos adicionais nestas operações todas e só voltei a pedalar quase às oito da noite.
A primeira volta nocturna é uma nova volta de reconhecimento e feita com o devido cuidado. Para meu espanto o circuito estava a aguentar-se bem, havendo mesmo algumas zonas onde tinha melhorado, pelo que só havia que desfrutar das voltas ao luar, que mais uma vez nos proporcionavam vista espectaculares sobre o Tejo. Na última das cinco voltas decidi mesmo parar para ver o pessoal a descer o single que estava traçado na encosta da margem do Tejo. Foram uns dez minutos de paragem que valeram bem a pena. De facto, as luzes dos concorrentes aos esses na encosta faziam um efeito espectacular.
Concluí a volta 17 às 22:47 e tinha agora de decidir se voltava ao percurso ou esperava pelo fim das 12H para acompanhar o JP na chegada. Estava em 26º e seria previsível que descesse uns lugares, mas optei por ficar. Tratei da máquina e mudei de roupa e segui para a zona da meta para ver como estava classificado o JP. Um pouco antes da meia-noite avisei-o que não valia a pena dar mais nenhuma volta. Estava em sexto e já não ia subir nem descer. Não me ligou e seguiu para mais uma volta. Ganda maluco!...
Esperei por ele e assistimos ao pódio das 12H, após o que ele seguiu para os balneários e massagem e eu fui beber um chocolate quente cedido pela organização antes de recolher ao meu T1.
Como me deitei cedo, pretendia começar a pedalar cedo e acertei o despertador para as 6:00. Custou-me a adormecer, mas ao fim de algum tempo consegui. Acordei com a Luz do Sol. Já passava das 7:00. Acertei o despertador, mas esqueci-me de o ligar. Dah!...
Como tinha tudo preparado para começar a pedalar, foi só tomar o pequeno-almoço e seguir para o circuito. Tinha descido um lugar (menos do que o expectável) e muito antes da 8:00 já estava a pedalar. No fim as cinco voltas da ordem fiz uma flash pit stop para tirar os agasalhos, porque estava a ficar calor. Se não perdesse muito tempo conseguiria completar 25 voltas por volta do meio-dia e este passou a ser o meu objectivo.
Cerca de cinco minutos antes do fecho do circuito preparava-me para sair após as 25 voltas programadas quando o JP me chama. Dizia ele que eu há pouco tempo estava em 25º lugar e se desse mais uma volta podia subia para 21º. Ora eu tinha dado a última volta um pouco mais rápida, para tentar não ser passado por nenhum dos meus adversários directos, que eu sabia estarem muito perto. Tinha mesmo esperança de ter passado alguns nesta volta (pelo menos tinha-me parecido). O cenário de ter de fazer mais uma volta era aterrador. Estava esgotado e decidi ficar por ali. Fui ver as classificações e de facto, mesmo sem a volta adicional tinha subido para 23º, com três minutos de vantagem sobre o 24º. Não me arrependi da decisão.
Foi uma participação ao nível do expectável. Trouxe mais uns pontinhos que os devidos apenas à participação, o que é sempre agradável.
Fomos desmontar o estamine após o que tomei banho e comemos “qualquer coisa para o caminho”. Fizemo-nos à estrada já a pensar na próxima etapa, mesmo à porta de casa, com as vantagens e inconvenientes associados.
Faltou falar da organização, mas se em 2010 foi bom, agora ainda foi melhor, com mais alguns detalhes (como o chocolate quente a e sopa durante a noite, estrados de madeira na zona mais lamacenta e até rampas de madeira nas zonas em que se tinha de subir passeios). O cuidado com que tudo é tratado e a constante preocupação com os participantes são a imagem de marca da Horizontes.”
Como chegámos cedo havia tanto espaço que a dificuldade era a escolha. Decidimos ficar afastados da pista para conseguir ter algum recato e tentar que o descanso fosse longe dos barulhos. Como homem prevenido vale por dois tinha comprado uns pregos de aço valentes que nos permitiram agarrar as tendas ao solo.
Nesta prova experimentei uma nova versão de box, constituído por um abrigo Base II Seconds da Quechua, com 5 metros quadrados, no interior do qual montei a tenda, que ficou assim mais abrigada, e sobrando espaço suficiente para vestiário, para guardar tralhas (e a bicicleta, durante a noite) e para o que fosse preciso mais. Está aprovado.
Estávamos nos preparativos finais quando começou a decorrer o briefing e ficámos a saber que a prova de Maio seria em Monsanto (no de Lisboa).
Até à partida o tempo passou a correr e quando demos por isso estávamos a começar a prova, que por acaso se iniciou uns minutinhos adiantada. Como de costume deixei-me ficar para trás evitando as molhadas, mas ainda assim apanhei algum engarrafamento, porque pouco depois iniciavam-se logo singles e zonas técnicas.
A primeira volta serviu como volta de reconhecimento e como tal fui progredindo com o cuidado possível. Já estava prevenido que o circuito não seria fácil e pude comprová-lo, mas também pude verificar que tinhas singles muito divertidos.
Ao contrário do que é costume, não tinha nenhum plano delineado e só após concluir a primeira volta determinei que tentaria fazer conjuntos de cinco voltas seguidos de uma ligeira paragem. Foi assim que fiz a primeira paragem às 14:07 para comer algo substancial, porque tinha comido pouco antes do meio-dia. Pude nesta altura constatar que estava em 31º lugar e portanto fora dos pontos. Voltei a pedalar cerca de 35 minutos depois para mais um conjunto de cinco voltas. A partir desta altura deixei de tentar pedalar na subida mais complicada do percurso. No balanço custo/benefício, o tempo que se ganhava não justificava o desgaste adicional, pelo que da sexta volta até ao final, esta seria uma zona de empurra-bike para descansar (dentro do possível). Havia também uma subida de cinco metros logo no inicio da volta que também decidi fazer a pé, porque mais uma vez não justificava o desgaste, até porque era depois de uma curva apertada e do lado direito tinha uma encosta pouco simpática, onde cheguei a apanhar um pequeno susto. O resto do percurso era todo ciclável e a primeira metade era um mino. Era daqueles em que cada passagem na meta significava mais uns minutos de gozo nos singles. Era assim fácil decidir fazer só mais uma volta a cada vez que se passava na meta (ou não, como à frente se verá…).
Estava a fazer voltas em cerca de 30 minutos, mais cerca de 3 minutos que no primeiro conjunto de cinco voltas, pelo que fiz a nova paragem às 17:10. Comi qualquer coisa, tratei da bike e voltei ao percurso cerca de meia hora depois. Tinha subido uns lugares e andava agora por volta do 27º lugar, mas com muita gente por perto, pelo que subir ou descer três lugares era muito fácil, dependendo das paragens de cada um. Não ia conseguir fazer cinco voltas antes de ter montar luzes, mas faria o que conseguisse. Foram só duas. Parei às 18:40 para jantar e montar as luzes. Aproveitei esta paragem para tratar da suspensão dianteira, onde o bloqueio estava a dar problemas, dado que não desbloqueava totalmente e a tornava muito dura. Desmontei a parte de cima da perna direita e limpei, mas não resolveu, pelo que cortei o mal pela raiz e fiz o que já há algum tempo tinha pensado fazer. Retirei o bloqueio e a suspensão passou a funcionar muito melhor. Fui depois comer e quando peguei na bicicleta para voltar ao circuito tive a surpresa desagradável de ter a roda de trás completamente em baixo. Tentei encher para ver se o líquido fazia a sua obrigação, mas sem sucesso. Procurei algum pico espetado no pneu, mas a lama não me permitiu ver nada. Tive mesmo que desmontar a roda, de onde tirei um espinho de tojo com mais de um centímetro de comprimento. Devo ter perdido uns vinte minutos adicionais nestas operações todas e só voltei a pedalar quase às oito da noite.
A primeira volta nocturna é uma nova volta de reconhecimento e feita com o devido cuidado. Para meu espanto o circuito estava a aguentar-se bem, havendo mesmo algumas zonas onde tinha melhorado, pelo que só havia que desfrutar das voltas ao luar, que mais uma vez nos proporcionavam vista espectaculares sobre o Tejo. Na última das cinco voltas decidi mesmo parar para ver o pessoal a descer o single que estava traçado na encosta da margem do Tejo. Foram uns dez minutos de paragem que valeram bem a pena. De facto, as luzes dos concorrentes aos esses na encosta faziam um efeito espectacular.
Concluí a volta 17 às 22:47 e tinha agora de decidir se voltava ao percurso ou esperava pelo fim das 12H para acompanhar o JP na chegada. Estava em 26º e seria previsível que descesse uns lugares, mas optei por ficar. Tratei da máquina e mudei de roupa e segui para a zona da meta para ver como estava classificado o JP. Um pouco antes da meia-noite avisei-o que não valia a pena dar mais nenhuma volta. Estava em sexto e já não ia subir nem descer. Não me ligou e seguiu para mais uma volta. Ganda maluco!...
Esperei por ele e assistimos ao pódio das 12H, após o que ele seguiu para os balneários e massagem e eu fui beber um chocolate quente cedido pela organização antes de recolher ao meu T1.
Como me deitei cedo, pretendia começar a pedalar cedo e acertei o despertador para as 6:00. Custou-me a adormecer, mas ao fim de algum tempo consegui. Acordei com a Luz do Sol. Já passava das 7:00. Acertei o despertador, mas esqueci-me de o ligar. Dah!...
Como tinha tudo preparado para começar a pedalar, foi só tomar o pequeno-almoço e seguir para o circuito. Tinha descido um lugar (menos do que o expectável) e muito antes da 8:00 já estava a pedalar. No fim as cinco voltas da ordem fiz uma flash pit stop para tirar os agasalhos, porque estava a ficar calor. Se não perdesse muito tempo conseguiria completar 25 voltas por volta do meio-dia e este passou a ser o meu objectivo.
Cerca de cinco minutos antes do fecho do circuito preparava-me para sair após as 25 voltas programadas quando o JP me chama. Dizia ele que eu há pouco tempo estava em 25º lugar e se desse mais uma volta podia subia para 21º. Ora eu tinha dado a última volta um pouco mais rápida, para tentar não ser passado por nenhum dos meus adversários directos, que eu sabia estarem muito perto. Tinha mesmo esperança de ter passado alguns nesta volta (pelo menos tinha-me parecido). O cenário de ter de fazer mais uma volta era aterrador. Estava esgotado e decidi ficar por ali. Fui ver as classificações e de facto, mesmo sem a volta adicional tinha subido para 23º, com três minutos de vantagem sobre o 24º. Não me arrependi da decisão.
Foi uma participação ao nível do expectável. Trouxe mais uns pontinhos que os devidos apenas à participação, o que é sempre agradável.
Fomos desmontar o estamine após o que tomei banho e comemos “qualquer coisa para o caminho”. Fizemo-nos à estrada já a pensar na próxima etapa, mesmo à porta de casa, com as vantagens e inconvenientes associados.
Faltou falar da organização, mas se em 2010 foi bom, agora ainda foi melhor, com mais alguns detalhes (como o chocolate quente a e sopa durante a noite, estrados de madeira na zona mais lamacenta e até rampas de madeira nas zonas em que se tinha de subir passeios). O cuidado com que tudo é tratado e a constante preocupação com os participantes são a imagem de marca da Horizontes.”
2011-03-21
24 H Abrantes - 19 e 20 de Março de 2011
Primeiros ecos do PL em resposta ao post do BRM 300 do SD:
"Nós (JP e eu) também sobrevivemos, mas o relato fica para depois.
Para já ficam os highlights:
Ambos pontuámos, embora o JP muito mais do que eu porque andou sempre a cheirar o pódio. Ele ficou em 6º nas 12H e eu em 23º nas 24H.
Percurso muito giro com singles espectaculares, mas muito duro, em que o JP fez média global (descontando as paragens) de 11,99 km/h nas 12h e eu fiz 9,47 km/h nas 24h. Só para referência, o vencedor das 24h fez média de 12,45km/h (abaixo de qualquer das médias dos vencedores do ano passado).
A organização esteve no nível elevado a que já nos habituámos em 2010, mas ainda assim conseguiu melhorar em algumas coisas, como colocar rampas sempre que o percurso obrigava a subir passeios e estrados em zonas com mais lama (a bicicleta e o esqueleto agradecem) e distribuir sopa e chocolate quente à noite (o corpo todo, mas o estômago em particular, também agradeceram).
Fartámo-nos de dar ao pedal para fazermos "apenas" 131,6 km (JP) e 117,5 km (eu). É mesmo isso que estão a ver: o JP fez nas 12h mais três voltas que eu nas 24h (no comments, please). Na verdade e como era esperado, eu também fiz 12 horas, mais correctamente 12h02m, que foi o tempo que efectivamente pedalei (incluindo as deslocações para as Boxes). Tudo conforme o planeado, como se infere do relato do BRM200.
