2010-04-20

SRP160 2010 - Rescaldos

Relato do SD:

"Como se costuma dizer que uma imagem vale mais do que mil palavras, deixo-vos aqui o link para 2 vídeos da participação dos Just4Fun na Ultra-Maratona de Serpa – SRP160. Este ano com a participação dos seguintes Just4Funner’s: DN,JB,JP,SD,TA.

http://www.youtube.com/watch?v=2XeDc37moR8

http://www.youtube.com/watch?v=mRgc4R1Ki5I

Esta foi a minha segunda participação neste evento da TrilhosVivos. Mais uma vez nada tenho a apontar à organização. Excelente marcação ao longo de todo o percurso, bons abastecimentos, mangueira para lavar as bicicletas, banho quente e boa refeição. Parabéns!

Este ano tive necessidade de puxar pelos galões se quis chegar ao fim pois a partir do quilómetro 50 comecei a fazer uma espécie de shutdown. À medida que pedalava ía-me sentido cada vez mais mal disposto, incapaz de me alimentar ou hidratar e a sentir-me cada vez mais fraco ao ponto de numa zona de abastecimento me ter sentado numa cadeira e quase, quase ter apagado mas afinal o shutdown foi mais um restart pois ao cruzar uma povoação disse aos meus companheiros que ía só ali tomar uma água das pedras, entrando depois num cafézito e pedido uma Coca-Cola gelada. Posto isto, fui renascendo e ganhei ânimo para pedalar até ao fim! A melhor bebida do ciclista sem dúvida. Pelo menos do ciclista reles que há em mim…

Foram 149Km com uma média de 16Km/h por entre paisagens magníficas em trilhos lindíssimos, muitos deles cheios de barro, lama, ribeiros com pouca água, ribeiros com muita água, ribeiros com corrente, ribeiros do jeito que quiserem, charcos e poças de todas as formas e feitios, alguma chuva por vezes, estradões a descer, estradões a subir… enfim, um Empeno com direito a tudo.

Obrigado aos companheiros de aventura que se preocuparam sempre comigo!"

Relato do TA:

"Mais uma vez os momentos anteriores à corrida não me permitiram descansar decentemente para uma prova desta natureza. Tinha planeado ir dormir próximo do local da prova mas devido a imponderáveis relacionados com o trabalho fiquei agarrado ao telefone até bastante tarde. Assim, após 4 horas de sono, arrumei as coisas no carro e arranquei para a mais ultra das maratonas feitas em Portugal (pelo menos que seja do meu conhecimento).

Cheguei ao local da prova e já só faltavam 15 minutos para a partida, ainda faltava fardar-me, tratar da bicicleta, encontrar os restantes companheiros do pedal dos Just4Fun (Sérgio Duarte, João Bronze, João Pedro e Delgado Nunes) e ainda o Pedro Cravo e o David Portelada. Felizmente já tinham levantado o meu dorsal pois a secretaria fechava às 7:30h. Na pressa de fazer o controlo 0 ficou esquecida a câmara-de-ar, os desmontas, o elo de corrente e quase atropelava uma miúda à saída do estacionamento… isto de pedalar e calçar as luvas ao mesmo tempo dificulta o sistema de travagem que por acaso estava quase sem pastilhas…

Lá me juntei aos 300 loucos que às 8 da manhã se preparavam para dar início ao SRP160, reduzido para 149km devido às chuvas que caíram durante a semana. Os participantes do SRP80 (encurtado para 48km) tinham a sua partida agendada para as 9h.

Os primeiros kms em alcatrão souberam bem para aquecer os músculos até porque não levava casacos, manguitos, perneiras ou qualquer tipo de agasalho adicional. Da chuva nem sinal. Após o alcatrão seguiram-se alguns estradões até que… chega finalmente a lama! Escorregadia para os pneus, pesada para os pés parecia agarrar-se a tudo, obrigando a desmontar e seguir a pé por diversas vezes. Entretanto o grupo partiu-se e não via nenhum deles, uns estariam para trás outros quantos lá para a frente.
De seguida surgiram os riachos e ribeiros cheios de água, uns límpidos e que permitiam a passagem montado, outros, ou porque o fundo era em pedra solta ou porque eram autênticos buracos com um metro de parede, obrigavam a uma travessia a pé. Até nem era mau passar por esses cursos de água pois permitiam retirar a lama que se acumulava no resto do percurso. Por falar em água, isso foi outra coisa que me faltou até à ZA1 nos 22km: esqueci-me de atestar antes da prova! Felizmente os trilhos até aí eram bastante acessíveis. Entretanto juntei-me ao JB e seguimos juntos.

Na ZA1 cruzámo-nos com o SD e o JP, nós a chegar e eles a partir pelo que a segunda fase, mais dura que a anterior, foi feita em exclusivo com o JB. As subidas já eram maiores e já se encontravam umas descidas bem interessantes que terminavam no leito de riachos e que me provocaram a primeira queda: entrei a grande velocidade num rio sem baixar as mudanças e como o fundo era arenoso as rodas enterraram-se (com nota artística: 4). Também tivemos direito a uns singletracks bem engraçados junto ao rio com direito a um dos locais mais bonitos por onde passámos.
Chegámos à ZA2 (36km) junto com o SD e o JP e seguimos juntos até ao fim (pelo menos eu tentava desesperadamente ir junto). Até aí o corpo estava impecável a viver à custa de Goldrink fornecido pela organização, uns bolos óptimos e alguma fruta à mistura.

Até à ZA3 a coisa também correu com relativo à vontade, o corpo já dava alguns indícios de cansaço e os ombros iam acumulando alguma tensão. O SD é que começou a sentir-se mal-disposto sem vontade de repor energias.
Arrancámos da ZA3 com chuva o que foi muito mau para mim: como ia sem agasalhos e ainda por cima o percurso começava com uma descida em alcatrão (cerca de 55km/h sem pedalar) o corpo esfriou bastante criando mais tensão no pescoço e ombros. E foi assim, debaixo de chuva, durante uma hora ou mais.

A partir daqui o percurso foi mais do mesmo: lama, poças de água, passagens de ribeiras, subidas lentas e descidas a alta velocidade, a corrente do JB partida e mais uma queda minha (acho que esta entra para o top: descida em terreno com alguma lama e rêgos, entra-me um pouco de lama para a vista o que me leva a fechar os olhos no preciso momento em que deveria cruzar um dos rêgos… para além da pasta de lama que me cobriu o lado esquerdo do corpo apenas a registar uns arranhões no cotovelo e na anca, nota artística: 5).

Da ZA5 (108km) à ZA7 (139km) o percurso começou a moer-me bastante e era cada vez mais difícil acompanhar os restantes smiles. As cãibras estavam mesmo à beira de rebentar pelo que tinha de fazer um equilíbrio entre manter-me junto do grupo e a perna não estoirar. O percurso proporcionou outro local muito giro que suponho ser uma mina abandonada. Acho que daria umas fotos bem catitas. Também neste percurso a quantidade de poças aumentou e que permitiram dizer ‘não há duas sem três’. Lá fui tomar banho de novo, desta vez numa poça de água que teimei em passar montado. A not artística aqui rebentou a escala! O SD continuava na sua guerra contra a indisposição que teimava em manter-se. E manteve-se até tomar a sua poção mágica, a sua bendita Coca-Cola. A partir daí, renascido das cinzas (mas não eram do Eyjafjallajökull), voltou ao pedal como se não tivesse já percorrido 130km!

Até ao final o empeno apenas se agravou mas cruzar a meta junto daquelas caras sorridentes e aquele sentimento de dever cumprido… dá outro significado à camisola Finisher J Venha ela!

Parabéns à organização por um trajecto tão bonito e bem marcado, bastantes ZA (que pecaram apenas por ter pouca diversidade), banho para a bicicleta, banho quente para os campeões e um jantar digno de quem fez tamanho esforço. Se fosse agora não sei se repetiria o empeno mas como o tempo faz esquecer o pior para o ano espero estar lá de novo (espero que com menos lama).

Para quem nunca foi dou um conselho: não percam este evento, é tecnicamente acessível e foi fisicamente extenuante devido à distância (obviamente) e devido à quantidade de lama pois os declives que surgiram não eram complicados.

Dados da prova:
Distância: 149km
Acumulado: 2288m (segundo o V. Gamito)
Tempo: 10h46m27s
Calorias: 5449 Kcal"

Relato do JB:

"Agora é a minha visão do SRP160 :-)

Bem, nem sei por onde hei-de começar :-)
Aqui vai...