A grande novidade do fim-de-semana é que a próxima etapa do PT-Open XCR será no Parque de Campismo de Lisboa, em Monsanto, no último fim-de-semana de Maio, o que perfigura uma forte possibilidade de churrasco. Será que a carne que se comprou para as 24 h do Jamor do ano passado e que tivemos de trazer de volta por não ter sido autorizado o churrasco ainda estará boa? ;-)"
"Nós (JP e eu) também sobrevivemos, mas o relato fica para depois.
Para já ficam os highlights:
Ambos pontuámos, embora o JP muito mais do que eu porque andou sempre a cheirar o pódio. Ele ficou em 6º nas 12H e eu em 23º nas 24H.
Percurso muito giro com singles espectaculares, mas muito duro, em que o JP fez média global (descontando as paragens) de 11,99 km/h nas 12h e eu fiz 9,47 km/h nas 24h. Só para referência, o vencedor das 24h fez média de 12,45km/h (abaixo de qualquer das médias dos vencedores do ano passado).
A organização esteve no nível elevado a que já nos habituámos em 2010, mas ainda assim conseguiu melhorar em algumas coisas, como colocar rampas sempre que o percurso obrigava a subir passeios e estrados em zonas com mais lama (a bicicleta e o esqueleto agradecem) e distribuir sopa e chocolate quente à noite (o corpo todo, mas o estômago em particular, também agradeceram).
Fartámo-nos de dar ao pedal para fazermos "apenas" 131,6 km (JP) e 117,5 km (eu). É mesmo isso que estão a ver: o JP fez nas 12h mais três voltas que eu nas 24h (no comments, please). Na verdade e como era esperado, eu também fiz 12 horas, mais correctamente 12h02m, que foi o tempo que efectivamente pedalei (incluindo as deslocações para as Boxes). Tudo conforme o planeado, como se infere do relato do BRM200.
A grande novidade do fim-de-semana é que a próxima etapa do PT-Open XCR será no Parque de Campismo de Lisboa, em Monsanto, no último fim-de-semana de Maio, o que perfigura uma forte possibilidade de churrasco. Será que a carne que se comprou para as 24 h do Jamor do ano passado e que tivemos de trazer de volta por não ter sido autorizado o churrasco ainda estará boa? ;-)"
BRM 300 - 19 de Março de 2011
Relato do SD:
"…e pronto, sobrevivi a esta loucura dos 300km num dia.
Tudo começou às 06:10 em Vila Franca de Xira. Pela frente 300 km de estrada. Os primeiros km’s foram percorridos em grupo e com alguma apreensão. Tentava seguir acompanhado sem entrar em loucuras. Luzes acesas e algum frio que se fazia sentir, mesmo ao ponto de fazer gelar as pontas dos dedos.
Por volta do km 65 decidi deixar o grupo e seguir sozinho com o Carlos. O Carlos acompanhava-me desde o início e já o conhecia da etapa dos 200km.
Às 9:24, com mais de 90km, o Carlos seguia na minha roda quando eu me desviei de um buraco e lhe fiz sinal para fazer o mesmo, só que ele acabou por rebentar os 2 pneus. Parei com ele e enquanto tratava da roda da frente ele tratava da roda de trás. Foram 13 minutos nesta operação e quando arrancámos, seguimos já com outros 3 elementos (2 da organização) que entretanto se tinham juntado a nós. O rebentamento da roda da frente fez mesmo com que a borracha do seu pneu cortasse, ao ponto de ser conveniente colocar um remendo por dentro do pneu, operação que o Carlos viria a realizar ao km 115, aquando do controlo em Ponte de Sôr.
Eram 10:36, quando cheguei a Ponte de Sôr. Estava com 115 km e era altura de carimbar o passaporte num café local. Um sandes de fiambre e uma Coca-Cola depois, estava pronto para continuar. Decidi não perder muito tempo (ainda assim estive 26 minutos parado) e continuar sozinho. Não tendo amigos para nos acompanhar, prefiro mesmo andar sozinho e gerir eu o meu próprio ritmo.
A próxima paragem que eu tinha previsto era na Nossa Senhora da Graça do Divor, aos 196km, para voltar a carimbar o passaporte no posto de controlo. Era suposto o Café Besica estar aberto, acolhendo assim os randonneus para o controlo enquanto tomavam alguma coisa mas contrariando o que a própria organização pensava, o café encontrava-se encerrado. Precisava de comer alguma coisa mas algo em mim já não estava a funcionar muito bem pois tinha deixado de conseguir ingerir sólidos e sentia muita sede. Na mesma aldeia, parei numa tasca 200m depois onde encontrei 3 randonneurs que estavam prontos a seguir. Este café não tinha nada para comer mas quando vi um motolof em cima do balcão, não resisti. Pedi uma fatia daquele docinho e fresco doce. Felizmente “escorregou” bem na garganta, com a ajuda de uma Coca-Cola, é claro. Como continuava com sede, bebi mais uma água das pedras enquanto metia também alguma cafeína no estômago. Entretanto, tinha chegado mais um rapaz mas pouco depois eu arrancava novamente sozinho. Estive aqui parado 16 minutos.
Até Montemor-o-Novo foi um saltinho. Apesar de não me estar a alimentar, senti a energia do último abastecimento. Estava bem fisicamente e segui em bom ritmo até Vendas-Novas, onde decidi fazer a minha única paragem fora controlos. Sentei-me numa esplanada e pedi uma bifana. Momentos depois percebi que não a ía conseguir comer e acabei por a carregar até Vila Franca. Tinha pedido uma Coca-Cola (é claro) para acompanhar e esta acabou por ajudar uma tangerina a “descer”. Antes de me ir embora, após 25 minutos de paragem, bebi mais um café com uma água das pedras.
Faltava-me pouco mais de 60km para chegar e eu começava a ficar preocupado, pois sem comer começava a ter receio de me sentir fraco de repente. Até ao fim, fui sempre a beber pequenos golos de água para me manter hidratado. Quando entrei na recta do cabo, comecei a pensar que o BRM300 começava a ser uma realidade. Já lusco-fusco acendi as luzes e pedalei na berma da estrada com muito cuidado, pois ali o trânsito circula com alguma velocidade. Começava a sentir alguma dor nas mãos, tendo acabado mesmo com uma bolha em cada um delas. O forro das luvas já “era” e um dia inteiro fez mossa nas mãos. A cada irregularidade da estrada sentia quase que um reflexo de dor na mão.
Cheguei às 19:35. No final um enorme sentimento de satisfação. Foram mais de 200km completamente sozinho, o que como disse, permitiu-me gerir o meu andamento mas criou também alguma monotonia.
Alguns números deste longo dia…
Distância: 308km
Tempo total: 13:25:22
Tempo andamento: 11:50:38
Avg: 25,9km/h
Calorias: 6058 Cal."
"…e pronto, sobrevivi a esta loucura dos 300km num dia.
Tudo começou às 06:10 em Vila Franca de Xira. Pela frente 300 km de estrada. Os primeiros km’s foram percorridos em grupo e com alguma apreensão. Tentava seguir acompanhado sem entrar em loucuras. Luzes acesas e algum frio que se fazia sentir, mesmo ao ponto de fazer gelar as pontas dos dedos.
Por volta do km 65 decidi deixar o grupo e seguir sozinho com o Carlos. O Carlos acompanhava-me desde o início e já o conhecia da etapa dos 200km.
Às 9:24, com mais de 90km, o Carlos seguia na minha roda quando eu me desviei de um buraco e lhe fiz sinal para fazer o mesmo, só que ele acabou por rebentar os 2 pneus. Parei com ele e enquanto tratava da roda da frente ele tratava da roda de trás. Foram 13 minutos nesta operação e quando arrancámos, seguimos já com outros 3 elementos (2 da organização) que entretanto se tinham juntado a nós. O rebentamento da roda da frente fez mesmo com que a borracha do seu pneu cortasse, ao ponto de ser conveniente colocar um remendo por dentro do pneu, operação que o Carlos viria a realizar ao km 115, aquando do controlo em Ponte de Sôr.
Eram 10:36, quando cheguei a Ponte de Sôr. Estava com 115 km e era altura de carimbar o passaporte num café local. Um sandes de fiambre e uma Coca-Cola depois, estava pronto para continuar. Decidi não perder muito tempo (ainda assim estive 26 minutos parado) e continuar sozinho. Não tendo amigos para nos acompanhar, prefiro mesmo andar sozinho e gerir eu o meu próprio ritmo.
A próxima paragem que eu tinha previsto era na Nossa Senhora da Graça do Divor, aos 196km, para voltar a carimbar o passaporte no posto de controlo. Era suposto o Café Besica estar aberto, acolhendo assim os randonneus para o controlo enquanto tomavam alguma coisa mas contrariando o que a própria organização pensava, o café encontrava-se encerrado. Precisava de comer alguma coisa mas algo em mim já não estava a funcionar muito bem pois tinha deixado de conseguir ingerir sólidos e sentia muita sede. Na mesma aldeia, parei numa tasca 200m depois onde encontrei 3 randonneurs que estavam prontos a seguir. Este café não tinha nada para comer mas quando vi um motolof em cima do balcão, não resisti. Pedi uma fatia daquele docinho e fresco doce. Felizmente “escorregou” bem na garganta, com a ajuda de uma Coca-Cola, é claro. Como continuava com sede, bebi mais uma água das pedras enquanto metia também alguma cafeína no estômago. Entretanto, tinha chegado mais um rapaz mas pouco depois eu arrancava novamente sozinho. Estive aqui parado 16 minutos.
Até Montemor-o-Novo foi um saltinho. Apesar de não me estar a alimentar, senti a energia do último abastecimento. Estava bem fisicamente e segui em bom ritmo até Vendas-Novas, onde decidi fazer a minha única paragem fora controlos. Sentei-me numa esplanada e pedi uma bifana. Momentos depois percebi que não a ía conseguir comer e acabei por a carregar até Vila Franca. Tinha pedido uma Coca-Cola (é claro) para acompanhar e esta acabou por ajudar uma tangerina a “descer”. Antes de me ir embora, após 25 minutos de paragem, bebi mais um café com uma água das pedras.
Faltava-me pouco mais de 60km para chegar e eu começava a ficar preocupado, pois sem comer começava a ter receio de me sentir fraco de repente. Até ao fim, fui sempre a beber pequenos golos de água para me manter hidratado. Quando entrei na recta do cabo, comecei a pensar que o BRM300 começava a ser uma realidade. Já lusco-fusco acendi as luzes e pedalei na berma da estrada com muito cuidado, pois ali o trânsito circula com alguma velocidade. Começava a sentir alguma dor nas mãos, tendo acabado mesmo com uma bolha em cada um delas. O forro das luvas já “era” e um dia inteiro fez mossa nas mãos. A cada irregularidade da estrada sentia quase que um reflexo de dor na mão.
Cheguei às 19:35. No final um enorme sentimento de satisfação. Foram mais de 200km completamente sozinho, o que como disse, permitiu-me gerir o meu andamento mas criou também alguma monotonia.
Alguns números deste longo dia…
Distância: 308km
Tempo total: 13:25:22
Tempo andamento: 11:50:38
Avg: 25,9km/h
Calorias: 6058 Cal."
Brevet Randonneurs Mondial, Tejo-Sorraia-Tejo, 213.819m, 26 de Fevereiro de 2011
Relato do SD:
"Como previsto, PL, SD, TA, JP e NMC completaram os mais de 200km da primeira prova dos Randonneurs em Portugal.
Os 214km foram completos em 8:30. Houve 2 furos (TA claro e desta vez também NMC) e o NMC fez quase a totalidade do percurso com dores no joelho mas provou ter espírito Just4Fun. No fim, mesmo com dificuldades, terminou com “carinha sorridente”, como é apanágio do nosso grupo.
A chegada a Vila Franca de Xira, decorreu já noite cerrada. Não foi muito agradável fazer a Recta do Cabo com trânsito, desvios causados por obras, mau piso na berma… mas nada fez parar 4Funner’s! Parabéns malta e obrigado pela vossa companhia. Só gostava de poder contar convosco na próxima distância mas sozinho não sei se irei. Logo se vê."
Relato do PL:
"O pára-quedas lá abriu e eu consegui aterrar de pé.
A pancada foi forte, porque as pernas ainda se queixam de vez em quando, mas está tudo no normal caminho da recuperação.
Mas porque é que insisto em fazer pára-quedismo em eventos de ciclismo? ;-)
Como dizia o JP, que me acompanhou durante 200km, foi um bom treino para as 12h. No meu caso devia ser para as 24h, mas como não devo conseguir andar muito mais que as tais 12h ficamos quites ;-).
A partida atrasou um bocadinho, porque às 8:00 ainda estava tudo de volta do “bife” e quando este acabou (pelas 8:10), como parecia que o pessoal estava com pouca vontade de começar a pedalar, eu enchi-me de brios e lancei-me ao caminho com o habitual: “Vou andando, que vocês já me apanham...”
Eu gosto de cumprir horários e sabia que minutos perdidos aqui iam-me fazer falta no final do dia.
Acabei por fazer a Recta do Cabo sozinho e a bom ritmo e o pessoal só me apanhou já depois do Porto Alto. Como é sabido, as minhas pilhas duram cerca de uma hora e foi o que voltou a acontecer. Quando o pessoal me apanhou, o JP colocou-se a meu lado e fomos um bocado a falar e às tantas demos por nós a puxar um grupo comprido. Ora ia um coxo e um gordo em máquinas de BTT a rebocar os “rodas finas”, o que não parecia lá muito bem. Cheguei-me para o lado e deixei-os passar, só que passado pouco tempo o “elástico” partiu e nos quilómetros seguintes os outros transformaram-se em pequenos pontos fluorescentes, que se iam afastando continuamente até desaparecerem ao fundo das longas rectas a caminho de Coruche.
O JP ficou para trás e acabámos por recrutar um roda fina que ia só, mas com uma pedalada parecida com a minha. Depois de alguns quilómetros de rotação aleatória (quase sempre a dois), o JP lá deu ao neófito umas breves lições de como se troca na frente do grupo e o trio passou a funcionar que nem um relógio. Até parecia o “Trio Admira”. “Admira” porque eu ia admirado com a velocidade a que “ainda” estava a rolar, para quem já tinha esgotado as pilhas umas dezenas de quilómetros atrás. Na aproximação a Mora, as pilhas deram o bafo definitivo e a paragem dos 88km veio mesmo a calhar. Anteriormente já tínhamos parado uns minutos nos arredores de Coruche para o pequeno-almoço, afinações mecânicas, deixar “lastro” e ligeira recuperação.
Em Mora encontrámo-nos esporadicamente com os outros Just4Funners e até partimos ao mesmo tempo, mas indo a navegar à vela, não tinha velocidade para acompanhar o “comboio” e fiquei para trás ainda no interior da localidade, seguindo num ritmo mais consentâneo com a (minha) realidade. O JP voltou a ficar para trás e fizemos o percurso até Montemor quase sempre sozinhos a uma velocidade que para mim era exigente, mas não esgotante, mas que para o JP era de passeio. Foi a parte que gostei mais do percurso, apesar de ser teoricamente a mais difícil. O ritmo permitiu apreciar as paisagens e o dia soberbo que estava e a estrada tinha muito pouco movimento.
Em Montemor voltámos a encontrar os outros no Posto de Controlo, mas repetiu-se a rotina quando voltámos a pedalar. À passagem por Vendas Novas decidimos não parar para a prometida bifana, porque a distância desde Montemor era pequena e ainda tínhamos muitos víveres. Optámos por parar na rotunda de Pegões, numa esplanada de onde foi muito difícil arrancarem-me. Estava um final de dia esplêndido e finalmente tinha conseguido sentar-me num local cómodo e com encosto, mas faltavam cerca de 50 km, pelo que lá tive de me fazer à estrada. Nesta paragem juntaram-se a nós o SD e o NMC, que vinha com um joelho a ameaçar falência e se via aflito para suportar as médias dos rodas finas.
Até ao final foi rolar a uma média ligeiramente abaixo dos 20 km/h, de modo a manter o grupo unido (ou pelo menos em linha de vista). Para o JP e SD ia muito lento, mas para mim (nesta altura) ia “no ponto”. Eu gosto é de rolar, mas estes quilómetros, quase sempre planos, foram algo massacrantes, dado que foram raras as vezes que não tivemos de pedalar.
A Recta do Cabo à noite foi uma experiência péssima, mas no final cumprimos o objectivo, mais de duas horas antes do fecho do controlo.
E pronto, para mim está feito o primeiro e último BRM deste ano. No meio da “overdose de adrenalina” falava com o JP sobre a possibilidade de conseguir fazer o de 300km, mas em Pegões já agradecia o facto de este calhar na data das 24h de Abrantes, não fosse dar-me uma coisinha ruim e inscrever-me. É que nessa altura, com cerca de 160 km feitos ainda faltariam outros 140 e não consigo imaginar como iria percorrê-los.
Boa sorte para quem continuar a saga, que me vai passar ao lado, mas o facto de termos concluído o primeiro BRM em Portugal já ninguém nos tira.
Just4Fun, mais uma vez na crista da onda ;-)"
"Como previsto, PL, SD, TA, JP e NMC completaram os mais de 200km da primeira prova dos Randonneurs em Portugal.
Os 214km foram completos em 8:30. Houve 2 furos (TA claro e desta vez também NMC) e o NMC fez quase a totalidade do percurso com dores no joelho mas provou ter espírito Just4Fun. No fim, mesmo com dificuldades, terminou com “carinha sorridente”, como é apanágio do nosso grupo.
A chegada a Vila Franca de Xira, decorreu já noite cerrada. Não foi muito agradável fazer a Recta do Cabo com trânsito, desvios causados por obras, mau piso na berma… mas nada fez parar 4Funner’s! Parabéns malta e obrigado pela vossa companhia. Só gostava de poder contar convosco na próxima distância mas sozinho não sei se irei. Logo se vê."
Relato do PL:
"O pára-quedas lá abriu e eu consegui aterrar de pé.
A pancada foi forte, porque as pernas ainda se queixam de vez em quando, mas está tudo no normal caminho da recuperação.
Mas porque é que insisto em fazer pára-quedismo em eventos de ciclismo? ;-)
Como dizia o JP, que me acompanhou durante 200km, foi um bom treino para as 12h. No meu caso devia ser para as 24h, mas como não devo conseguir andar muito mais que as tais 12h ficamos quites ;-).
A partida atrasou um bocadinho, porque às 8:00 ainda estava tudo de volta do “bife” e quando este acabou (pelas 8:10), como parecia que o pessoal estava com pouca vontade de começar a pedalar, eu enchi-me de brios e lancei-me ao caminho com o habitual: “Vou andando, que vocês já me apanham...”
Eu gosto de cumprir horários e sabia que minutos perdidos aqui iam-me fazer falta no final do dia.
Acabei por fazer a Recta do Cabo sozinho e a bom ritmo e o pessoal só me apanhou já depois do Porto Alto. Como é sabido, as minhas pilhas duram cerca de uma hora e foi o que voltou a acontecer. Quando o pessoal me apanhou, o JP colocou-se a meu lado e fomos um bocado a falar e às tantas demos por nós a puxar um grupo comprido. Ora ia um coxo e um gordo em máquinas de BTT a rebocar os “rodas finas”, o que não parecia lá muito bem. Cheguei-me para o lado e deixei-os passar, só que passado pouco tempo o “elástico” partiu e nos quilómetros seguintes os outros transformaram-se em pequenos pontos fluorescentes, que se iam afastando continuamente até desaparecerem ao fundo das longas rectas a caminho de Coruche.
O JP ficou para trás e acabámos por recrutar um roda fina que ia só, mas com uma pedalada parecida com a minha. Depois de alguns quilómetros de rotação aleatória (quase sempre a dois), o JP lá deu ao neófito umas breves lições de como se troca na frente do grupo e o trio passou a funcionar que nem um relógio. Até parecia o “Trio Admira”. “Admira” porque eu ia admirado com a velocidade a que “ainda” estava a rolar, para quem já tinha esgotado as pilhas umas dezenas de quilómetros atrás. Na aproximação a Mora, as pilhas deram o bafo definitivo e a paragem dos 88km veio mesmo a calhar. Anteriormente já tínhamos parado uns minutos nos arredores de Coruche para o pequeno-almoço, afinações mecânicas, deixar “lastro” e ligeira recuperação.
Em Mora encontrámo-nos esporadicamente com os outros Just4Funners e até partimos ao mesmo tempo, mas indo a navegar à vela, não tinha velocidade para acompanhar o “comboio” e fiquei para trás ainda no interior da localidade, seguindo num ritmo mais consentâneo com a (minha) realidade. O JP voltou a ficar para trás e fizemos o percurso até Montemor quase sempre sozinhos a uma velocidade que para mim era exigente, mas não esgotante, mas que para o JP era de passeio. Foi a parte que gostei mais do percurso, apesar de ser teoricamente a mais difícil. O ritmo permitiu apreciar as paisagens e o dia soberbo que estava e a estrada tinha muito pouco movimento.
Em Montemor voltámos a encontrar os outros no Posto de Controlo, mas repetiu-se a rotina quando voltámos a pedalar. À passagem por Vendas Novas decidimos não parar para a prometida bifana, porque a distância desde Montemor era pequena e ainda tínhamos muitos víveres. Optámos por parar na rotunda de Pegões, numa esplanada de onde foi muito difícil arrancarem-me. Estava um final de dia esplêndido e finalmente tinha conseguido sentar-me num local cómodo e com encosto, mas faltavam cerca de 50 km, pelo que lá tive de me fazer à estrada. Nesta paragem juntaram-se a nós o SD e o NMC, que vinha com um joelho a ameaçar falência e se via aflito para suportar as médias dos rodas finas.
Até ao final foi rolar a uma média ligeiramente abaixo dos 20 km/h, de modo a manter o grupo unido (ou pelo menos em linha de vista). Para o JP e SD ia muito lento, mas para mim (nesta altura) ia “no ponto”. Eu gosto é de rolar, mas estes quilómetros, quase sempre planos, foram algo massacrantes, dado que foram raras as vezes que não tivemos de pedalar.
A Recta do Cabo à noite foi uma experiência péssima, mas no final cumprimos o objectivo, mais de duas horas antes do fecho do controlo.
E pronto, para mim está feito o primeiro e último BRM deste ano. No meio da “overdose de adrenalina” falava com o JP sobre a possibilidade de conseguir fazer o de 300km, mas em Pegões já agradecia o facto de este calhar na data das 24h de Abrantes, não fosse dar-me uma coisinha ruim e inscrever-me. É que nessa altura, com cerca de 160 km feitos ainda faltariam outros 140 e não consigo imaginar como iria percorrê-los.
Boa sorte para quem continuar a saga, que me vai passar ao lado, mas o facto de termos concluído o primeiro BRM em Portugal já ninguém nos tira.
Just4Fun, mais uma vez na crista da onda ;-)"
2011-02-15
Massamá - Caldas -Coimbrão, 22 de Janeiro de 2011
Primeira grande deslocação Just4Fun de 2011.
Relatos do SD e do JB.
“No sábado, tal como previsto, 3 Just4Fun’s saíram de casa pela madrugada para cumprir o Massamá-Caldas da Rainha (SD e JP) e ainda o Campo Pequeno – Coimbrão (JB).
O ponto de encontro foi à minha porta, em Massamá. Pelas 7:15 da manhã, estavam 4.4ºC e uma ventania… do caraças!
Às 6:36 o JB enviou-me um SMS a dizer que acabara de sair de Lisboa e pouco depois telefona-me o JP a ver como paravam as modas. Parece que estava frio e vento no Mucifal. É claro que era para ir, meu amigo!
O NC (Nuno Costa) era para ter seguido viagem connosco mas a má disposição que se arrastara desde a noite anterior fê-lo meter-se no carro e ir para casa. Ainda assim, gabo-lhe o sacrifício de ter saído de casa equipado para se pôr ao caminho.
O frio que se fazia sentir era de facto muito e mesmo com todos os agasalhos, a coisa estava fresca. O vento forte ajudava à maior sensação de frio e as rajadas também fortes varriam-nos no alcatrão. Lá seguimos até Torres Vedras onde fizemos a primeira paragem, num cafezinho que eu já conhecia e onde se comem umas bolas com creme muito boas! À saída de Torres Vedras, o amigo JB, que de nós todos era o menos agasalhado, quis passar pela Motovedras para comprar uma roupinha. Eles não resistem às lojas Specialized! De qualquer das maneiras a Motovedras terá mudado de localização desde a última vez que lá estive e o JB decidiu não perder tempo e seguir viagem.
A paragem final para mim e para o JP era nas Caldas-da-Rainha, onde fizemos nova paragem numa cafetaria bem pertinho da estação dos comboios. Tínhamos cerca de 95km. O amigo JB ainda tinha muitos quilómetros pela frente e foi num café que nos despedimos dele. Enquanto o JB seguia sozinho para o Coimbrão, eu e o JP apanhávamos o comboio regional com destino a Mira-Sintra onde chegaríamos por volta das 15:50. Seguimos então viagem os 2 até Massamá, onde 20 minutos depois chegávamos ainda com muito frio e muito vento.
Durante essa tarde, falei com o amigo JB que me disse ter chegado bem a casa. É um artista, este jovem! Tenham cuidado com os desafios que lançam a este rapaz pois ele é dos (poucos) que nunca se nega! Parabéns amigo e voltaste a chegar em 3º porque eu e o JP chegámos primeiro a casa!
SD”
“Frio, muito frio....vento, Muito vento foi o que São Pedro nos ofereceu no sábado. Nem o sobrinho lhe consegue dar as voltas :)
A etapa começou às 6.45 no Campo Pequeno e às 7.15 em Massamá. SD, JP e eu lá fomos em direcção a norte. Eu para o Coimbrão, o SD e o JP para as Caldas da Rainha.