Despertador para as 6 da manhã e toca a levantar. A caminho de Serpa fomosverificando que o terreno ao longo da estrada estava com muita água, ou seja, começámos logo a imaginar o melhor :-)
Dorsal na mão, bike pronta e aí vamos nós para a linha de partida. Fiquei a saber que tinha havido uma ligeira redução do percurso devido às chuvas dos últimos dias e que afinal já não eram 160, mas sim 149, portanto SRP149 :-)

8H - Partida para o SRP149
Os primeiros kms foram feitos em alcatrão e deu para aquecer os "motores".
Depois do alcatrão, entraram em "acção" os caminhos com lama, com muita lama e um ou outro ribeiro. Nesta parte do percurso houve alturas em que tive de desmontar, logo os sapatos ficaram ligeiramente mais pesados e ouve uma ou outra vez que ia ficando sem eles, pois aquela lama parecia cola.
Primeira ZA e aí encontrei o JP e o SD que já estavam de saída, aproveitei e fui com o TA. O DN vinha mais atrás e enquanto estivemos ali a alimentar-nos ele não apareceu.
Esta parte do percurso até à ZA2 foi feita com o TA. Aqui não apanhámos lama, mas sim umas boas subidas e uns ribeiros ou rios :-) que davam enorme prazer ao atravessar.
A partir do ZA2 seguimos todos juntos. Nesta parte do percurso a corrente da bike partiu... ao passar uma ribeira, havia uma ligeira subida e dei uma pedalada e a corrente ficou feita em duas...
Depois de alguns minutos, lá fiquei com uma corrente nova. Agradeço a todos por me terem ajudado nesta operação delicada :-).
Mais uma paragem no ZA3 e aqui a chuva aparece. Toca a tirar o impermeável e siga para mais uns kms. Estes primeiros kms foram feitos em alcatrão com uma boa descida para depois entrarmos numa zona de paralelo que massacrou ainda mais o corpo... a chuva continuava agora com algum vento à mistura. O percurso esse continuava a ser muito giro, com imensas ribeiras, com paisagens lindas, com subidas e descidas e Serpa cada vez mais perto.
As pernas, o corpo estavam a reagir bem à longa distância e a única ameaça de cãibra que tive foi quando mudei a corrente. A bike também estava a sofrer um bom empeno devido à lama, à água das ribeiras e às constantes subidas e descidas. Quando havia paragens estava sempre a lubrificar a corrente, pois esta estava constantemente seca...
Entre a ZA4 e ZA5 e alertado pelo JP, é que me apercebi que o SD estava maldisposto. Ao atravessar uma aldeia o SD pediu para pararmos num café para ir beber algo... viemos a saber que tinha bebido uma coca-cola (se eu soubessetambém tinha entrado e bebia uma mini, mas a organização podia ter controle anti doping e era mau...) e foi a partir daí que a má disposição finalmente desapareceu.
Entretanto começou a cheirar a Serpa e as forças aumentaram. Cortámos a meta todos juntos e à nossa espera tínhamos uma claque (DN) muito eufórica :-).

Este foi o meu segundo SRP160 e mais uma vez adorei o "empeno". O percurso,a paisagem, os trilhos, a companhia, enfim acho que para o ano estou lá novamente nem que mais não seja para conhecer uma "Tal" "Pela Cinta" (private joke :-) )

Obrigado a todos pela companhia,"

Registos Trilhos Vivos:
Vencedor: Vítor Gamito - 6:10
193º a 196º: JP, JB, SD, TA - 10:46
239º - 11:56

2010-04-18

SRP160 - Serpa - 17 de Abril de 2010

Primeiros registos de mais um grande desafio.
A vida de um betetista é dura.
Os primeiros ecos apontam para mais de 10 horas a pedalar em condições muito difíceis.








Fotos de BTT-TV

2010-04-14

24H BTT de Coruche - 7 e 8 de Março de 2009 - II

Relato feito pelo RF logo após o final da prova via telele:
"Bom meus amigos,

Acabei a prova e até ao momento estava em 44º lugar,mas pode haver alterações pois deixar de andar antes das 14h.
O percurso não era muito difícil, mas apartir da 5a volta as coisas começavam a pesar. Tinha algumas descidas, que para mim, considerei perigosas ainda dei duas quedas, uma delas um pouco grave (felizmente deu para continuar) e resolvi fazer descidas fora da bicicleta para não haver grandes estragos.
A organização era boa e não faltaram águas e um género de salada de frutas nos locais de apoio, o que me ajudou imenso. Como sabem não vim aqui para ganhar, mas tentei dar o melhor para não ficar nos últimos. A minha estratégia: Na bicicleta usei pneu cardado à frente e um semi-slic na roda de trás. Perdi muito nas descidas pois não conseguia travar muito bem, mas consegui manter a bicicleta leve e com pouco atrito. Tive um pequeno problema nos travões traseiros, que deixaram de travar a 100% (ainda por cima com o tipo de pneu, ainda mais difícil).
Comecei bem a prova e resolvi fazer o máximo de voltas durante o dia. Consegui fazer até às 21h sete voltas, jantei, descansei, convivi com pessoal que conheci aqui, troquei de equipamento (isto faz um frio desgraçado) e fiz uma volta entre as 24h e 1h da manhã. Resolvi parar. Não estava confiante na segurança do percurso durante a noite.

Dormi até às 9h tomei um duche e consegui fazer mais 4 (não tenho a certeza). Quando a classificação final estiver disponível confirmo o total de voltas. Isto tudo em modo Vegetal, não como carne faz 4 meses. Consegui com que a organização colocasse um menu vegetariano nas refeições, 5 estrelas para a organização.

Agora vou almoçar e seguir viagem para casa.
Abraços e viva o redbull. (bebi uma latinha agora, parece que fiquei novo) :D

RF"

2010-04-11

24 H Coruche - 10 de Abril de 2010

10 horas de prova.
RF tem oito voltas.

Just4Fun em cima do acontecimento ;-)

2010-04-08

G100 - Grândola - 3 de Abril de 2010


Relato do JP:

"Deixo aqui um (longo) relato do G100 de 2010.

Sábado, 03 de Abril de 2010, que melhor forma de me despedir dos "intas", do que ir fazer o G100 em Grândola?

Previstos cerca de 90 km, com 1930 m de acumulado de subidas. Sendo que, 1210 m dos quais, estavam reservados para os últimos 35 km. Vai ser bonito vai...!!! Ah, só falta dizer que fui sozinho e sem ninguém com quem sequer partilhar lamurias!...

Partida um pouco atrasada em relação ao previsto, com uma partida simulada ainda dentro de Grândola e cerca de 2 km depois, aí sim, voltaram a "reunir" as tropas para se proceder então à partida oficial.

Dois grupos distintos. Os federados um pouco mais adiantados e o "resto do Mundo" um pouco mais para trás, mas com as partidas em simultâneo.

Cerca das 9h30m e lá vamos nós....! Primeiro km, mau sinal. As pernas já me doíam. O ritmo começou forte mas, o treino na véspera não tinha resultado lá muito bem, pensava eu! Bem... 2 km e zás, tudo a chapinhar com a bicla às costas. Bonito. A partir daqui, seriam 5h e meia sensivelmente, com os pés encharcados e a fazer choc-choc...À passagem do km 20 senti uma quebra. Nada de bom, pensava. Aproveitei um ligeiro endireitar de piso para comer qualquer coisa. Melhorei e lá prossegui com maior ou menor dificuldade. A transmissão, essa há muito que se vinha a queixar. Uma constante passagem por ribeiras, algumas delas com um caudal bem acentuado, faziam com que depois à passagem por zonas mais secas e solarengas a transmissão secasse e os ruídos característicos se acentuassem!

Lá seguimos por monTTes e Vales... chapinhando entre ribeiras e zonas completamente empapadas de lama viscosa que parecia colar-nos ao chão. O massacre continuava. As pernas não me davam tréguas!Arrastei-me até quase à passagem pela zona de meta, km 52, onde terminava o G50. O cronómetro marcava 2h50m. A tentação de ficar logo ali era mais do que muita. Mas, esta (ainda) não seria a primeira vez que isso me ia acontecer! Mas um dia... vai! ;)

Parei neste abastecimento e lá me alimentei de novo. Prossegui e aqui fi-lo sozinho durante praticamente 15 km sem ver ninguém. Nem à frente, nem atrás. As marcações eram boas e a organização optou por uma espécie de balões bem visíveis. Muito mais visíveis do que as tradicionais fitas. Apenas pecavam por alguns deles se encontrarem bem afastados uns dos outros!

Por volta do km 67, eis que, "colei" a um grupo de uns 6 elementos e lá seguimos, trepaaaando, descendo, trepaaaando, certamente aos pontos mais elevados daquela serra de Grândola. Alguns deles já os "bem" conhecia desde uma célebre (Des)Ori-btt que por lá tinha feito.

Este grupo não durou muito mais tempo junto. Foi perdendo alguns elementos e ficamos reduzidos a 3, até que chegamos ao último abastecimento. Faltava a subida-mor! Disseram-nos logo ali, que era durinha e longa, mas que valeria bem a pena pela beleza da zona. Aqui acrescento que eu só via a roda da frente e o céu...! Segui a meu ritmo e quando dei por mim, estava novamente sozinho.

Eis que cheguei ao ponto mais alto do percurso. Aqui, estava situado o último posto de controlo. Informaram-me que dali para o fim faltariam cerca de 6 km e que tivesse cuidado com a descida que se seguia. E que descida....! yyyyyyyyyyááááááááaáá... ;)

Como não podia deixar de ser, e certamente já estariam a estranhar.... chego cá abaixo e... vá de seguir em frente.... Claro. Não era por ali! Cerca de km e meio depois, e ao entroncar em asfalto, acrescido pelo facto de ali não haver indicações, nem ninguém... Depois de alguns nomes a mim próprio e de meia dúzia de impropérios para o ar... dei a volta à "burra" e lá vou eu à procura do caminho certo. De notar que estes 3 km a mais, "roubaram-me" cerca de 8 minutos...!

De regresso ao caminho correcto, pois o mesmo até estava numa zona bem visível.... eu é que decidi passar mais uma ribeira e afinal era um ligeiro desvio para um single track antes da mesma, lá rolei até à meta que se situava cerca de uns 4 km adiante. Como é óbvio, acabei por perder 3 ou 4 posições que havia conquistado naquele tal grupo que tinha ficado para trás. Foi mais um dos meus desencontros com o percurso. Não há remédio! Tenho me de convencer disso!

Para terminar e porque já vai longo... o tempo total situou-se em 5h 38m 45s. Com o 51º lugar da geral no G100, sendo que mais de metade dos inscritos confirmados, nem sequer acabaram. Estou certo que houve muita gente a ficar aquando da passagem pela zona de meta ao km 52.