Até Torres Vedras, onde fizemos a primeira paragem, o vento era por vezes muito forte e o frio esteve sempre presente, logo as mãos, os pés e a cara estiveram sempre gelados. Ao sair de casa pensei que levava equipamento suficientemente quente, mas com as imensas rajadas de vento apercebi-me que devia ter levado mais qualquer coisa. Em Torres Vedras tentei comprar algo mais quente, mas a loja de triciclos que lá há, tinha-se mudado para outro local. Sendo assim poupei uns trocos e até fiquei melhor servido :))))
Depois de Torres lá seguimos em direcção às Caldas. Aqui o tempo começou a melhorar e por volta das 13:00 já estávamos ao pé da estação. SD e JP lá ficaram à espera do comboio e eu lá segui em direcção ao Coimbrão. Obrigado JP e SD pela excelente companhia, sem vocês não chegaria a casa. A partir daqui segui viagem sozinho.
O percurso até à Nazaré faz-se bem, mas quando se chega à entrada da vila, há uma subida.... Como fui pela ciclovia que liga o Sitio da Nazaré à Praia do Pedrogão (esta praia fica a apenas 5 km do Coimbrão), lá tive que fazer os cerca de 4 kms da subida. Aqui já tive calor :)))
Depois foi sempre a rolar na ciclovia, junto do mar e com um sol magnifico. Cheguei a casa por volta das 16.45 e no final tinha gasto 7200 calorias e feito 186 km e 30 metros lol.
Agora há que fazer a viagem de volta um dia destes :))))
A etapa começou às 6.45 no Campo Pequeno e às 7.15 em Massamá. SD, JP e eu lá fomos em direcção a norte. Eu para o Coimbrão, o SD e o JP para as Caldas da Rainha.
Até Torres Vedras, onde fizemos a primeira paragem, o vento era por vezes muito forte e o frio esteve sempre presente, logo as mãos, os pés e a cara estiveram sempre gelados. Ao sair de casa pensei que levava equipamento suficientemente quente, mas com as imensas rajadas de vento apercebi-me que devia ter levado mais qualquer coisa. Em Torres Vedras tentei comprar algo mais quente, mas a loja de triciclos que lá há, tinha-se mudado para outro local. Sendo assim poupei uns trocos e até fiquei melhor servido :))))
Depois de Torres lá seguimos em direcção às Caldas. Aqui o tempo começou a melhorar e por volta das 13:00 já estávamos ao pé da estação. SD e JP lá ficaram à espera do comboio e eu lá segui em direcção ao Coimbrão. Obrigado JP e SD pela excelente companhia, sem vocês não chegaria a casa. A partir daqui segui viagem sozinho.
O percurso até à Nazaré faz-se bem, mas quando se chega à entrada da vila, há uma subida.... Como fui pela ciclovia que liga o Sitio da Nazaré à Praia do Pedrogão (esta praia fica a apenas 5 km do Coimbrão), lá tive que fazer os cerca de 4 kms da subida. Aqui já tive calor :)))
Depois foi sempre a rolar na ciclovia, junto do mar e com um sol magnifico. Cheguei a casa por volta das 16.45 e no final tinha gasto 7200 calorias e feito 186 km e 30 metros lol.
Agora há que fazer a viagem de volta um dia destes :))))
JB”
2010-12-15
Tróia-Sagres - 11 de Dezembro de 2010
Pois é... depois de longa ausência bloguística, eis de volta os Just4Fun e logo com cinco relatórios detalhados sobre as respectivas participações no Tróia-Sagres 2010.
Para imprimir e ler antes de dormir, que não há pachorra para ler tanta letrinha junta na pantalha :-)
Relato do SD:
“Missão comprida e cumprida. :-)
A ideia de um Just4Fun maluco qualquer de fazer a dobradinha foi cumprida com êxito e ainda conseguiu arrastar mais 3…
No sábado lá saí de casa às 5:30 AM e às 6:00 AM já estava a rolar com o amigo PL a caminho da estação de comboios de Campolide. No início da ciclovia paralela à Radial de Benfica, o rapaz tem um furo o que por momentos nos fez pensar que talvez não conseguíssemos apanhar o comboio a horas mas uma operação rápida sobre o pneu cortado pelo vidro à maneira de um pitstop da Formula 1, permitiu-nos chegar ainda com 5 minutos de antecedência à estação. No comboio, tal como combinado, encontrámos o JB e o RF que trazia um amigo. Juntou-se-nos ainda um outro rapaz que estava sozinho e assim o nosso grupo era constituído à partida por 6 elementos.
Começámos a rolar em Tróia pelas 8:25 AM. Sem chuva, sem frio, apenas com algum vento. No fim, houve quem se queixasse do vento contra mas sinceramente, a minha fasquia das adversidades nesta travessia foi tão elevada há 2 anos atrás quando fizemos 8 horas debaixo de um temporal imenso que o vento de sábado me sabia a brisa do mar. Começámos a rolar e tentámo-nos organizar em esquema de rotação ao último, quilómetro a quilómetro mas acabámos por desistir, pois este trabalho não funcionou em pleno no nosso grupo. Para trás foi ficando o amigo do RF que mais tarde viria a desistir e ía ficando também o Vítor, o tal elemento que conhecemos no comboio.
O nosso grupo continuava então com 4 elementos – SD, PL, RF, JB mas a falta de treino do amigo PL começou a condicionar o seu andamento e acabou mesmo por entrar em modo económico, como ele diz. A determinada altura, o RF e o JB seguiram e eu fiz todo o resto de percurso com o PL. Com um ritmo que nos permitia pensar em chegar ao fim, seguimos comigo na sua frente tentado puxar um bocadinho ao mesmo tempo que pensava protegê-lo do vento, fazendo com que andasse na minha roda. Caiu a noite, acendemos as luzes e seguimos sempre, cumprindo o nosso objectivo de chegar ao posto de turismo de Sagres. Para o PL, a missão estava comprida e para mim, 50% estava feito. O ritmo mais comedido com que fiz o Tróia-Sagres, permitiu-me também gerir o esforço para o dia seguinte. Em Sagres, o JB já tinha chegado mas o RF não, pois tinha-se perdido e andado a inventar com o seu GPS. Diz o RF que acabou no LIDL de Vila do Bispo a comer chocolates e salames que nem um maluco, pois teve uma “quebra”. Cá para mim o desvio foi propositado… :-) O Vítor acabou por ser apanhado por mim e pelo PL em Vila do Bispo e seguimos juntos até Sagres. Estavam feitos 218km em 10h42m a andar e com uma média de 20,38 km/h.
Com a moral em alta, fomos para o nosso alojamento tomar um banho e sair para jantar. Fomos comer massa (claro!) ao restaurante Bossa Nova, aquele que na edição de 2004 serviu também a refeição no meu primeiro Tróia-Sagres, nesse ano comigo e o Artur Ribeiro a pedalar e o amigo PL ao volante do carro de apoio.
No domingo acordámos com chuva. Claro, uma travessia destas sem chuva, não é um Tróia-Sagres. Pequeno-almoço tomado na pastelaria em frente ao Posto de Turismo e pouco depois das 8:00 AM dávamos início ao nosso regresso. Boa disposição, moral alta, grupo equilibrado e muito bom andamento. No regresso participaram os amigos SD, RF, JB e TA. O Vítor optaria por apanhar um transporte para Lisboa. O Tiago no sábado foi com o JP que fez finalmente a sua estreia nestas andanças e foram com um outro grupo mas eles certamente descreveram a sua travessia.
Fazer Sagres-Tróia foi uma novidade pois as descidas convertem-se em subidas e as subidas em descidas e dei por mim muitas vezes a pensar… “olha, aqui também sobe.”. Eu não considero mais exigente o percurso ao contrário, até acho mais simples pois as dificuldades encontram-se maioritariamente no início (quando ainda se está “fresco”) sendo o resto do percurso mais rolante. E assim seguimos os 4 em comboio, sem vento, debaixo de chuva e com ritmos que a espaços chegavam a ultrapassar os 30km/h. Perto de Sines, numa paragem programada pensámos conseguir apanhar o Ferry das 17:50, contudo, um furo do TA na via rápida de Sines e posteriormente também um pequeno engano, fizeram-nos chegar ao barco com 4 minutos de atraso. O próximo barco era às 18:25. Entretanto aproveitámos as instalações sanitárias para trocarmos de roupa e secarmo-nos. Distribuímo-nos entre as casas de banho de homens, senhoras e deficientes, todas com secadores e mãos e ao fim de algum tempo conseguimos “rebentar” com o quadro eléctrico. Saímos de fininho e fomos para o barco.
Terminava assim o desafio deste grupo fantástico. No fim, todos estavam satisfeitos por esta exigente prova ter sido superada. Terminei com 419km, em 19:08m e uma média de 21:5 km/h.
Para o ano, acho que há mais! :-)
SD”
Relato do PL:
“Eu, de facto, comecei o dia a ver as coisas muito negras, mas em conjunto com o SD lá conseguimos reparar o furo a tempo do comboio. Já no comboio, quando me preparava para reparar a câmara, para servir de reserva, verifiquei que estava irrecuperável, de modo que inspeccionei os pneus para ver se tinham mais vidros (tinha mais um que não deve ter chegado ao interior), dei ar, mas não muito para não abrir o rasgão do pneu e “rezei” para que não tivesse mais nenhum furo.
Não ia muito descansado devido ao rasgão, que era uma zona sensível, e fui até Sagres a fugir das bermas sujas, para tentar evitar contactos com pedras e vidros, mas a coisa lá se fez.
Logo ao início verifiquei que não havia condições para bater tempos, de modo que tentei usufruir ao máximo da circulação em grupo para conseguir chegar ao final sem sofrer demais. Não há milagres e quando não nos preparamos, o corpo é que paga... Ainda para mais, este ano em autonomia levava uns quantos quilos a mais (além dos da barriga ;-) ), que bem se fizeram sentir tanto nas subidas como nas descidas ;-) . Infelizmente a diferença nas descidas não compensava a das subidas :-(
Destaco este ano o espírito Just4Fun que fez com que na maior parte do percurso fôssemos juntos, facilitando a deslocação (especialmente a minha) e agradeço ao SD que no breu da noite algarvia serviu de locomotiva privativa em partes complicadas e em especial na parte final do percurso. O JB esteve o dia todo com uma vontade enorme de ir na frente do pelotão a puxar e ficava triste quando tinham que ceder o lugar, de modo que a determinada altura foi melhor deixá-lo ir sem reclamar. Também nessa altura já não estava em condições de reclamar nada e se ele queria puxar, não era eu que o ia contrariar. Tenho consciência de lhes ter atrasado o ritmo, mas se calhar até lhes fiz um favor, dado que assim ficaram mais fresquinhos para o dia seguinte.
Ainda não consegui perceber como é que o RF se perdeu depois da Carrapateira, mas ele há-de explicar por certo. Agora o que eu vos digo é que comprovei que o Tofu e o Seitan são óptimos combustíveis para a pedalada.
Só foi pena este ano ter havido poucos participantes no Tróia-Sagres. Acho que foi mesmo o ano em que participou menos gente desde que eu lá vou.
Por sorte e coincidência, na mesma altura devia estar a decorrer uma etapa da Volta ao Alentejo, o que sempre ajudou a animar o percurso com as esqueléticas bicicletas de estrada e os pelotões numerosos a passarem quais comboios a velocidades que até fazem vento.
Está cumprido mais um ano e desta vez em autonomia, que é mais uma novidade para mim.
Depois do “Miraflores-Sagres”, faltava o “Miraflores-Sagres em autonomia e sem treino”, que agora cumpri.
Quero ver se no próximo ano treino mais, para sofrer menos, mas como isto tem vindo sempre a piorar, tenho as minhas dúvidas. Logo se verá...
PL”
Relato do JB:
“Lisboa-Setúbal (comboio)
Setúbal-Tróia (barco)
Tróia-Sagres (bicicleta)
Este fim-de-semana foi uma completa aventura. Adoro quando sou "picado" para este tipo de aventuras :-)
O dia de sábado começou bem cedo. Às 6.42, marquei presença na estação de Roma-Areeiro que fica a 2 passos de casa. Quando entro no comboio há um ciclista, de seu nome Vítor que mete conversa. Ele tinha sido "abandonado" pelos seus amigos e estava sozinho para fazer o percurso até Sagres. Entre dois dedos de conversa, aparece o RF e o seu amigo André e depois mais uma estação e aparecem o SD e o PL.
Chegámos a Tróia por volta das 8.30 e começámos logo a pedalar. Nos primeiros kms tentámos formar um pequeno pelotão e fomos rodando na frente. Como estava bem e sem querer, às vezes pedalava com um ritmo mais elevado até que a uma certa altura decidi arriscar e lá fui.... Fiz uma paragem na "taberna",em Saint Tropez (São Torpes) e fiquei à espera do resto da malta. RF, PL, e SD também pararam e depois lá fomos nós todos em grupo até à segunda paragem, desta vez na "taberna" da Fataca e aí aproveitei para beber uma rapidinha (uma mini). Ao fim de alguns minutos e depois do PL fazer a sua chamada da cabine telefónica lá seguimos em direcção a Sul.