Para complementar a descrição, agora que já sou Veterano B, buááááá... e dado que havia classificações também por escalões, quedei-me pelo 15º lugar deste escalão. Ah, falta dizer que o vencedor, o Ricardo Melo, fez qualquer coisa como 4h 06m 27s. É esta diferença de cerca de 1h 30m para os da frente que me deixa desiludido! É aqui que eu vejo que cada vez ando menos... ou eles cada vez andam mais. Ou até talvez sejam ambas!

Pode ser que os 40 anos feitos no dia seguinte, me tragam juízo e me levem a deixar-me destas coisas, e destes sofrimentos!

Venha a próxima e logo se verá...!!!

PS: Para a próxima, se quiserem um relato assim mais pormenorizado digam, ok? rsrsrsrsrsrsrs Ou então deixem os relatos com outros amigos. Pois a próxima serão os 162 km da Ultra-Maratona de Serpa... Se conseguir chegar ao fim! Veremos se não será a primeira vez que o desvio... fará milagres! ;)"

2010-04-01

Maratona do Centro - Pousos - Leiria - 21 de Março de 2010

Relato do JB:

Primeira participação numa maratona em 2010, este ano a contar para a Taça Portugal XCM e por isso a linha de partida estava dividida entre os ciclistas federados (Vitor Gamito, Rui Lavarinhas, Marco Sousa, entre outros) e os não federados. Nos não federados ainda havia uma divisão por ordem de inscrição e eu como fui dos primeiros a inscrever-me estava muito bem posicionado na grelha de partida.

9.30 e poucos segundos - Partida

Os primeiros quilómetros foram feitos em alcatrão o que facilitou o andamento e depois entrámos em terra numa zona de pinhal. Aí começou o terreno com lama e as raízes dos pinheiros pregavam algumas partidas, pois as rodas derrapavam um bocado. Houve alguns engarrafamentos, sobretudo devido ao piso. Esta primeira parte do percurso, o terreno estava com muita lama e o piso parecia manteiga.

Abastecimento por volta do km20, onde tínhamos à nossa espera maças, águas, croissants e barras energéticas.

Mais à frente havia a divisão dos 40/80km. Aí segui a seta dos 80km e foi a partir daí que o percurso começou a inclinaaaaar….

Ao Km30 a subida rainha da maratona, longa (quase 3km), difícil com uma inclinação brutal, mas onde o piso era excelente.

Esta segunda parte do percurso o piso era muito bom, quase não havia lama onde predominavam as subidas e as descidas....Por falar em descidas, estas eram brutais, por vezes custavam mais que as subidas. Muitas pedras/rochas que as tornavam às vezes perigosas (apanhei um ou outro susto hehe). Numa destas descidas encontrei dois ciclistas “agarrados” à clavícula…

Por volta do km50 mais um abastecimento. Daqui até ao último abastecimento foi sempre a rolar, com uns single tracks muito giros.

Último abastecimento e já só faltavam 20km para o final. Aqui o piso estava com muita lama e numa zona com um longo single track havia muita água, muita pedra o que poderia ser algo perigoso pois voltávamos a ter terreno tipo manteiga. Aí tive mais dois ou três sustos e ouve uma vez que desci com a bike à mão, pois não queria vir com marcas da maratona J.

Cortei a linha da meta com o tempo de 5h22:03.Na Classificação Geral dos Não Federados fiquei em 57ºlugar.

Convém referir que o percurso estava muito bem sinalizado. Paguei 25 euros tive direito a uma t’shirt do patrocinador da prova, um jersey (muito bonito!) e à papelada do costume.

No dia a seguir vim a saber da notícia da morte de um ciclista durante a maratona. Foi numa zona de alcatrão, ao km 10, cerca de 30 minutos após a partida.

Quando parti, estavam ao meu lado 2 médicos ciclistas devidamente identificados e que também iam participar na maratona. Estes médicos prestaram os primeiros socorros, mas infelizmente de nada valeu.

Para o ano lá estarei, novamente. :-) "

2010-03-22

Desafio Audax - Loures-Évora - 21 de Março de 2010

Relato do PL

"Missão cumprida.
Chegámos (o JP e eu) a Évora antes do fecho do controlo.
Apesar de ter levado com o Homem da Marreta algures por volta de Vendas Novas, sobrevivi até ao final à custa dos rendimentos acumulados.
Com rendimentos acumulados quero dizer média de pedalada, que um pouco antes de Pegões, por altura da paragem para abastecimento aos 60 km de percurso, ia ligeiramente acima dos 30 km/h.

O início foi de loucos, comigo a tentar acompanhar o pelotão da roda fina que partiu como se não houvesse amanhã. Além de nós, só vimos outros dois participantes com máquinas de BTT, o que não era um bom sinal.
Rapidamente percebi que não podia embarcar nesta loucura e deixei-me ficar para trás a um ritmo mais realista. O JP estava bem mais à vontade que eu, mas deixou-se ficar comigo.
Nos arredores de Alhandra passa por nós o grupo da Carris e nós apanhamos o autocarro ;-)

Seguimos ao ritmo deles até ao abastecimento e havia alturas em que rolávamos na casa dos 40 km/h, de que resultou a média que referi atrás.

No abastecimento o grupo esfrangalhou-se. Nós os dois parámos pouco tempo e arrancámos, mas mais à frente eles voltam a passar por nós. Ainda tentámos ir na roda, mas alguns quilómetros depois o JP faz-me um sinal a dizer que não dava. Foi a boa notícia do dia. Se não dava para ele imaginem como eu ia. Fiz reset do cruise control e voltei a rolar a médias mais apropriadas à minha condição física actual que é... como dizer?... basicamente... nenhuma :-P

Lá me arrastei até Évora, com o JP sempre a esperar por mim nas subidas, e chegámos quase uma hora antes do fecho do controlo, o que ainda assim foi muito bom.

Quanto à organização, fiquei um pouco desapontado.
Os desafios Audax não são provas de velocidade e têm uma filosofia completamente diferente. Não há classificações e o controlo de chegada serve apenas para verificar que se consegue concluir o percurso no tempo limite definido. Era esta a minha expectativa, que construí pela consulta de muita informação sobre os Audaxes de outros países que está disponível na net. O próprio regulamento desta prova é claro nesse aspecto e a informação disponível no site da FPCUB também remetia para o princípio que rege os desafios Audax por esse mundo fora.
Não vi nada disso ontem. Deram-nos um papel que tinha um espaço para formalizar o controlo no abastecimento (o que de alguma confirmava o que era esperado), mas parece que a maior parte nem parou.
Quando parámos ainda perguntei se não havia carimbo, mas parecia que estava a falar chinês. Dizia o controlador que tinha chegado pouco antes dos primeiros, porque teve dificuldades para ultrapassar o pelotão, e que só tinha tido tempo de os ver passar como flechas, o que revela alguma desorganização, além de desconhecimento dos participantes quanto ao regulamento e ao espírito da coisa.
De acordo com as regras Audax, quem faltar a um controlo é desclassificado. O pessoal encarou isto como uma corrida, o que está completamente fora do espírito do Audax.
Compreendo que esta prova tenha funcionado como teste até para a organização e que no futuro sejam afinadas estas questões, senão quem fica a perder são os Audaxes de Portugal.
Dou o benefício da dúvida e disponho-me a participar no próximo desafio. Vamos a ver se a coisa melhora, ou se passamos a ter umas corridas de ciclismo em Portugal que exploram o conceito Audax para angariar participantes, mas que se estão nas tintas para os princípios que norteiam os desafios Audax originais.

Também estava previsto recebermos um certificado no final, mas parece que se esqueceram dele em Lisboa :-P

Eu, como associado da FPCUB, não paguei nada pela participação, mas até agora também não recebi nada. Até o banho tivemos que pagar (2 euros cada banho). O JP já teve que pagar 5 Euros (mais o banho) e além do seguro e de duas bananas não teve mais nenhum serviço associado, nem sequer o certificado.
Conheço maneiras bem mais agradáveis e baratas (sem custos de recolha de ciclistas no final, por exemplo) de fazer 100 ou mesmo 200 km. Podem-se substituir os custos de transporte e inscrição pelos de um almoço em Salvaterra, que é bem mais agradável. Se for preciso até se passa certificado no final. São os Audax Just4Fun.

Gostaria de ir completando os Brevets Audax, pelo menos até aos 300 km (o que já é utópico neste momento), porque o conceito original agrada-me muito, mas se continua assim acho que passo a completar apenas os brevets Just4Fun (o que me dá algumas ideias ;-) )

Já agora e só por curiosidade, o tempo limite era 6h08m e fizemos 5h14m. Concluímos portanto com alguma folga, apesar da chuva e trovoada que apanhámos em Montemor-o-Novo."

2010-03-15

24 H ZMAR - Zambujeira do Mar - 13 e 14 de Março de 2010

Relato do PL:

"Antes de continuarem a ler afastem-se um metro para trás se não quiserem levar com salpicos de lama em cima...

Já está?

Bom... Vamos lá relatar como se passou o meu fim-de-semana de incorporação nas tropas especiais.

Não se pode dizer que não estivéssemos avisados... Choveu muito durante muitos dias e nas voltinhas por Monsanto dava para perceber que o terreno não consegue absorver mais água. Seria de esperar algo semelhante lá para as bandas da Zambujeira do Mar. O que não se esperaria era que a expressão " do Mar" se referisse a um mar de lama...
A organização também preveniu uns dias antes da prova para levarmos meias impermeáveis e no briefing disse que o percurso tinha de tudo e até ciclocross. Nessa altura vieram-me à memória imagens de uns tipos com aspecto vagamente humano cheios de lama por todos os lados, a subirem taludes escorregadios com um monte de lama às costas que tinha um formato semelhante a uma bicicleta.
Nah!!! Não devia ser assim tanto. Era só para nos assustar.

Rebobinemos um pouco para a véspera da prova...

O Zmar tem condições excelentes e decidi ir na véspera com a família para aproveitar um pouco do fim-de-semana. A chegada tardia, no entanto, e algum cansaço acumulado apenas permitiu fazer um breve reconhecimento das facilidades e perceber que quem ia ter um tempo bem passado não era eu de certeza. A ida para a cama foi cedo e a noite foi descansada, pois nem se pode comparar a diferença entre dormir numa cama a sério num chalet de madeira, com uma noite num saco cama na tenda.
A alvorada foi cedinho para ir ao Secretariado e beber um café na esplanada sem andar a correr. Apesar disso, quem já fez provas de 24 h sabe que o tempo antes da prova passa num instante enquanto se fazem os preparativos e quando cheguei à partida já o briefing tinha começado. Fui ainda a tempo de ouvir o tal aviso do ciclocross, que terminou com um: “não tenham vergonha de seguir a pé...”.
Mau!!!
A mim não me precisam de avisar disto, que já vou estando habituado a empurrar a bicicleta, mas se falam assim no briefing, a coisa deve mesmo estar complicada.
Já que aqui estou, seja o que Deus quiser...

Dada a partida lá me situo estrategicamente na retaguarda do pelotão, como é hábito, para me resguardar das confusões iniciais e porque vai haver muito tempo para pedalar sem ter que ganhar dois segundos na partida (a experiência nestas provas já é muita;-) ).

Nos primeiros 500 m fazemos logo um single espectacular, que para mim era a parte mais divertida do percurso, entrando depois num estradão por cerca de um quilómetro de sobe e desce não muito acentuado até se atingir a zona em que percebemos o que queriam dizer com “desmontar”. Tratava-se de um pantanal em que a bicicleta se afundava e, quando desmontávamos, os pés enterravam-se até aos tornozelos. Isto durante para aí uns 500 m. Ao fim de 2 km já as máquinas e os homens tinham sido postos à prova duramente. Como seria nas restantes 23h45m?
Continuei a volta com apreensão relativamente ao que ainda estava reservado, mas apesar de algumas passagens complicadas, nenhuma se assemelhava a esta. Havia outras zonas pantanosas, mas de muito curta extensão, e uns caminhos que apelavam claramente para o nosso sentido de equilíbrio para conseguirmos progredir por estreitas línguas de terra apenas húmida no meio de grandes poças de água e lama. Na minha avaliação preliminar, durante o dia não haveria crise nestas passagens, mas à noite a percepção do terreno é outra e seria, para mim, das piores zonas a passar, porque com as dificuldades de visão e com a degradação das múltiplas passagens, podiam haver armadilhas escondidas.
Nestas coisas o pior é ter pensamentos parvos, como adiante se verá.
Felizmente a volta também tinha algumas extensões grandes de estradão, que davam para descansar o corpo e aliviar a concentração, beber e comer.

No fim da primeira volta, por causa da parvoíce de tentar acompanhar o restante pessoal para não ficar muito sozinho no fim do pelotão, fiz 32 minutos e estava bastante cansado. Havia que cair na realidade e reduzir o esforço. Cheguei a pensar se valia a pena o esforço, já que de “Fun” estava a haver muito pouco, mas tinham-me dito que havia 21 participantes a solo e só até ao 20º lugar é que se pontuava para o troféu. Ora eu não estava para ter vindo até aqui e ficar de mãos a abanar. Já que estava com os pés molhados ia continuar até dar, na esperança de haver alguém que desistisse antes de mim.

Foi assim que fiz as três voltas seguintes a um ritmo ligeiramente mais contido (entre 35 e 37 minutos) estabilizando a partir da 5ª volta em tempos a rondar o minuto 40. Entretanto, como já estava com os pés encharcados, não podiam ficar piores e mentalizei-me que aqueles 500m de pântano seriam para fazer em ritmo calmo e tentar recuperar um pouco do esforço de pedalar e das dores das costas que haviam de aparecer lá para o final do dia, o que me ajudou bastante no aspecto anímico.
A meio da tarde, vi que conseguiria fazer dez voltas até ter que parar para jantar e colocar as luzes e estabeleci essa meta, mesmo sem saber em que lugar estava. Só perto das 16 horas tive a primeira informação relativa à classificação e estava nessa altura em 17º. Mantive a estratégia que tinha delineado.
Para o final da tarde começou a levantar-se um vento forte e gelado que além de dificultar a progressão me fazia sentir muito frio, pois à hora da partida estava uma temperatura primaveril e arranquei de calções e manga curta.
O material começava a queixar-se e apesar de estar constantemente a ser lubrificado começava a ter chupões de corrente.

Às 18:23, no final da 10ª volta, já com o dia a escurecer e o material a queixar-se muito parei pela primeira vez. Eu fisicamente estava melhor do que o previsível e já há muito tempo que vinha a pensar como gerir o equipamento, pois tinha muita roupa, mas só dois pares de sapatos e de meias de neoprene. Iria fazer esta paragem em que teria forçosamente que me descalçar para entrar no chalet e teria que calçar material seco. Logicamente e porque a noite se adivinhava muito fria calçaria as segundas meias de neoprene e optaria por calçar os sapatos molhados, pois ao fim de um quilómetro da primeira volta nocturna já estaria a chafurdar na lama outra vez.

Fui lavar a bicicleta para a lubrificar um pouco melhor e fui jantar. De caminho fui ver as classificações e vi que dos 21 concorrentes a solo duas eram senhoras, pelo que na verdade só 19 é que estavam na minha classe, o que me garantia pontos pelo simples facto de ter terminado uma volta. Ainda assim, estava com vontade de fazer mais umas voltas, porque também não queria ficar em último e os que estavam atrás de mim tinham poucas voltas de atraso.
Foi então que tive um problema caricato e que nunca me tinha acontecido. Os fechos dos sapatos estavam com tanta lama por dentro (apesar de lhes ter dado uma mangueirada) que não funcionavam e os sapatos tiveram que ser arrancados à força. O pior é que com as meias de neoprene ficam muito justos e foi um trabalhão para os arrancar (literalmente) dos pés. Já com eles na mão tentei desapertá-los mas não consegui, pelo que estava fora de causa voltar a calçá-los.

Entretanto comi com calma, tentei lubrificar o mais que pude e montei as luzes. Fisicamente estava bem pelo que pelas 21:00 arranquei para as voltas nocturnas, todo enchouriçado por causa do frio e com o MP3 para me fazer companhia. Não estava sequer a pensar fazer a noite toda a pedalar, mas tentar fazê-lo pelo menos até por volta da uma da manhã, o que daria mais umas quatro ou cinco voltas.
A primeira volta correu bem e voltei a fazer um tempo a rondar o minuto quarenta, mas quase no final da segunda, na tal zona em que tinha que se escolher a trajectória sem o mínimo desvio, aconteceu o que se previa: escolhi mal a trajectória, tentei corrigir, a roda resvalou para um rego e eu caio para o lado para dentro de uma poça funda. Digo uma série de impropérios mas levanto-me logo para sair daquela zona rapidamente, até porque vinham concorrentes atrás.

A partir daí os chupões de corrente agravaram-se e as mudanças começaram a falhar mais, mas pensei que deveria ser pelo facto de o desviador ter ficado cheio de lama da poça. A volta seguinte foi um martírio... Sempre que precisava de pedalar em 1:1 a corrente prendia. Era impossível continuar a pedalar assim, pelo que no final da terceira volta nocturna recolhi às boxes. Nessa altura ainda considerava a possibilidade de dar mais umas voltas de manhã, mas os ecos que me chegaram sobre a qualidade das instalações do ZMAR, sem que eu pudesse usufruir delas, a preguiça que me deu e me impediu de levantar cedo, associados à pouca probabilidade de ainda subir alguns lugares, fizeram-me optar por passar uma manhã tranquila a gozar as poucas horas livres que tive no local, qual turista em férias.

Na manhã de domingo, quando estava a preparar a bicicleta para o transporte verifiquei que os chupões de corrente foram agravados pelo dropout e desviador traseiro empenados (quase de certeza resultado da queda) que causavam prisões na corrente, que os calços de travão tinham sido quase completamente consumidos, estando os traseiros quase no alumínio. Para o material a prova também não foi fácil e, apesar de ter calços para mudar, seria quase impossível pedalar com o mínimo de condições no Domingo, o que me deu algum aconchego e justificação adicional para a opção de ter parado às doze horas de prova.
Ainda passei pela meta para ver as classificações, pois como tinha terminado a noite em 14º era de prever a perda de vários lugares, mas para meu espanto estava em 15º, porque a partir do 11º só um participante é que continuou a pedalar. Apesar de tudo, até nem era mau de todo, tendo em conta que não me preparei minimamente e que nestas provas cada vez aparecem menos “pára-quedistas”, como eu.

Por falar em “pára-quedistas”, a minha incorporação nas foças especiais terminou assim ao fim de doze horas de trabalhos forçados e com tempo suficiente para beberricar um cafezinho na esplanada no Domingo de manhã e de ver a partida para o GP do Bahrein antes de me fazer à estrada para vir para casa. Só me lembro de ter chafurdado tanto em lama na recruta em Mafra, faz precisamente este mês 26 anos. Como o tempo corre depressa.

No meio disto tudo, quem gozou mais foi a família, que usufruiu em pleno das excelentes condições do ZMAR, com especial destaque para a piscina de ondas interior. No intervalo das “férias” ainda arranjaram tempo para apoiar e abastecer ciclista e máquina com os respectivos líquidos de que cada um ia necessitando em cada momento.
Fotos, só daqui a uns dias, que agora a prioridade é voltar a pôr o equipamento operacional.