Esta parte do percurso foi a mais complicada pois o vento estava contra, o que dificultou o nosso andamento. Aqui apareceu a subida de Odeceixe, mas onde tive maior dificuldade foi ali para os lados do Rogil, onde o vento se fez sentir com maior intensidade. Nessa altura ia eu e o RF, enquanto o PL e SD vinham mais atrás.
Nova paragem, desta vez nas bombas de Aljezur. Esperámos pelo resto do pessoal e entretanto aparece o nosso amigo mais recente, o Vítor. Passados alguns minutos seguimos todos para a última fase....Entre subidas, descidas e apesar de ter consciência que tinha de regressar de bicicleta no dia seguinte, lá segui ao meu ritmo. O PL, seguia a roda do SD, seu "guarda-costas" e não havia duvidas que o PL com o seu espírito de guerreiro ia chegar ao fim, o RF vinha na companhia do Vítor e assim sendo lá fui ao meu ritmo mas as costas já começavam a dar sinais de cansaço e queria terminar o mais depressa possível.
Os últimos 20 kms ainda aproveitei para dar ânimo a uma ciclista (Mónica) que já vinha em perda. Era a sua segunda travessia, a primeira tinha desistido em Aljezur...é fantástico ver as mulheres nestas travessias o que só prova que isto também é para elas :-) .
Cheguei a Sagres e lá cumpri a minha tradição. Fui à colectividade da vila, beber uma Super Bock.
Depois de dois dedos de conversa com a mulher do PL, que estava super informada sobre estas travessias, confirmou que nós éramos todos "malucos"...O PL pela falta de treinos e os outros por fazerem o regresso no dia a seguir. :-)
Entre abraços, chegadas e partidas lá fomos conhecer a simpática D. Lucinda e os seus 2 braços partidos.
Depois de um banho bem quente e graças ao SD, fomos jantar ao melhor restaurante italiano de Sagres. Ainda tivemos o prazer de encontrar o JP (sim ele esteve em Sagres!!!!) e o TA, o outro J4F "maluco" para o pelotão do dia seguinte.
Sagres-Tróia (bicicleta)
Tróia-Setúbal (barco)
Setúbal-Lisboa (comboio)
E o dia a pedalar começou por volta das 8. Fiquei logo preocupado, pois aquele tempo de chuva fez-me lembrar a minha 1ª travessia...
Na companhia do TA, RF e SD lá fomos percorrendo os kms debaixo de alguma chuva. Ao fim de 2 horas fizemos a 1 paragem em Aljezur para beber um café e comer qualquer coisa. A chuva continuava, as poças de água na estrada eram mais que muitas e os pés começavam a dar sinais de estarem a congelar.
Depois da subida de Aljezur, a chuva abrandou e parou o que ajudou a que os pés começassem a descongelar bem como as mãos. Por entre apitos de incentivo, boa disposição e um ritmo bastante elevado lá fizemos nova paragem na taberna de Fataca para comer umas sandes.
O tempo apesar de cinzento, lá se conseguiu aguentar até Saint Tropez (São Torpes), onde aproveitámos para tirar umas fotos e comer qualquer coisa. Faltavam aproximadamente 75 km para o final e lá fomos nós e eis que um furo nos fez parar novamente. Depois do TA trocar a câmara da sua fininha a chuva reaparece em força, talvez por isso nos tenhamos enganado no percurso e percorrido mais 5 km. Só parou de chover quando faltavam cerca de 30 km para o final o que ajudou bastante, pois já estava a ter as mãos dormentes, pois as minhas luvas não eram as adequadas para este tipo de clima.
Comprámos os bilhetes e fomos direitinhos às casas de banho para trocar de roupa e uma vez que havia secadores aproveitámos para secar a roupa. Ao final de alguns bons minutos conseguimos "rebentar" com o quadro eléctrico.
18:25 lá estava o ferry à nossa espera em direcção a Setúbal. O SD foi de carro com o TA e eu e o RF tivemos de fazer um sprint, pois só tínhamos meia dúzia de minutos até chegar à estação. O sprint valeu a pena e lá seguimos viagem para estação de partida.
Foi estranho fazer o percurso no sentido inverso. Adorei fazer as descidas da Carrapateira e de Odeceixe :-) :-).
Foi um fim-de-semana com muitas pedaladas com uma amizade e um espírito de grupo FANTÁSTICO.
JB”
Relato do RF:
“Depois destes relatos tão bem detalhados não há muito por adiantar do que tentar esclarecer onde mudei a rota. http://connect.garmin.com/player/59611456
Estive a ver melhor a minha rota e ao que parece o meu GPS deve ter alguma característica que detecta a falta de energia e redirecciona para o local de abastecimento mais próximo... LIDL :D
Segundo a rota do GPS, eu fiz a estrada correcta da Carrapateira até Sagres mas por algum motivo eu fui parar a uma zona residencial em Vila do Bispo onde encontrei um belíssimo "LIDER". Ainda me lembro do Pai Natal em chocolate que vi assim que entrei nessa bela unidade.
Neste local estive parado uns bons 25 min. a encher-me de guloseimas, frutas e petiscos, dei por mim sentado na porta do LIDL a beber um Red-Bull acompanhado duma boa fatia de salame-de-chocolate.
Depois disso segui a Sagres por um caminho género ciclovia sem iluminação que passava paralela a estrada principal. Onde encontrei o resto do pessoal com um grande sorriso na cara.
Ainda encontramos o JP todo sorridente, que estava já a preparar para abalar para casa.
Não foi um percurso fácil, nem estava assim tão treinado para tal aventura e por momentos ainda pensei em desistir da volta de regresso... Mas a companhia, o reumon gel do TA, as sandes de Halibut e os 3 jarros de Sangria fizeram-me ganhar forças para o dia seguinte.
Felizmente correu tudo bem, Sem acidentes ou grandes incidentes (apenas houve uma pequena queda ao sair do Ferry já no regresso a casa, que originou um momento de risada comigo e o JB).
Espero que para o ano haja mais e com mais participantes.
Quem não fizer o regresso tem de fazer o transporte da Santinha até Sagres. (esta é só para quem foi este ano) :P
RF”
Relato do JP:
“Triiiiiimmmm.... 04h20m da matina, ele fora da cama que havia uma etapa longa pela frente! O objectivo era apanhar o barco das 06h45m em Setúbal e isso implicou apenas escassas 4 horas de sono...
(As coisas tiveram de ser assim, pois a minha tardia decisão em ir, apenas no dia 8 e a escassos 3 dias do evento, fez com que tivesse de andar à procura de boleia de regresso a Lisboa.
Como tal, depois de conversar ao telefone com o PL e o SD, inteirando-me de como seriam os respectivos regressos, recorri ao nosso amigo Pedro Cravo, que alguns conhecerão, que me assegurou apenas na 5ª feira que poderia regressar com eles. Ele sairia de casa, juntamente com o nosso também conhecido David Portelada (o homem das filmagens). A única questão que me saía um pouco fora do imaginado seriam os horários previstos pelo grupo que acabei por integrar. Assim, apanhou-se o barco em Setúbal 1h e 10m antes dos restantes just4fun. Dado que a minha mochila e os meus mantimentos seguiam a bordo do carro de apoio que nos ia acompanhar, não poderia esperar.
Para além disso, também haveria ainda a questão da eventual chegada a Sagres um pouco antes do nosso grupo e obrigá-los a ficarem ali à minha espera. Agora sei que não haveria problema, pois o grupo que integrei acabou por ainda jantar em Sagres.
Findo o jantar ainda tive a oportunidade de ir cumprimentar os nossos heróis que já de barriguinha cheia se mentalizavam para o regresso no dia seguinte! Desde já os meus parabéns aos BRAVOS DO PELOTÃO! :)
Recomeçando o relato, assim que o barco parou em Tróia, seriam cerca das 7 e picos... fomos ter a casa de um outro elemento do grupo, onde tinham pernoitado mais uns quantos elementos. Ou seja, à partida éramos 11 e começámos a pedalar precisamente às 07h45m rumo a Sagres.
O ritmo não foi de todo elevado, à excepção da passagem de um grupo grande de ciclistas de estrada que alguns de nós decidiram aproveitar a boleia. Felizmente não foram muito os kms, talvez uns 10/15 kms. O discernimento fez com que se abortasse a ideia rapidamente e retomássemos o andamento variado do grupo.
As nossas paragens foram de 50 em 50 kms, sensivelmente, acrescidas de mais uma ou outra para café. Houve ainda um furo do nosso amigo TA já após a passagem por Aljezur. Todas estas paragens acabaram por retirar um pouco o ritmo e custar-me um pouco mais de cada vez que precisava de recomeçar.
Com o passar dos kms houve ainda umas 3 desistências e tiveram de passar ao veículo de apoio. Ainda assim, os restantes mantiveram-se unidos até São Teotónio. Aí houve separação de alguns elementos e seguimos apenas 6 juntos até à Carrapateira onde a famosa subida fez das suas!... Começando por mim, que nos primeiros 200 metros comecei a sentir uma dor no gémeo esquerdo que ameaçava prender com uma cãibra. Tive de diminuir um pouco o ritmo até cerca de metade da subida, onde a partir daí comecei novamente a sentir-me bem e voltei ao andamento anterior. Como consequência disso, tive de prosseguir sozinho durante os últimos 25 kms que me levaram até ao centro de Sagres.
Assim, chegado a Sagres um pouquinho antes das 18h, tinha qualquer coisa como 200,11 kms. Com um total de 8h 22m 15s a andar a uma média de cerca de 24 kms/h, mas para um total de 10h e 10m depois da saída de Tróia. Ora, é por isso que acho que mais de 1h 45m no total de paragens é demasiado tempo perdido, com as consequentes dificuldades em retomar ritmo.
E pronto, desculpem lá mais uma vez estes meus longos relatos, mas já sabem que não consigo abreviar muito a coisa! rsrsrs
JP"
Para imprimir e ler antes de dormir, que não há pachorra para ler tanta letrinha junta na pantalha :-)
Relato do SD:
“Missão comprida e cumprida. :-)
A ideia de um Just4Fun maluco qualquer de fazer a dobradinha foi cumprida com êxito e ainda conseguiu arrastar mais 3…
No sábado lá saí de casa às 5:30 AM e às 6:00 AM já estava a rolar com o amigo PL a caminho da estação de comboios de Campolide. No início da ciclovia paralela à Radial de Benfica, o rapaz tem um furo o que por momentos nos fez pensar que talvez não conseguíssemos apanhar o comboio a horas mas uma operação rápida sobre o pneu cortado pelo vidro à maneira de um pitstop da Formula 1, permitiu-nos chegar ainda com 5 minutos de antecedência à estação. No comboio, tal como combinado, encontrámos o JB e o RF que trazia um amigo. Juntou-se-nos ainda um outro rapaz que estava sozinho e assim o nosso grupo era constituído à partida por 6 elementos.
Começámos a rolar em Tróia pelas 8:25 AM. Sem chuva, sem frio, apenas com algum vento. No fim, houve quem se queixasse do vento contra mas sinceramente, a minha fasquia das adversidades nesta travessia foi tão elevada há 2 anos atrás quando fizemos 8 horas debaixo de um temporal imenso que o vento de sábado me sabia a brisa do mar. Começámos a rolar e tentámo-nos organizar em esquema de rotação ao último, quilómetro a quilómetro mas acabámos por desistir, pois este trabalho não funcionou em pleno no nosso grupo. Para trás foi ficando o amigo do RF que mais tarde viria a desistir e ía ficando também o Vítor, o tal elemento que conhecemos no comboio.
O nosso grupo continuava então com 4 elementos – SD, PL, RF, JB mas a falta de treino do amigo PL começou a condicionar o seu andamento e acabou mesmo por entrar em modo económico, como ele diz. A determinada altura, o RF e o JB seguiram e eu fiz todo o resto de percurso com o PL. Com um ritmo que nos permitia pensar em chegar ao fim, seguimos comigo na sua frente tentado puxar um bocadinho ao mesmo tempo que pensava protegê-lo do vento, fazendo com que andasse na minha roda. Caiu a noite, acendemos as luzes e seguimos sempre, cumprindo o nosso objectivo de chegar ao posto de turismo de Sagres. Para o PL, a missão estava comprida e para mim, 50% estava feito. O ritmo mais comedido com que fiz o Tróia-Sagres, permitiu-me também gerir o esforço para o dia seguinte. Em Sagres, o JB já tinha chegado mas o RF não, pois tinha-se perdido e andado a inventar com o seu GPS. Diz o RF que acabou no LIDL de Vila do Bispo a comer chocolates e salames que nem um maluco, pois teve uma “quebra”. Cá para mim o desvio foi propositado… :-) O Vítor acabou por ser apanhado por mim e pelo PL em Vila do Bispo e seguimos juntos até Sagres. Estavam feitos 218km em 10h42m a andar e com uma média de 20,38 km/h.