Estão assim conquistados os primeiros pontos do Troféu PTOPENXCR, que era o principal objectivo.
Próxima prova: 15 e 16 de Maio em Castelo Branco.
Conto estar à partida, que esta organização merece a nossa presença, mesmo depois de nos praxar no lamaçal ;-) .
Já agora, conto ser um bocadinho menos preguiçoso e dar mais umas voltinhas"

2010-03-08

Duatlo de Grândola - 7 de Março de 2010

Relato do TA:

"Desta vez a representação dos J4F no campeonato de Triatlo PORTerra resumiu-se à minha presença, talvez porque os restantes elementos habituais não tivessem cleats instalados nas galochas.
A prova de Grândola era um duatlo mas com tanta água que atravessámos até ficou a dúvida.

Mas voltemos ao princípio: a primeira componente de corrida era feita no centro da vila, em alcatrão e num plano pouco inclinado pelo que a velocidade foi relativamente elevada nos 5700m de percurso, eu pelo menos nunca tinha corrido tão rápido… De seguida tínhamos duas voltas de BTT que perfaziam 19km num autêntico lamaçal. Não havia grandes desníveis, e ainda bem porque as dificuldades que a lama provocavam já eram suficientes. Para além da lama e das inúmeras poças nos estradões de areia que obrigavam a um serpentear constante, o ponto alto da volta foi uma parte do percurso ser constituída por um caminho em pedra (acho eu) totalmente inundado: a água teria entre um palmo e meio metro de altura numa extensão de 600/700 metros. No mínimo caricato… especialmente se pensarmos que este era já o ‘plano B’ uma vez que a ribeira que tínhamos de atravessar estava demasiado cheia…
Não me safei a duas quedas, uma para cima de um arbusto quando perdi aderência numa curta subida íngreme e outra numa descida também ela com um desnível acentuado e que terminava num enorme campo de lama… aquilo dava para um gajo se afogar pois afundei um palmo na lama! Pelas contas que fiz, consegui fazer uma média superior na corrida que no BTT.

Depois deste tratamento de beleza e com uns 5kg de barro agarrados ao corpo chegava à última componente de atletismo que foram feitos com muito sacrifício pois o joelho esquerdo começou a embirrar com o esforço.
Terminei a prova(ção) com 1h51m em 128º lugar, um lugar no meio da tabela."

2010-01-21

Trilhos de Pontével - 10 de Janeiro de 2010

Relato do TA:

"A primeira prova que escolhi para fazer parte do meu calendário foi os Trilhos de Pontével, próximo do Cartaxo. As possibilidades que se apresentavam, 30 (na realidade 35) ou 60km, faziam crer que seria uma boa prova de kick-off e por 10 EUR (+5 se fosse com almoço)…
As previsões à medida que a data se aproximava apresentavam um cenário cada vez mais negro: chuva, vento e frio. E de facto estavam lá todas desde as primeiras horas da madrugada: 5ºC e um vento gélido que acompanhava uma chuvinha que teimava em não parar.

Às 8.15m cheguei a Pontével. Em vez do Henrique, queixoso de um joelho, tinha a companhia de Marco Lúcio, ex-DH e professor de spinbike num ginásio que frequento para além de um companheiro dessas aulas, o Correia.
Chegado a Pontével andei um bocado às voltas até encontrar a secretaria. Levanto o dorsal (e uma garrafinha de tinto do Cartaxo) e vou preparar a bicicleta já sem sentir as mãos tal era o frio. Faltavam 10 minutos para as 9h, hora programada para a partida e vou dar umas voltinhas para tentar aquecer um pouco. Quando dou por mim estava num grupo de cerca de 50, 100 pessoas que aguardavam não sei bem o quê porque o tempo foi passando e quando olho para o relógio verifico que já estava parado à 20 minutos. Aparentemente o grupo de amigos do Marco Chagas (com quem estive na palheta enquanto não arrancávamos) é que mandava na coisa e só depois dele trocar o pneu traseiro por causa de um furo é que arrancámos. Eram já 9.30h. Estranhei que estivessem tão poucos atletas para a prova (no total rondavam os 300) até porque garantidamente os meus dois companheiros de pedal não estavam ali. Um dos ‘comparsas do Chagas’ explicou que ali era a partida não oficial e que depois se juntariam todos no local da partida oficial. Quando passámos pelo suposto ponto de encontro já os restantes ciclistas tinham arrancado…

A prova em si não era tecnicamente ou fisicamente complicada mas o ritmo era feito à velocidade que a lama permitia. Havia lama para todos os gostos e em quantidade suficiente: da que escorrega, da que se agarra à roda e impede que se avance, da que entra para os olhos e quase nos cega, da que nos faz perder o equilíbrio e até da que nos atira ao chão… A chuva até se portou bem e manteve-se (quase sempre) nas nuvens mas o frio e o vento constante faziam com que mãos e pés permanecessem entre o tremendamente frio e o brutalmente gelado. A prova estava relativamente bem marcada e as zonas de perigo só se tornavam de facto perigosas porque a lama que se agarrava aos pneus era tanta que se tornava complicado controlar a montada com os slicks barrentos. Tentei fazer as subidas montado mas duas eram de facto impossíveis de se fazer nas condições em que o terreno se encontrava, uma delas apenas consegui fazer a pé porque saí da pista para uma zona de erva.

Pelos 30km avistei a separação dos trajectos e optei por antecipar o banho pois os dedos e os travões já não respondiam da melhor maneira. O frio venceu a batalha (constou-me que ainda chegou aos 2ºC) e eu preferia acabar antes do previsto do que continuar naquele tormento. Após 5km a bom ritmo (quase deu para finalmente aquecer) cheguei à meta no 49º lugar com 2h12m56s (a cerca de 42m do 1º).

Enquanto tentava arrumar as coisas começo a tremer descontroladamente. Aparentemente deixar de pedalar fez o meu corpo enregelar ainda mais pelo que fui à procura do ambicionado banho quente. O tão almejado banho veio na forma de um fio de água tépida que nem dava para arrancar a lama do corpo. Mais ou menos lavado segui viagem para ir almoçar a outras paragens (desta vez cortei-me ao almoço do evento, rancho).

Pontos positivos: Marcações: prova bem marcada, pelo menos a dos 35km; o brinde, apesar de ainda não ter provado a pinga sempre é diferente da t-shirt e promove a região.

Pontos negativos: A organização: meia hora de atraso ao frio e com partida dividida entre dois locais para além da falta de informação em Pontével sobre a localização da secretaria, dos banhos, da partida… o traçado, sei que não conseguem controlar o tempo, mas não conseguiriam contornar algumas das subidas que se revelaram praticamente intransitáveis?

Dados da prova:
Distância: 35km
Tempo: 2h12m56s
Calorias: 1554 Kcal"

2009-12-14

Tróia-Sagres - 12 de Dezembro de 2009






Relato do TA:

"Pois é,

Já andava a ameaçar fazer esta prova há um ano ou dois (e não antes por puro desconhecimento da mesma) e desta foi mesmo. E com companhia de luxo: o clã Cravo quase completo, Pedro, Jorge e Henrique para além dum outro colega de pedal, o Rui Pinto que antes de ir a Sagres agarrou na bicicleta por duas vezes (e uma delas para passear na Expo!)

Encontrámo-nos com o Pedro e o Jorge um pouco depois do barco, junto a um condomínio onde eu, o Henrique e o Rui tínhamos dormido, ou melhor, eles tinham dormido. Eu fiquei a maldizer a minha sorte por não ter adormecido antes do ressonanço ter começado! À hora que o SD se levantou já eu devia estar prestes a agarrar numa almofada para acabar com aquele martírio. Devo ter adormecido pelas 5h com o despertador a tocar 1h depois. Nada como um sono retemperador antes de um esforço exigente.

Em relação à prova propriamente dita começámos às 7:45h a pedalar, primeiro devagarinho mas logo encontrámos um grupo a rolar a 35km/h que nos levou à Comporta onde eu e o Rui enchemos os pneus 1.25 (alvo de chacota juntamente com os do Henrique com 1.4 pelo Jorge e Pedro com os seus 1.0). Nesta altura o Rui já se estava a atrasar pelo que não estranhámos quando depois de fazermos mais 4/5km ele ter desaparecido do mapa.

Inicialmente tinha delineado 4 troços com paragens a cada 50km e foi mais ou menos isso que fizemos pelo que não parámos nos locais habituais da prova (Sines e Rogil).

Ainda antes da primeira paragem voltámos a rolar a velocidades bem interessantes principalmente quando fomos na cauda de um TGV que levou o velocímetro a uma velocidade entre os 45 e os 65km/h! Ao fim de um bocado comecei a ficar para trás até pq iria sofrer aquele ‘atrevimento’ no final.

Pouco depois da Aldeia de Brescos fizemos a primeira paragem: troca de garrafa Powerade (consegui consumir uma por troço), bolo rainha (que foi quase todo consumido pelo Vasco, condutor cada vez mais habitual do nosso carro de apoio, uma sandes de salsicha, uma frutinha, estica um pouco a perna e, após já estar gelado, o Rui ter chegado e também ele reabastecido, siga. O nosso pecado foram mesmo as paragens: em três paragens conseguimos consumir 1h34m.

Após a nossa paragem conseguimos incorporar-nos num grupo de estradistas que nos colocou novamente a rolar nos 32km/h que não nos levou mais longe porque à entrada de Sines um toque de rodas provocou uma queda mesmo à nossa frente. Nessa altura já o Rui ficava de novo para trás. Continuámos com uma parte desse pelotão mas que também estariam a aproveitar a velocidade do conjunto porque rolavam bem mais devagar pelo que, depois de descansar um naquela velocidade, aumentámos a cadência e seguimos. Rapidamente fomos absorvidos por outro grupo a rolar nos 30-35km/h desta vez conhecidos dos irmãos Cravo pelo que se aproveitou para usar mais alguns músculos: os da língua. Antes de chegarmos a Milfontes já tínhamos deixado também esse grupo para trás e parámos logo depois da ponte para mais meia hora de “abastecimento-estica-a-perna-e-tira-mais-uma-foto”. Távamos todos 5 estrelas à excepção de algum desconforto da zona traseira. A partir daqui é que começava a doer.

Pela frente tínhamos agora 4 subidas, dizia-nos o gráfico altimétrico. A primeira dos 119 até aos 130 (subida a S. Teotónio), depois dos 140 aos 145 (Odeceixe). Faltava ainda Aljezur e Carrapateira. Devo dizer que assusta mais do que exigem, excepto Odeceixe, o único sítio em que fui na roda-da-avózinha. São subidas compridas é certo mas também não são agressivas: sobe-se 150, 200 metros no máximo. Claro que a perna não tem descanso e vai sempre em tensão e ao fim de 120 km pode causar problemas musculares. A mim causou-me foi dores nos ligamentos junto ao joelho. Se calhar ainda não atinei com a altura do banco.

As subidas fizeram-se a um ritmo também elevado pois voltámos a encontrar um grupo rolante (não tanto como os outros mas não se pode pedir tudo). O erro deles foi dizer-nos que se puxava à vez… é que fomos para a frente e desmembrámos o pelotão todo. Mais tarde voltámos a encontrar o grupo de amigos dos Cravo que só largámos na subida de Odeceixe. Aí era cada um por si. O Pedro desapareceu lá para a frente, acompanhado pelo Jorge mas só por alguns metros. Eu ia com o Henrique a puxar à vez na subida. No final dessa subida tínhamos direito a brinde: uma mini a acompanhar o bolo que ainda sobejava e mais uma peça de fruta. Alguns elementos já acalmavam as dores com Picalm (nem vou dizer onde o aplicaram!). Combinou-se com o carro de apoio que estivesse à coca na subida seguinte, aos 168km (Aljezur), não fosse o diabo tecê-las.

Enquanto por ali estávamos (os 40 minutos de paragem deu para muito) encontrámos um elemento que seguia numa bicicleta citadina vestido a rigor: por cima do Jersey vestia camisa e gravata. Este personagem acompanhava um outro que seguia numa trike bike o que originou novo desenferrujar da língua e mais uma foto. Arrancámos com eles mas aquela velocidade não ajudava nada (22km/h) pelo que após o reaquecimento arrancámos os 4. Para a subida a Aljezur íamos já integrados num grupo que tive alguma dificuldade em acompanhar mas na descida apenas em posição aerodinâmica atingimos novamente velocidades na casa dos 60km/h (um velhote na sua Famel ia-me ultrapassar nessa descida, foi só preciso baixar o corpo para lhe ganhar vantagem e sem ter de pedalar). Claro que assim que o Pedro nos ultrapassou desatámos a pedalar que nem uns animais por ali abaixo até… à subida seguinte. Claro que nem parámos lá em cima…

A última subida foi a altura em que mais tempo pedalámos sem um grupo. Apenas um par aqui e outro ali dos quais aproveitávamos a boleia para descansar um cadinho. Lá foi sendo feita a começar a sentir o frio (porque entretanto já não conseguia usar o casaco e ia de manga curta), de novo o Pedro a descolar com o Jorge no seu encalço e eu e o Henrique mais para trás. Foi aí que achei que grandes quantidades de Dextrose e Powerade devem provocar um efeito similar ao da cocaína: não sentia absolutamente dor nenhuma no corpo e aos poucos fui buscar o Jorge e depois o Pedro (mas acho que aqui ele ia tranquilamente a passear e a fazer os seus filmes). Um pouco mais à frente reagrupámos e já o Pedro dizia para seguirmos para Lagos depois de Sagres… apesar de ir com pica no pedal não estava com grande vontade de fazer esse extra até porque já começava a ter fome de coisas mais decentes para além de barras energéticas, gel e toda a panóplia de produtos. A última parte do percurso, já depois de Vila do Bispo foi a parte que mais me custou, é uma recta um pouco inclinada que parece que nunca mais acaba… Parámos finalmente em frente à casa azul onde serviam sopa, bifana e 4sagres (ou águas) por 5 EUR. Desapareceu tudo num instante (mas só depois de esticar as pernas durante meia hora porque os músculos pareciam que iam explodir). A nossa chegada deu-se às 16:50h, 9h05m de tempo total. Passado um pouco o PL chegou para fazer as honras no painel aí exposto e após quase uma hora da nossa chegada o Rui terminou o percurso. Devo dizer que foi com quem mais espantado fiquei! Parece que afinal é só querer (e crer).

Dados:
Hora de partida: 7:45h
Hora de Chegada: 16:50h
Tempo a rolar: 7:26:28
Tempo parado: (com a vergonha nem faço as contas!)
Distância:200.43km
Média: 26,93km/h
Velocidade Max: 65,72km/h
Calorias: cerca de 4800cal: para limpar a dextrose (uns 12 comprimidos), powerade (4 x 500ml), o bolo rainha e a jola entre outras coisas mais saudáveis.

TA"


Relato do SD:

"Tróia-Sagres na visão… da minha pessoa

Eram 4:30 quando o despertador tocou. Acordar cedo, bem cedo para pedalar, depois de uma noite rápida e pouco sossegada. A ansiedade tem destas coisas mesmo quando se trata da nossa 4ª Travessia, mas esta ía ser um pouco diferente. Sair a pedalar de casa tem outro sabor, mesmo utilizando o comboio para alcançar Setúbal.

Como previsto, a primeira pedalada do dia foi às 5:30 da manhã. Estavam 11ºC de temperatura. Bem agasalhado, iniciei a primeira etapa do dia. Tinha encontro marcado à porta da casa do Paulo Leitão. Foram 9.5Km, cumpridos em 27min e quase sem avistar ninguém. Pontual, o Paulo Leitão aguardava já a minha chegada e às 5:57 dirigimo-nos para a estação de comboios de Campolide, onde chegámos às 6:35, 9.15Km depois.

Enquanto aguardávamos pelo comboio, recebi um SMS do João Bronze dizendo que viajava já na primeira carruagem. Conforme previsto, o comboio chegou às 6:50 a Campolide e deixou-nos em Setúbal às 7:40. Com 8ºC de temperatura, percorremos os 1,71Km que nos separavam do cais marítimo. Sem fila, comprámos o bilhete “velocípede sem motor” para a travessia do Sado. Bilhete esse que nos custou a cada um 4,50€. Caríssimo na minha opinião! Entrámos de imediato no barco, escolhendo um recanto para encostar as bicicletas e pouco depois o barco partia. Junto a nós estavam 2 heróis que saíram a pedalar às 4:30 de Loures e contavam já com 60Km nas pernas. O dia amanhecera e a temperatura algo baixa fazia-se sentir. Desejava chegar rapidamente a terra para aquecer em cima da bicicleta, coisa que aconteceu 38min depois. Pelas 8:20, dávamos assim início ao nosso Tróia-Sagres, edição 2009. Para a minha conta pessoal, tinha já percorrido 20.5Km.

Partimos mais tarde do que o habitual mas ainda assim não fomos os últimos a fazê-lo. Tal como as previsões faziam crer, estava um óptimo dia para a prática da modalidade. O pouco vento que se fazia sentir deixava de ter significado quando pensava na tempestuosa edição do ano anterior. Em ritmo moderado, pedalámos rumo a Sul, alcançando o primeiro pelotão. Com um ritmo semelhante ao nosso, seguímos na sua roda, poupando assim energias.

O carro de apoio estava previsto aparecer a partir das 10 horas. Mais uma vez, o amigo Francisco Gomes disponibilizou-se para nos acompanhar e que jeito dá poder contar com amigos assim. Além de todo o apoio, transportava uma carga preciosa, algo pelo qual ansiávamos àquela hora da manhã – café. Ao longo destes anos, a Aldeia de Brescos tem sido a nossa primeira paragem e foi em plena recta, a escassos metros da Aldeia, que o carro de apoio nos ultrapassa. Nem combinado teria sido tão certinho. Até esta paragem, pouco há para contar, apenas o facto de ter perdido contacto com os outros dois elementos quando me entusiasmei e me deixei levar num grupo com um ritmo mais vivo. Café quentinho com uma fatia de bolo e estava pronto para outra estirada. São momentos como estes que marcam este dia…

Primeira paragem: Aldeia de Brescos, 48.6Km após Tróia. Duração: 12min

Depois desta primeira paragem, seguimos sozinhos até Sines. A espaços, éramos ultrapassados e ultrapassávamos também alguns elementos individuais. Às 10:54, parei por 4min para trocar as pilhas ao GPS, logo após a rotunda de Sines. O Paulo Leitão e o João Bronze seguiram. Não muito tempo depois de ter arrancado, avisto o Paulo Leitão parado junto ao carro de apoio. Páro para perceber se há algum problema e arranco de imediato ao ver que se estava apenas a abastecer. Sigo no encalço do João Bronze e tentei recuperar terreno para o alcançar. Apanhei grupos pelo caminho que fui ultrapassando, um deles numeroso – o grupo de Fernão-Ferro com o seu equipamento azul e laranja. Acabo por me colar a elementos mais rápidos que montavam bicicletas de estrada e segui nas suas rodas. Instantes depois, nas Brunheiras, onde se vira numa rotunda à direita em direcção a Vila Nova de Mil Fontes, oiço chamar insistentemente pelo meu nome. Quem seria? Claro… o amigo João Bronze andava na feira metido na tasquinha dos bolos e vinha de lá de boca ainda cheia. Seguimos de imediato e pouco depois da ponte sobre o rio Mira, em plena subida após Vila Nova de Milfontes, tive o primeiro sintoma de cãibra na perna direita. Já há muito tempo que não andava com este tipo de espasmos musculares e este ameaçava apanhar-me toda a parte interior da coxa direita. Abrandei o ritmo na subida, esforcei mais a perna esquerda e parei no cimo aproveitando também para trocar o bidom e comer um pouco de magnésio sob a forma de banana. Arranquei ainda antes do João Bronze que terminava uma tangerina.