Com a moral em alta, fomos para o nosso alojamento tomar um banho e sair para jantar. Fomos comer massa (claro!) ao restaurante Bossa Nova, aquele que na edição de 2004 serviu também a refeição no meu primeiro Tróia-Sagres, nesse ano comigo e o Artur Ribeiro a pedalar e o amigo PL ao volante do carro de apoio.
No domingo acordámos com chuva. Claro, uma travessia destas sem chuva, não é um Tróia-Sagres. Pequeno-almoço tomado na pastelaria em frente ao Posto de Turismo e pouco depois das 8:00 AM dávamos início ao nosso regresso. Boa disposição, moral alta, grupo equilibrado e muito bom andamento. No regresso participaram os amigos SD, RF, JB e TA. O Vítor optaria por apanhar um transporte para Lisboa. O Tiago no sábado foi com o JP que fez finalmente a sua estreia nestas andanças e foram com um outro grupo mas eles certamente descreveram a sua travessia.
Fazer Sagres-Tróia foi uma novidade pois as descidas convertem-se em subidas e as subidas em descidas e dei por mim muitas vezes a pensar… “olha, aqui também sobe.”. Eu não considero mais exigente o percurso ao contrário, até acho mais simples pois as dificuldades encontram-se maioritariamente no início (quando ainda se está “fresco”) sendo o resto do percurso mais rolante. E assim seguimos os 4 em comboio, sem vento, debaixo de chuva e com ritmos que a espaços chegavam a ultrapassar os 30km/h. Perto de Sines, numa paragem programada pensámos conseguir apanhar o Ferry das 17:50, contudo, um furo do TA na via rápida de Sines e posteriormente também um pequeno engano, fizeram-nos chegar ao barco com 4 minutos de atraso. O próximo barco era às 18:25. Entretanto aproveitámos as instalações sanitárias para trocarmos de roupa e secarmo-nos. Distribuímo-nos entre as casas de banho de homens, senhoras e deficientes, todas com secadores e mãos e ao fim de algum tempo conseguimos “rebentar” com o quadro eléctrico. Saímos de fininho e fomos para o barco.
Terminava assim o desafio deste grupo fantástico. No fim, todos estavam satisfeitos por esta exigente prova ter sido superada. Terminei com 419km, em 19:08m e uma média de 21:5 km/h.
Para o ano, acho que há mais! :-)
SD”
Relato do PL:
“Eu, de facto, comecei o dia a ver as coisas muito negras, mas em conjunto com o SD lá conseguimos reparar o furo a tempo do comboio. Já no comboio, quando me preparava para reparar a câmara, para servir de reserva, verifiquei que estava irrecuperável, de modo que inspeccionei os pneus para ver se tinham mais vidros (tinha mais um que não deve ter chegado ao interior), dei ar, mas não muito para não abrir o rasgão do pneu e “rezei” para que não tivesse mais nenhum furo.
Não ia muito descansado devido ao rasgão, que era uma zona sensível, e fui até Sagres a fugir das bermas sujas, para tentar evitar contactos com pedras e vidros, mas a coisa lá se fez.
Logo ao início verifiquei que não havia condições para bater tempos, de modo que tentei usufruir ao máximo da circulação em grupo para conseguir chegar ao final sem sofrer demais. Não há milagres e quando não nos preparamos, o corpo é que paga... Ainda para mais, este ano em autonomia levava uns quantos quilos a mais (além dos da barriga ;-) ), que bem se fizeram sentir tanto nas subidas como nas descidas ;-) . Infelizmente a diferença nas descidas não compensava a das subidas :-(
Destaco este ano o espírito Just4Fun que fez com que na maior parte do percurso fôssemos juntos, facilitando a deslocação (especialmente a minha) e agradeço ao SD que no breu da noite algarvia serviu de locomotiva privativa em partes complicadas e em especial na parte final do percurso. O JB esteve o dia todo com uma vontade enorme de ir na frente do pelotão a puxar e ficava triste quando tinham que ceder o lugar, de modo que a determinada altura foi melhor deixá-lo ir sem reclamar. Também nessa altura já não estava em condições de reclamar nada e se ele queria puxar, não era eu que o ia contrariar. Tenho consciência de lhes ter atrasado o ritmo, mas se calhar até lhes fiz um favor, dado que assim ficaram mais fresquinhos para o dia seguinte.
Ainda não consegui perceber como é que o RF se perdeu depois da Carrapateira, mas ele há-de explicar por certo. Agora o que eu vos digo é que comprovei que o Tofu e o Seitan são óptimos combustíveis para a pedalada.
Só foi pena este ano ter havido poucos participantes no Tróia-Sagres. Acho que foi mesmo o ano em que participou menos gente desde que eu lá vou.
Por sorte e coincidência, na mesma altura devia estar a decorrer uma etapa da Volta ao Alentejo, o que sempre ajudou a animar o percurso com as esqueléticas bicicletas de estrada e os pelotões numerosos a passarem quais comboios a velocidades que até fazem vento.
Está cumprido mais um ano e desta vez em autonomia, que é mais uma novidade para mim.
Depois do “Miraflores-Sagres”, faltava o “Miraflores-Sagres em autonomia e sem treino”, que agora cumpri.
Quero ver se no próximo ano treino mais, para sofrer menos, mas como isto tem vindo sempre a piorar, tenho as minhas dúvidas. Logo se verá...
PL”
Relato do JB:
“Lisboa-Setúbal (comboio)
Setúbal-Tróia (barco)
Tróia-Sagres (bicicleta)
Este fim-de-semana foi uma completa aventura. Adoro quando sou "picado" para este tipo de aventuras :-)
O dia de sábado começou bem cedo. Às 6.42, marquei presença na estação de Roma-Areeiro que fica a 2 passos de casa. Quando entro no comboio há um ciclista, de seu nome Vítor que mete conversa. Ele tinha sido "abandonado" pelos seus amigos e estava sozinho para fazer o percurso até Sagres. Entre dois dedos de conversa, aparece o RF e o seu amigo André e depois mais uma estação e aparecem o SD e o PL.
Chegámos a Tróia por volta das 8.30 e começámos logo a pedalar. Nos primeiros kms tentámos formar um pequeno pelotão e fomos rodando na frente. Como estava bem e sem querer, às vezes pedalava com um ritmo mais elevado até que a uma certa altura decidi arriscar e lá fui.... Fiz uma paragem na "taberna",em Saint Tropez (São Torpes) e fiquei à espera do resto da malta. RF, PL, e SD também pararam e depois lá fomos nós todos em grupo até à segunda paragem, desta vez na "taberna" da Fataca e aí aproveitei para beber uma rapidinha (uma mini). Ao fim de alguns minutos e depois do PL fazer a sua chamada da cabine telefónica lá seguimos em direcção a Sul.
Esta parte do percurso foi a mais complicada pois o vento estava contra, o que dificultou o nosso andamento. Aqui apareceu a subida de Odeceixe, mas onde tive maior dificuldade foi ali para os lados do Rogil, onde o vento se fez sentir com maior intensidade. Nessa altura ia eu e o RF, enquanto o PL e SD vinham mais atrás.
Nova paragem, desta vez nas bombas de Aljezur. Esperámos pelo resto do pessoal e entretanto aparece o nosso amigo mais recente, o Vítor. Passados alguns minutos seguimos todos para a última fase....Entre subidas, descidas e apesar de ter consciência que tinha de regressar de bicicleta no dia seguinte, lá segui ao meu ritmo. O PL, seguia a roda do SD, seu "guarda-costas" e não havia duvidas que o PL com o seu espírito de guerreiro ia chegar ao fim, o RF vinha na companhia do Vítor e assim sendo lá fui ao meu ritmo mas as costas já começavam a dar sinais de cansaço e queria terminar o mais depressa possível.
Os últimos 20 kms ainda aproveitei para dar ânimo a uma ciclista (Mónica) que já vinha em perda. Era a sua segunda travessia, a primeira tinha desistido em Aljezur...é fantástico ver as mulheres nestas travessias o que só prova que isto também é para elas :-) .
Cheguei a Sagres e lá cumpri a minha tradição. Fui à colectividade da vila, beber uma Super Bock.
Depois de dois dedos de conversa com a mulher do PL, que estava super informada sobre estas travessias, confirmou que nós éramos todos "malucos"...O PL pela falta de treinos e os outros por fazerem o regresso no dia a seguir. :-)
Entre abraços, chegadas e partidas lá fomos conhecer a simpática D. Lucinda e os seus 2 braços partidos.
Depois de um banho bem quente e graças ao SD, fomos jantar ao melhor restaurante italiano de Sagres. Ainda tivemos o prazer de encontrar o JP (sim ele esteve em Sagres!!!!) e o TA, o outro J4F "maluco" para o pelotão do dia seguinte.
Sagres-Tróia (bicicleta)
Tróia-Setúbal (barco)
Setúbal-Lisboa (comboio)
E o dia a pedalar começou por volta das 8. Fiquei logo preocupado, pois aquele tempo de chuva fez-me lembrar a minha 1ª travessia...
Na companhia do TA, RF e SD lá fomos percorrendo os kms debaixo de alguma chuva. Ao fim de 2 horas fizemos a 1 paragem em Aljezur para beber um café e comer qualquer coisa. A chuva continuava, as poças de água na estrada eram mais que muitas e os pés começavam a dar sinais de estarem a congelar.
Depois da subida de Aljezur, a chuva abrandou e parou o que ajudou a que os pés começassem a descongelar bem como as mãos. Por entre apitos de incentivo, boa disposição e um ritmo bastante elevado lá fizemos nova paragem na taberna de Fataca para comer umas sandes.
O tempo apesar de cinzento, lá se conseguiu aguentar até Saint Tropez (São Torpes), onde aproveitámos para tirar umas fotos e comer qualquer coisa. Faltavam aproximadamente 75 km para o final e lá fomos nós e eis que um furo nos fez parar novamente. Depois do TA trocar a câmara da sua fininha a chuva reaparece em força, talvez por isso nos tenhamos enganado no percurso e percorrido mais 5 km. Só parou de chover quando faltavam cerca de 30 km para o final o que ajudou bastante, pois já estava a ter as mãos dormentes, pois as minhas luvas não eram as adequadas para este tipo de clima.
Comprámos os bilhetes e fomos direitinhos às casas de banho para trocar de roupa e uma vez que havia secadores aproveitámos para secar a roupa. Ao final de alguns bons minutos conseguimos "rebentar" com o quadro eléctrico.
18:25 lá estava o ferry à nossa espera em direcção a Setúbal. O SD foi de carro com o TA e eu e o RF tivemos de fazer um sprint, pois só tínhamos meia dúzia de minutos até chegar à estação. O sprint valeu a pena e lá seguimos viagem para estação de partida.
Foi estranho fazer o percurso no sentido inverso. Adorei fazer as descidas da Carrapateira e de Odeceixe :-) :-).
Foi um fim-de-semana com muitas pedaladas com uma amizade e um espírito de grupo FANTÁSTICO.
JB”
Relato do RF:
“Depois destes relatos tão bem detalhados não há muito por adiantar do que tentar esclarecer onde mudei a rota. http://connect.garmin.com/player/59611456
Estive a ver melhor a minha rota e ao que parece o meu GPS deve ter alguma característica que detecta a falta de energia e redirecciona para o local de abastecimento mais próximo... LIDL :D
Segundo a rota do GPS, eu fiz a estrada correcta da Carrapateira até Sagres mas por algum motivo eu fui parar a uma zona residencial em Vila do Bispo onde encontrei um belíssimo "LIDER". Ainda me lembro do Pai Natal em chocolate que vi assim que entrei nessa bela unidade.
Neste local estive parado uns bons 25 min. a encher-me de guloseimas, frutas e petiscos, dei por mim sentado na porta do LIDL a beber um Red-Bull acompanhado duma boa fatia de salame-de-chocolate.
Depois disso segui a Sagres por um caminho género ciclovia sem iluminação que passava paralela a estrada principal. Onde encontrei o resto do pessoal com um grande sorriso na cara.
Ainda encontramos o JP todo sorridente, que estava já a preparar para abalar para casa.
Não foi um percurso fácil, nem estava assim tão treinado para tal aventura e por momentos ainda pensei em desistir da volta de regresso... Mas a companhia, o reumon gel do TA, as sandes de Halibut e os 3 jarros de Sangria fizeram-me ganhar forças para o dia seguinte.
Felizmente correu tudo bem, Sem acidentes ou grandes incidentes (apenas houve uma pequena queda ao sair do Ferry já no regresso a casa, que originou um momento de risada comigo e o JB).
Espero que para o ano haja mais e com mais participantes.