Segunda paragem: Após a rotunda de Sines para trocar as pilhas ao GPS. Duração: 4min

Terceira paragem: A seguir a Vila Nova de Milfontes. Duração 5min

A curta paragem fez-me bem pois voltei a pedalar sem condicionalismos. Pela frente, tinha agora um conjunto de rectas que percorri a espaços com companhia. Comecei a sentir alguma fome e pensei na paragem do ano passado, na Fataca. Após virar para o Cabo Sardão, às 12:56, encontro o fotógrafo de serviço, pronto a fazer novo disparo à minha passagem. Peço-lhe para que pare à frente. Fui o primeiro a chegar à povoação da Fataça, com um café à beira da estrada e já famoso pelas chamadas realizadas por telemóvel dentro de uma cabine telefónica debaixo de um temporal. Era altura de comer qualquer coisa mas mais do que comer, eu queria era refrescar-me com uma Coca-Cola fresquinha que trazia na geleira. Pedalara a pensar nela. Estive parado na Fataca das 13:05 até às 13:20. Antes de arrancar, eu e o Francisco tentámos perceber onde se teria metido o João e concluímos que ele deveria ter passado enquanto eu me distraía com a bicicleta e aguardava a chegada do carro de apoio.

Quarta paragem: Fataça. Duração: 15min

Às 13:40, já perto da Povoação Estibeira, liga-me o João Bronze e diz-me que está perdido. Tinha-se enganado com mais uns quantos companheiros e seguido assim em direcção a Odemira, em vez de ter virado para o Cabo Sardão. Telefonei ao Francisco que consultou o mapa e confirmámos o que o João dizia, ou seja, que a estrada onde seguia ía entroncar mais à frente na nossa.

Quinta paragem: Junto da Povoação Estibeira para orientar o João Bronze, por telefone. Duração: 8min

13 Minutos volvidos e poucas pedaladas depois, encontro o Paulo Leitão descontraidamente sentado a dar ao dente. Páro por breves instantes para dizer olá e perguntar se está tudo bem, ao mesmo tempo que lhe transmito o sucedido com a terceira carinha sorridente. Sigo viagem e viro para S.Teotónio.

Tento recuperar algum atraso fruto destas paragens imprevistas. No cimo de uma subida, avisto o João Bronze na “curva da carroça”, a dar à língua com o Francisco. Esperava por mim e arrancou à minha passagem. Rolámos juntos uns bons quilómetros. Nas descidas, enquanto eu aproveitava para descansar um pouco as pernas, o João ‘dáva-lhe’ e fugia-me. Pouco depois, entrávamos em Aljezur e ao recordar o traçado da estrada, recordo também as subidas à saída daquela vila, aquelas que ficam esquecidas e que ninguém comenta quando fala desta travessia. No cimo destas subidas há um café e comentei com o João como seria bom o Francisco estar lá à nossa espera pois eu precisava de água. Continuámos a rolar juntos mas nas subidas o meu andamento mais vivo afastava-nos um pouco. O certo é que passámos o café e nada de carro de apoio. Não me preocupei pois o Francisco deveria estar perto, o que se veio a verificar momentos depois. Nova paragem para troca de bidom e… não resisti à segunda e última lata de Coca-Cola que tinha levado. Parámos às 15:25 e arrancámos 10min depois.

Sexta paragem: Após viragem na primeira placa que assinala a direcção para a vila de Sagres. Duração: 10min

Continuámos a rolar juntos até que o João se afastou um pouco. Nesse momento, fui alcançado por um jovem que me perguntou quantos quilómetros faltavam para Sagres. Seguiu comigo e fomos a conversar sobre Triatlo pois tal como eu, também ele participa em provas desta federação. Alcançámos o João Bronze instantes antes da última subida do dia, a subida da Carrapateira. Seguimos a pedalar os três mas por pouco tempo pois a conversa estava animada e a bom ritmo a Carrapateira rapidamente ficou para trás. A meio da subida, lembrei-me do João e olhando para trás já não o vi. Preferi continuar naquele ritmo e aguardar por ele lá no cimo. Enquanto trocava as pilhas à câmara de filmar, o João inserido num grupo, passou por mim. Acabei a operação e fui no seu encalço mas já só o voltei a encontrar quando faltavam meia dúzia de quilómetros para Sagres.

Sétima paragem: Serra da Carrapateira para trocar as pilhas da câmara. Duração: 5min

Entrei em Sagres com o João e ainda de dia. Cerca das 17:15, chegávamos por fim à nossa meta simbólica dos últimos anos nesta paragem, o posto de Turismo. Ainda antes de mudar de roupa, arrumei a bicicleta no carro. Este ano não fiz strip nas traseiras do Turismo, até porque este ano ainda havia gente a trabalhar lá dentro. Após mudar de roupa atrás de uns arbustos, quando chego ao carro sou presenteado com mais uma Coca-Cola fresquinha – recuerdo de João Bronze. Já lá íam 99Cl deste gás negro. Pouco depois, passa o amigo Paulo Leitão que nem parou junto de nós. Mais tarde, vim a saber que este ano a organização tinha preparado uma chegada especial, comemorativa da 20ª Travessia, havendo um quadro de honra onde os heróis do dia podiam inscrever o seu nome. Já à paisana e com a bicicleta arrumada, nem eu nem o João Bronze arredámos pé. Afinal, a meta desta prova para os Just4Fun tem sido ao longo dos anos, o posto de Turismo…

Sagres está mais perto. O novo cais de Tróia (desde 2008), dista 4,43Km relativamente ao antigo, o que faz com que a distância a cumprir até Sagres não ultrapasse actualmente os 200Km. De qualquer das formas, atingi alguns marcos importantes a nível pessoal, durante esta travessia. Os 10 000Km da Specialized foram alcançados pouco antes de Aljezur e a maior distância percorrida num só dia situa-se agora nos 216,10Km.

Obrigado malta! Até 2010…

Os números da minha 4ª Travessia… e meia

Trip Distance: 216,10Km
Trip Time: 8:56:03
Avgerage Speed: 24,18
Max. Speed: 59,81
Total Odom.: 10.061Km
Tempo Total de Paragens, após Tróia: 59min
Tempo total a pedalar, após Tróia: 7:55
Travessia do Sado: 4,50€
Comboio Fertagus Campolide-Setúbal: 4,05€
Hora de saída de casa: 5:30
Hora de encontro com Paulo Leitão: 5:57
Hora de chegada à estação de comboios em Campolide: 6:35
Hora de chegada à estação de comboios em Setúbal: 7:43
Hora de chegada ao Ferry, Setúbal: 7:52
Hora de chegada ao Ferry, Tróia: 8:20

Travessias já realizadas
2004 - Ok
2005 - Ok
2006 - Desistência em Sines
2007 – Operação ao ombro
2008 - Ok
2009 - Ok"


Relato do JB:

"Até foi um bom treino para o Tróia - Sagres :)))))))

A preparação este ano tinha ficado longe do ideal, mas lá me fiz ao caminho com os dois magníficos PL e SD.

A etapa do Tróia - Sagres 2009 começou bem cedo. 6h42 lá arrancava o comboio da estação de Roma-Areeiro em direcção a Setúbal, com paragem em Campolide para entrar o PL, o SD e as suas respectivas meninas.

Chegados a Setúbal sentimos logo um frio que nos fez pedalar o mais rapidamente possível até ao barco que nos levava até Tróia. Mal o barco atracou no cais, lá saímos nós a pedalar em direcção a Sagres...

Nos primeiros kms da etapa encontrámos um grupo que ia a pedalar bem e aproveitámos o ritmo deles. Fiquei sempre na parte final do "pelotão" e tentei acompanhar o ritmo, mas mal aparecia uma pequena subida notava-se a falta de treino.

Grupo aqui, grupo ali, lá nos mantivemos todos até à primeira paragem onde o amigo Francisco estava à nossa espera. Uns minutos para comer e beber qualquer coisa e siga para Sagres.

Depois desta pequena paragem, e como o percurso era a rolar, segui a roda do SD. Notei que à medida que os kms iam passando o corpo parecia estar a reagir bem, mas as subidas davam luta...
Entretanto o PL tinha ficado mais para trás, o SD fez uma paragem e eu lá continuei até encontrar um grupo de 3 ciclistas da Margem Sul (Pinhal Novo e Moita) que iam ao meu ritmo e assim sendo fui com eles a pedalar e a conversar. Separei-me desse grupo quando vi uma feira... Eles continuaram mas eu parei... Não bebi nada, juro!!!! Aproveitei para comprar 3 bolos de noz, que estavam deliciosos e eis que passa o SD e lá começo eu a gritar pelo seu nome. A partir daí seguimos juntos e depois de Vila Nova de Milfontes, o amigo Francisco estava à nossa espera para mais uma paragem...