Quem não fizer o regresso tem de fazer o transporte da Santinha até Sagres. (esta é só para quem foi este ano) :P
RF”
Relato do JP:
“Triiiiiimmmm.... 04h20m da matina, ele fora da cama que havia uma etapa longa pela frente! O objectivo era apanhar o barco das 06h45m em Setúbal e isso implicou apenas escassas 4 horas de sono...
(As coisas tiveram de ser assim, pois a minha tardia decisão em ir, apenas no dia 8 e a escassos 3 dias do evento, fez com que tivesse de andar à procura de boleia de regresso a Lisboa.
Como tal, depois de conversar ao telefone com o PL e o SD, inteirando-me de como seriam os respectivos regressos, recorri ao nosso amigo Pedro Cravo, que alguns conhecerão, que me assegurou apenas na 5ª feira que poderia regressar com eles. Ele sairia de casa, juntamente com o nosso também conhecido David Portelada (o homem das filmagens). A única questão que me saía um pouco fora do imaginado seriam os horários previstos pelo grupo que acabei por integrar. Assim, apanhou-se o barco em Setúbal 1h e 10m antes dos restantes just4fun. Dado que a minha mochila e os meus mantimentos seguiam a bordo do carro de apoio que nos ia acompanhar, não poderia esperar.
Para além disso, também haveria ainda a questão da eventual chegada a Sagres um pouco antes do nosso grupo e obrigá-los a ficarem ali à minha espera. Agora sei que não haveria problema, pois o grupo que integrei acabou por ainda jantar em Sagres.
Findo o jantar ainda tive a oportunidade de ir cumprimentar os nossos heróis que já de barriguinha cheia se mentalizavam para o regresso no dia seguinte! Desde já os meus parabéns aos BRAVOS DO PELOTÃO! :)
Recomeçando o relato, assim que o barco parou em Tróia, seriam cerca das 7 e picos... fomos ter a casa de um outro elemento do grupo, onde tinham pernoitado mais uns quantos elementos. Ou seja, à partida éramos 11 e começámos a pedalar precisamente às 07h45m rumo a Sagres.
O ritmo não foi de todo elevado, à excepção da passagem de um grupo grande de ciclistas de estrada que alguns de nós decidiram aproveitar a boleia. Felizmente não foram muito os kms, talvez uns 10/15 kms. O discernimento fez com que se abortasse a ideia rapidamente e retomássemos o andamento variado do grupo.
As nossas paragens foram de 50 em 50 kms, sensivelmente, acrescidas de mais uma ou outra para café. Houve ainda um furo do nosso amigo TA já após a passagem por Aljezur. Todas estas paragens acabaram por retirar um pouco o ritmo e custar-me um pouco mais de cada vez que precisava de recomeçar.
Com o passar dos kms houve ainda umas 3 desistências e tiveram de passar ao veículo de apoio. Ainda assim, os restantes mantiveram-se unidos até São Teotónio. Aí houve separação de alguns elementos e seguimos apenas 6 juntos até à Carrapateira onde a famosa subida fez das suas!... Começando por mim, que nos primeiros 200 metros comecei a sentir uma dor no gémeo esquerdo que ameaçava prender com uma cãibra. Tive de diminuir um pouco o ritmo até cerca de metade da subida, onde a partir daí comecei novamente a sentir-me bem e voltei ao andamento anterior. Como consequência disso, tive de prosseguir sozinho durante os últimos 25 kms que me levaram até ao centro de Sagres.
Assim, chegado a Sagres um pouquinho antes das 18h, tinha qualquer coisa como 200,11 kms. Com um total de 8h 22m 15s a andar a uma média de cerca de 24 kms/h, mas para um total de 10h e 10m depois da saída de Tróia. Ora, é por isso que acho que mais de 1h 45m no total de paragens é demasiado tempo perdido, com as consequentes dificuldades em retomar ritmo.
E pronto, desculpem lá mais uma vez estes meus longos relatos, mas já sabem que não consigo abreviar muito a coisa! rsrsrs
JP"
2010-10-13
2010-10-11
24 H Monsanto 2010 - Jamor 18 e 19 de Setembro - Resultados
Já vai quase há um mês e o silêncio é de estranhar, mas os Just4funners vieram um pouco desanimados desta prova.
O desânimo não se deve às classificações obtidas, que foram meritórias e em alguns casos muito relevantes, mas sim à envolvente da prova e à organização que deixou um certo "amargo de boca" e mesmo algumas dúvidas quanto a um eventual regresso no próximo ano.
Pode ser que ainda haja coragem para tecer considerações mais detalhadas que justifiquem a "azia", embora o "apetite" seja pouco para escrever sobre o evento. Aliás, "apetite" no sentido estrito do termo até houve, mas não foi possível saciá-lo porque o convívio final que sempre coroou as nossas participações não aconteceu por imposição da organização.
Ora a barriga vazia, além de fazer mal ao estômago, pode toldar o raciocínio e para não engrossar o coro de críticas fáceis às diversas falhas da organização (bem mais graves que a simples proibição da churrascada, obviamente) é preferível deixar assentar a poeira antes de escrevinhar mais linhas...
Para já e para memória futura ficam aqui as classificações.
Solo Masculinos:
25º SD - 17 voltas
32º PL - 15 voltas
35º DN - 14 voltas
58º NO - 10 voltas
79º AAF - 4 voltas
80º FF - 4 voltas
Classificaram-se 84 ciclistas e o primeiro fez 31 voltas
Solo Femininos
6ª TF - 2 voltas
Classificaram-se 6 ciclistas e a primeira fez 20 voltas
Equipas de Quatro Masculinas (RF, AF, TA e JB2)
29º Just4Fun - 27 voltas
Classificaram-se 51 equipas e a primeira fez 38 voltas
Nas 12 horas o JP registou o resultado mais relevante de todos
5º JP - 14 voltas
Classificaram-se 21 ciclistas e o primeiro fez 17 voltas
O desânimo não se deve às classificações obtidas, que foram meritórias e em alguns casos muito relevantes, mas sim à envolvente da prova e à organização que deixou um certo "amargo de boca" e mesmo algumas dúvidas quanto a um eventual regresso no próximo ano.
Pode ser que ainda haja coragem para tecer considerações mais detalhadas que justifiquem a "azia", embora o "apetite" seja pouco para escrever sobre o evento. Aliás, "apetite" no sentido estrito do termo até houve, mas não foi possível saciá-lo porque o convívio final que sempre coroou as nossas participações não aconteceu por imposição da organização.
Ora a barriga vazia, além de fazer mal ao estômago, pode toldar o raciocínio e para não engrossar o coro de críticas fáceis às diversas falhas da organização (bem mais graves que a simples proibição da churrascada, obviamente) é preferível deixar assentar a poeira antes de escrevinhar mais linhas...
Para já e para memória futura ficam aqui as classificações.
Solo Masculinos:
25º SD - 17 voltas
32º PL - 15 voltas
35º DN - 14 voltas
58º NO - 10 voltas
79º AAF - 4 voltas
80º FF - 4 voltas
Classificaram-se 84 ciclistas e o primeiro fez 31 voltas
Solo Femininos
6ª TF - 2 voltas
Classificaram-se 6 ciclistas e a primeira fez 20 voltas
Equipas de Quatro Masculinas (RF, AF, TA e JB2)
29º Just4Fun - 27 voltas
Classificaram-se 51 equipas e a primeira fez 38 voltas
Nas 12 horas o JP registou o resultado mais relevante de todos
5º JP - 14 voltas
Classificaram-se 21 ciclistas e o primeiro fez 17 voltas
PTOPEN-XCR - Classificações finais
Terminada a última prova do troféu, que decorreu em Manteigas e na qual não esteve presente nenhuma camisola da bicicleta sorridente, já há classificações finais.
O PL terminou em 21º de quarenta participantes que pontuaram, com um total de 14 pontos, tendo ficado a anos luz de distância do primeiro que fez 126 pontos. O menos pontuado teve 1 ponto.
Classificação final a meio da tabela, de acordo com as expectativas iniciais e portanto nada de novo por estas bandas.
Classificações em:
http://siim.pt/btt/ptopenxcr/?tipo=Solo&sexo=Masculino
Para o ano há mais. Pelo menos assim se espera e está prometido e o PL conta participar.
O PL terminou em 21º de quarenta participantes que pontuaram, com um total de 14 pontos, tendo ficado a anos luz de distância do primeiro que fez 126 pontos. O menos pontuado teve 1 ponto.
Classificação final a meio da tabela, de acordo com as expectativas iniciais e portanto nada de novo por estas bandas.
Classificações em:
http://siim.pt/btt/ptopenxcr/?tipo=Solo&sexo=Masculino
Para o ano há mais. Pelo menos assim se espera e está prometido e o PL conta participar.
2010-09-09
Ainda as 12H de Proença-a-Nova - Vídeo Teaser
Mais um excelente trabalho Vespa - Produções.
PTopen XCR 12h BTT - Proença-a-Nova from Vespa Produções on Vimeo.
PTopen XCR 12h BTT - Proença-a-Nova from Vespa Produções on Vimeo.
2010-08-30
24H BTT de Lisboa - Jamor, 18 e 19 de Setembro de 2010
Depois de algumas hesitações está em marcha a onda Just4Fun para as 24 H BTT (agora em Oeiras, na zona envolvente do Estádio Nacional).
É uma equipa de quatro elementos e seis a solo para a prova de 24 H e um elemento para as 12 H a solo.
Que comecem os preparativos da festa :-)
É uma equipa de quatro elementos e seis a solo para a prova de 24 H e um elemento para as 12 H a solo.
Que comecem os preparativos da festa :-)
2010-07-30
12 Horas de Proença-a-Nova - 24 de Julho de 2010
Relato da participação do PL:
"42ºC?...
Nah!...
O Polar deve estar com erro. De facto está calor, mas não pode ser tanto.
Bem… O briefing está a começar, vamos lá enfrentar o Sol.
Talvez tivesse sido aconselhável ter pedalado um bocadinho nos últimos dois meses. Talvez aguente… Afinal são só doze horas, quem não aguenta doze horas a pedalar não se mete nestas coisas e comparando com as provas de 24h em que entrei, uma de 12h é para tenrinhos.
Estes eram alguns dos pensamentos que me passavam pela cabeça um pouco antes das 12:00 e de começar o briefing em Proença-a-Nova das 12 horas BTT (terceira prova do troféu PTOPEN-XCR).
“… O percurso é muito duro e tem muitas subidas, mesmo quando se pensa que acabaram, aparece mais uma…”. Mau sinal este que nos era transmitido pelo Paulo da empresa Horizontes, que organiza o PTOPEN-XCR, mas se ele dizia que era assim o melhor era acreditar. Ele não nos costuma enganar.
Foi assim que, logo após a partida, me fui deixando ficar para trás, a um ritmo contido. A primeira volta ia também ser a de reconhecimento e com os avisos das subidas e de algumas descidas perigosas, mais valia começar com cautela.
A parte das subidas foi confirmada ainda no primeiro quilómetro de prova, mas rapidamente chegaram as correspondentes descidas. Algumas, no entanto, eram um pouco complicadas e não me permitiam descansar antes de enfrentar a subida seguinte, o que não augurava bom futuro.
Foi neste sobe e desce constante que finalizei a primeira volta, com alguma apreensão, já que fazer cinquenta minutos em dez quilómetros era um ritmo um pouco lento demais. O calor era muito e não ajudava. A quantidade enorme de singles com muita condução, eram muito divertidos, mas não ajudavam os… digamos… menos preparados (como eu), mas logo se veria como correriam as voltas seguintes.
Rapidamente verifiquei que teria que parar após a segunda volta para reabastecer de líquidos, o que era uma volta mais cedo do que tinha planeado, mas estava de facto a beber mais que o normal. Fiz a segunda volta lenta para poupar e reabasteci. Perdi-me duas vezes nesta volta, o que revela uma desconcentração pouco habitual e dava sinais que o discernimento estava abaixo do normal. Fisicamente estava a custar-me mais que o esperado, até porque só tinha feito 20 km, o que não era nada. Verifiquei o acumulado de subidas e estava quase com 600 m. OK, isto vai ser mesmo muito duro. Vamos ver até onde dá…
Arranquei para a terceira volta com espírito de poupança e tentando estabelecer uma meta pessoal alternativa, já que seria impossível fazer os 100km que tinha definido como meta para esta prova. Talvez assim conseguisse ficar nos 20 primeiros classificados e garantir um ponto, que seria mais difícil desta vez devido aos mais de trinta inscritos a solo. Apontei para os 80 km (oito voltas). A terceira terminou com maus sinais, já que em algumas subidas comecei a praticar empurra-bike. A quarta volta foi o descalabro. Tudo feito em avozinha e a pé em quase todas as subidas devido a cãibras. Moralmente foi um “murro no estômago”. Eram quatro da tarde, estava com quatro voltas (40 km) e nem o calor e as subidas podiam justificar o mau desempenho. Quando parei junto ao carro pensei seriamente em desistir logo ali, pois não ia estar mais oito horas a fazer voltas a pé e com cãibras. Apesar de tudo não entreguei o chip e tentei recompor-me. Comi, bebi muito e sentei-me. Acabei por adormecer e fui dormitando enquanto ia ouvindo reacções de outros participantes à minha volta. Um nem tinha ainda tirado a bicicleta do carro, outro tinha feito quatro voltas e ia desistir apesar de estar em 12º (eu estava em 15º na altura). Outro tinha feito duas voltas e tinha tido três furos. Não era só a mim que me estava a correr mal. Talvez haja possibilidade de evitar o descalabro completo.
Cerca das seis horas já recuperado moral e fisicamente (achava eu) preparei-me para regressar ao percurso para mais umas voltas. A sesta tinha-me custado quatro lugares e estava agora em 19º, com muita gente com o mesmo número de voltas que eu, ou com mais ou menos uma, pelo que tudo ainda era possível na batalha pelo último lugar pontuável.
A primeira volta após a pausa (quinta) correu-me muito bem e voltei a fazer cinquenta minutos. Apesar de ir a poupar, fiz a volta toda a pedalar, o que era bom sinal. Parei na meta para encher um bidão de água e saber se podia dar mais uma volta sem luzes, o que se confirmou. Parti para mais uma volta antes da paragem para descansar, abastecer e montar luzes, mas ainda no primeiro quilómetro voltaram as cãibras, agora mais fortes que antes. Estive a “um bocadinho assim” de voltar para trás e anular a volta, mas depois de parar uns minutos e avaliar a situação decidi completar a volta, nem que as subidas fossem quase todas a pé (como previa e veio a acontecer). Esta volta nunca mais acabava. O tempo estava agora mais fresco e, ou era alucinação, ou estava mesmo agradável para pedalar. Acho que era realidade mesmo. Corria uma brisa muito agradável e a temperatura e luz do fim de tarde estavam perfeitas. Foi uma pena que não pudesse apreciar estas condições. As partes a descer, no entanto, foram muito agradáveis (embora curtas para o meu “mau” estado). Parei várias vezes durante a volta e as subidas foram obviamente um martírio. Foi com um grande alívio que cheguei ao cimo da última subida antes da descida final de aproximação à meta. Era claro para mim que a minha prova ia terminar no fim desta volta e já nem a miragem do possível pontinho me servia de “cenoura” para continuar o sofrimento.
Após cortar a meta fui entregar o chip e despedir-me do Paulo. Trocámos umas breves palavras de despedida e parece que estava mesmo com aspecto de esgotado (segundo ele). Não fiquei para o fim da prova e respectiva festa e parti logo para casa para iniciar rapidamente a recuperação. Estava então no 17º lugar, mas faltando ainda quase quatro horas de prova seria de esperar uma grande queda na classificação final. Logo se veria o tamanho da queda, porque subir era impossível. Devido ao estado de esgotamento em que me encontrava, nem a pé conseguiria dar mais uma volta.
Foi com alguma surpresa que constatei na segunda-feira que a queda não tinha sido tão grande como poderia supor, dado que fiquei em vigésimo lugar, garantido o tal pontinho que serviu de motivação na minha última volta e cuja miragem me impediu de voltar para trás quando as cãibras atacaram em força.
Desta prova podem-se tirar várias conclusões. A primeira é que sou mesmo tenrinho e nem uma prova de 12 horas aguento neste momento. A segunda é que convém treinar um bocadinho se queremos participar nestas provas. A terceira é que os quilómetros acumulados no ano anterior não duram para sempre e se nas duas primeiras provas consegui disfarçar a minha forma miserável, desta vez foi indisfarçável. A quarta é que confirmei, como se isso fosse ainda necessário, que provas organizadas pelo Paulo e pela Horizontes são um mimo e é com muita pena que não vou poder participar na próxima (em Manteigas), devido a outros compromissos. Na verdade é com pena, mas também com algum alívio, porque se a minha preparação não melhora ainda acabo a dar apenas uma volta e… em Manteigas, não estou a ver muitas zonas planas ;-) . A quinta é que há alturas em que temos que esquecer a teimosia e deixar a razão decidir o que é melhor para nós, que somos uns turistas nestas provas, e que por vezes estamos nitidamente impreparados para o desafio que pretendemos enfrentar, como foi o caso. A sexta é que há provas de 12 horas mais duras que provas de 24 horas, mesmo considerando eventuais diferenças de preparação pessoal. A sétima é que tenho que voltar a Proença para me desforrar. A última memória que tinha era de umas 24 horas em equipa de quatro que me tinha corrido bem (para o meu nível) e não quero que essa memória seja apagada por uma participação menos positiva nestas 12h.
Agora vou ter de arranjar maneira de treinar mais um bocadinho, porque começo a não ter desculpas para incluir nos relatos das minhas participações e ou paro de participar ou paro com as lamúrias.
Bem… fico por aqui que amanhã tenho que ir pedalar e já passa da meia-noite ;-)
PL"
"42ºC?...
Nah!...
O Polar deve estar com erro. De facto está calor, mas não pode ser tanto.
Bem… O briefing está a começar, vamos lá enfrentar o Sol.
Talvez tivesse sido aconselhável ter pedalado um bocadinho nos últimos dois meses. Talvez aguente… Afinal são só doze horas, quem não aguenta doze horas a pedalar não se mete nestas coisas e comparando com as provas de 24h em que entrei, uma de 12h é para tenrinhos.
Estes eram alguns dos pensamentos que me passavam pela cabeça um pouco antes das 12:00 e de começar o briefing em Proença-a-Nova das 12 horas BTT (terceira prova do troféu PTOPEN-XCR).
“… O percurso é muito duro e tem muitas subidas, mesmo quando se pensa que acabaram, aparece mais uma…”. Mau sinal este que nos era transmitido pelo Paulo da empresa Horizontes, que organiza o PTOPEN-XCR, mas se ele dizia que era assim o melhor era acreditar. Ele não nos costuma enganar.
Foi assim que, logo após a partida, me fui deixando ficar para trás, a um ritmo contido. A primeira volta ia também ser a de reconhecimento e com os avisos das subidas e de algumas descidas perigosas, mais valia começar com cautela.
A parte das subidas foi confirmada ainda no primeiro quilómetro de prova, mas rapidamente chegaram as correspondentes descidas. Algumas, no entanto, eram um pouco complicadas e não me permitiam descansar antes de enfrentar a subida seguinte, o que não augurava bom futuro.
Foi neste sobe e desce constante que finalizei a primeira volta, com alguma apreensão, já que fazer cinquenta minutos em dez quilómetros era um ritmo um pouco lento demais. O calor era muito e não ajudava. A quantidade enorme de singles com muita condução, eram muito divertidos, mas não ajudavam os… digamos… menos preparados (como eu), mas logo se veria como correriam as voltas seguintes.
Rapidamente verifiquei que teria que parar após a segunda volta para reabastecer de líquidos, o que era uma volta mais cedo do que tinha planeado, mas estava de facto a beber mais que o normal. Fiz a segunda volta lenta para poupar e reabasteci. Perdi-me duas vezes nesta volta, o que revela uma desconcentração pouco habitual e dava sinais que o discernimento estava abaixo do normal. Fisicamente estava a custar-me mais que o esperado, até porque só tinha feito 20 km, o que não era nada. Verifiquei o acumulado de subidas e estava quase com 600 m. OK, isto vai ser mesmo muito duro. Vamos ver até onde dá…
Arranquei para a terceira volta com espírito de poupança e tentando estabelecer uma meta pessoal alternativa, já que seria impossível fazer os 100km que tinha definido como meta para esta prova. Talvez assim conseguisse ficar nos 20 primeiros classificados e garantir um ponto, que seria mais difícil desta vez devido aos mais de trinta inscritos a solo. Apontei para os 80 km (oito voltas). A terceira terminou com maus sinais, já que em algumas subidas comecei a praticar empurra-bike. A quarta volta foi o descalabro. Tudo feito em avozinha e a pé em quase todas as subidas devido a cãibras. Moralmente foi um “murro no estômago”. Eram quatro da tarde, estava com quatro voltas (40 km) e nem o calor e as subidas podiam justificar o mau desempenho. Quando parei junto ao carro pensei seriamente em desistir logo ali, pois não ia estar mais oito horas a fazer voltas a pé e com cãibras. Apesar de tudo não entreguei o chip e tentei recompor-me. Comi, bebi muito e sentei-me. Acabei por adormecer e fui dormitando enquanto ia ouvindo reacções de outros participantes à minha volta. Um nem tinha ainda tirado a bicicleta do carro, outro tinha feito quatro voltas e ia desistir apesar de estar em 12º (eu estava em 15º na altura). Outro tinha feito duas voltas e tinha tido três furos. Não era só a mim que me estava a correr mal. Talvez haja possibilidade de evitar o descalabro completo.
Cerca das seis horas já recuperado moral e fisicamente (achava eu) preparei-me para regressar ao percurso para mais umas voltas. A sesta tinha-me custado quatro lugares e estava agora em 19º, com muita gente com o mesmo número de voltas que eu, ou com mais ou menos uma, pelo que tudo ainda era possível na batalha pelo último lugar pontuável.
A primeira volta após a pausa (quinta) correu-me muito bem e voltei a fazer cinquenta minutos. Apesar de ir a poupar, fiz a volta toda a pedalar, o que era bom sinal. Parei na meta para encher um bidão de água e saber se podia dar mais uma volta sem luzes, o que se confirmou. Parti para mais uma volta antes da paragem para descansar, abastecer e montar luzes, mas ainda no primeiro quilómetro voltaram as cãibras, agora mais fortes que antes. Estive a “um bocadinho assim” de voltar para trás e anular a volta, mas depois de parar uns minutos e avaliar a situação decidi completar a volta, nem que as subidas fossem quase todas a pé (como previa e veio a acontecer). Esta volta nunca mais acabava. O tempo estava agora mais fresco e, ou era alucinação, ou estava mesmo agradável para pedalar. Acho que era realidade mesmo. Corria uma brisa muito agradável e a temperatura e luz do fim de tarde estavam perfeitas. Foi uma pena que não pudesse apreciar estas condições. As partes a descer, no entanto, foram muito agradáveis (embora curtas para o meu “mau” estado). Parei várias vezes durante a volta e as subidas foram obviamente um martírio. Foi com um grande alívio que cheguei ao cimo da última subida antes da descida final de aproximação à meta. Era claro para mim que a minha prova ia terminar no fim desta volta e já nem a miragem do possível pontinho me servia de “cenoura” para continuar o sofrimento.
Após cortar a meta fui entregar o chip e despedir-me do Paulo. Trocámos umas breves palavras de despedida e parece que estava mesmo com aspecto de esgotado (segundo ele). Não fiquei para o fim da prova e respectiva festa e parti logo para casa para iniciar rapidamente a recuperação. Estava então no 17º lugar, mas faltando ainda quase quatro horas de prova seria de esperar uma grande queda na classificação final. Logo se veria o tamanho da queda, porque subir era impossível. Devido ao estado de esgotamento em que me encontrava, nem a pé conseguiria dar mais uma volta.
Foi com alguma surpresa que constatei na segunda-feira que a queda não tinha sido tão grande como poderia supor, dado que fiquei em vigésimo lugar, garantido o tal pontinho que serviu de motivação na minha última volta e cuja miragem me impediu de voltar para trás quando as cãibras atacaram em força.
Desta prova podem-se tirar várias conclusões. A primeira é que sou mesmo tenrinho e nem uma prova de 12 horas aguento neste momento. A segunda é que convém treinar um bocadinho se queremos participar nestas provas. A terceira é que os quilómetros acumulados no ano anterior não duram para sempre e se nas duas primeiras provas consegui disfarçar a minha forma miserável, desta vez foi indisfarçável. A quarta é que confirmei, como se isso fosse ainda necessário, que provas organizadas pelo Paulo e pela Horizontes são um mimo e é com muita pena que não vou poder participar na próxima (em Manteigas), devido a outros compromissos. Na verdade é com pena, mas também com algum alívio, porque se a minha preparação não melhora ainda acabo a dar apenas uma volta e… em Manteigas, não estou a ver muitas zonas planas ;-) . A quinta é que há alturas em que temos que esquecer a teimosia e deixar a razão decidir o que é melhor para nós, que somos uns turistas nestas provas, e que por vezes estamos nitidamente impreparados para o desafio que pretendemos enfrentar, como foi o caso. A sexta é que há provas de 12 horas mais duras que provas de 24 horas, mesmo considerando eventuais diferenças de preparação pessoal. A sétima é que tenho que voltar a Proença para me desforrar. A última memória que tinha era de umas 24 horas em equipa de quatro que me tinha corrido bem (para o meu nível) e não quero que essa memória seja apagada por uma participação menos positiva nestas 12h.
Agora vou ter de arranjar maneira de treinar mais um bocadinho, porque começo a não ter desculpas para incluir nos relatos das minhas participações e ou paro de participar ou paro com as lamúrias.
Bem… fico por aqui que amanhã tenho que ir pedalar e já passa da meia-noite ;-)
PL"