Nesta paragem o SD arrancou primeiro e passado um ou outro minuto saio eu. Nunca mais vi o SD até 28 kms de Aljezur, isto porque me enganei no caminho. Em vez de virar para o cabo Sardão segui em frente com mais 2 ciclistas. Começámos a achar estranho não vermos ninguém, mas pensámos que poderia ser normal, ou talvez não... Eles tinham um carro de apoio no final da subida (aquilo além de uma boa descida, tinha uma subida) e foi aí que reparámos que estávamos enganados, mas como aquela estrada nos levava a Aljezur eu segui por ela enquanto eles ficaram a comer. Aí andei uns bons kms a pedalar sozinho até que decidi telefonar ao SD a perguntar onde é que ele andava, pois eu estava "meio" perdido do resto do pelotão. Passados alguns kms lá encontrei os ciclistas que vinham pela estrada do lado do cabo Sardão e mais à frente encontrei o nosso amigo Francisco, onde aproveitei para esperar pelo SD.

A partir daqui seguimos juntos, excepto nas subidas de Odeceixe e da Carrapateira onde o SD descolava. Nas subidas tentava impor o meu ritmo e ia fazendo alguns amigos...

Depois da subida da Carrapateira, já cheirava a mar, a Sagres e a cabeça/corpo só pensava numa cerveja fresquinha... Como era sempre a rolar passei pelo SD estava ele parado na berma a fazer qualquer coisa, mas como eu ia tão concentrado nem esperei por ele, pois Vila do Bispo era já ali...

Depois de Vila do Bispo e na recta que nos leva até Sagres ia olhando para trás a ver se via o SD e eis que começo a ver umas mangas que não me eram estranhas e então esperei pelo SD e lá chegámos a Sagres com um sorriso de orelha a orelha.

Estávamos nós já à civil quando chega o PL. Eu bem acenei com uma mini, mas o PL fez mais uns metros para ir assinar a "papelada" do Tróia Sagres. Estava a ver que eu e o FG tínhamos de dividir aquela mini, pois o Xôr Presidente nunca mais aparecia.

Obrigado ao SD e ao PL pela companhia e uma palavra especial ao FG que mais uma vez nos acompanhou nesta etapa.

TA, apesar de não nos termos cruzado durante o percurso, sei que acabaste a etapa e por isso os meus parabéns. Para o ano tens de cortar a meta ao pé do posto de Turismo e beber uma mini connosco (o SD bebe uma Coca-Cola).

Mais uma etapa para o CV e para o ano lá estarei novamente mas desta vez com mais treino...
JB"


Rescaldo do PL:

"Lá chegámos os quatro (SD, JB, TA e PL) a Sagres, sendo que para mim os bocados mais fáceis foram entre a estação de Campolide e a estação de Setúbal e entre o cais de Setúbal e o cais de Tróia. Pelo meio também houve outros troços fáceis, como a deslocação da estação de Setúbal para o cais e todas as descidas ;-). Houve, no entanto, alguns troços que me custaram muito e nos locais onde já é costume (principalmente entre Sines e Aljezur).

O dia esteve quase perfeito, com uma temperatura amena, sem a mínima ameaça de chuva e mesmo com algum Sol para nos alegrar a viagem. Apenas o vento de SE nos atrapalhava a progressão, principalmente para quem seguia só, como me aconteceu a partir de Sines.

Fica para a posteridade mais uma chegada a Sagres (a quinta consecutiva), sendo esta emblemática porque se cumpria a vigésima edição da clássica.

Fica o registo de 9:18 desde Tróia a Sagres, com 43 minutos de paragens, o que dá um tempo “oficial” de 8:35, um dos piores que fiz nas minhas cinco participações. O SD e o JB já lá estavam há uns minutos quando cheguei a Sagres ainda com as últimas réstias de luz do dia, mas já sem o Sol no horizonte, para o que muito contribuiu o elevado tempo no percurso, mas essencialmente a partida de Tróia às 8:22, que foi condicionada pela saída do primeiro comboio de Lisboa às 6:42, o que apenas nos permitiu apanhar o ferry das 8:00. Este ia com menos de metade da lotação, manifestamente pouco para o que seria expectável, mas parece que este ano o pessoal decidiu sair todo muito cedo. Aos 200 km que registei no percurso principal há que somar cerca de 11km da deslocação desde casa até à estação de Campolide e entre a estação e o cais de Setúbal.

Fica também para a posteridade a assinatura no painel que estava junto à chegada, onde fiz questão de inscrever, além do meu, o nome Just4Fun. Foi uma ideia simpática ter uma chegada bem identificada e com animação, música, comes e bebes e o já referido painel para assinaturas. Foi também a oportunidade de acenar ao António Malvar e cumprimentar o clã Cravo e o TA, que foi com eles, e apenas encontrei no final.

Fica também uma lição: não devemos menosprezar o Tróia-Sagres. Depois do massacre do ano passado, achava que este ano eram favas contadas e não encarei o desafio com o realismo devido. Os 5000 km de pedalada num ano, que atingi pela primeira vez em 2009, e que foram comemorados com um simples sorriso um pouco antes de S.Teotónio, também poderão ter contribuído para um sobreavaliar da minha forma, o que talvez tenha influenciado o elevado ritmo inicial. Vim a pagar mais tarde este excesso, com ameaças de cãibras entre Vila Nova de Milfontes e Sagres, sempre que tentava forçar um pouco mais. Lição aprendida.

Além dos ciclistas, o FG voltou a fazer o percurso no carro de apoio e reportagem e eu sei que isso não é uma tarefa nada fácil, embora imprescindível e que agradeço.
PL"

2009-11-26

PR15 - Desafio Lousã - 21 de Novembro de 2009





Relato do PL

«Por onde começar um dia épico de BTT na Lousã?

As memórias estão todas ainda bem presentes e todas querem saltar para a ribalta e ter protagonismo. O melhor é tentar organizar as ideias antes de começar a escrever.
Isto é capaz de ficar longo...

O desafio estava traçado há mais de uma semana: oito artistas iam fazer o PR15, percurso de BTT que se inicia em Ferraria de S. João sobe a Serra da Lousã em direcção a Gondramaz e depois de umas voltas lá no topo inflecte para Sul em direcção a Figueiró dos Vinhos, para depois de umas voltas lá por baixo seguir para S. Simão, terminando novamente em Ferraria de S. João.

Just4Funners eram 3 (SD, JP e PL) que se juntaram ao Pedro Cravo (PC), Leonel Rodrigues (LR), Sónia Martins (SM), David Portelada (DP) e Pedro Roque (APRO) para desafiarem a Serra no dia 21 de Novembro de 2009.

A dormida foi já na Lousã de Sexta para Sábado na Pousada da Juventude e, como estava prometido, a noite foi tudo menos o que se aconselha na véspera de um percurso destes. Ao vinho do PC juntou-se pão saloio, chouriço assado, queijo e muita conversa, pelo que só bem depois da uma da manhã é que recolhemos aos beliches. A primeira foto atesta a combinação estranha que estava em cima da mesa.A alvorada foi cedo, porque a partida estava marcada para as 8:00, já com o pequeno-almoço tomado e logo aí começou a aventura de escolher a indumentária adequada ao que tínhamos pela frente. Estava prometida chuva e vento, mas a verdade é que não chovia e não estava muito frio, pelo que optei por um traje mais light, embora enfiasse um impermeável no bolo da camisola (just in case). Com preparativos e reforço alimentar, que o da Pousada foi fraquito, só às 8:36 é que começámos a pedalar.

Como se o desafio do PR15 não tivesse já dificuldade suficiente, decidimos partir de bicicleta directamente da Lousã, apanhando o percurso a meio, lá no alto da serra. Acrescentámos assim quase 800 m de ascendente aos já respeitáveis mais 2000 m que o percurso prometia. Apesar de tudo esta subida, que decorreu entre o km 2 e o km 13 e durou perto de 1:30, fez-se bem, com um ritmo contido porque ainda havia muito que pedalar pela frente. Apesar do vento não houve chuva até lá acima, onde se fez uma pausa e toda a gente se protegeu porque se anteviam algumas descidas. Até ao km 22, onde se atingiu a cota mais alta andámos num sobe e desce em torno dos 900 metros de altitude, iniciando por volta das 11:11 a fase maioritariamente a descer que nos levaria até ao extremo Sul do percurso. Por volta das 12:10, ao km 36, chegamos ao túnel que atravessa o IC8 e aproveitamos para reagrupar, comer, tratar de pequenos detalhes do material e avaliar o que fazer. O túnel era o abrigo perfeito para a chuva incessante que começava a fazer mossa. Quatro de nós decidem seguir uma parte do percurso por asfalto até Ana de Aviz, onde nos voltaríamos a encontrar. Os restantes quatro (SD, JP, PL e APRO) permaneceram fiéis ao trilho.
Quando encontrámos a outra metade do grupo estavam parados num café com lareira e desafiaram-nos para entrarmos. A proposta era tentadora, mas eles disseram que seguiriam para a Lousã por asfalto, e nós queríamos continuar no trilho. Resistimos à tentação de entrar e decidimos continuar para almoçar um pouco mais à frente.

Por esta altura a minha corrente começou a ser “chupada” pela pedaleira pequena sempre que necessitava dela. As subidas começaram a ser massacrantes porque a cada duas pedaladas para a frente tinha que dar uma para trás. Muitas vezes tive que desmontar por causa disso, o que além de reduzir drasticamente o ritmo do grupo me começava a chatear seriamente. Lubrifiquei diversas vezes e a coisa melhorava durante algum tempo, mas rapidamente voltava à mesma.

Foi com alívio que chegámos a Ribeira de Alge e entrámos no primeiro estabelecimento de restauração que encontrámos, que até tinha um telheiro onde podíamos abrigar-nos da chuva. O lugar era espectacular pois esta varanda estava mesmo sobre a ribeira e junto à ponte que tínhamos acabado de atravessar. Preparávamo-nos para ficar pelo alpendre, mas assim que nos viram disseram-nos logo para entrar e para nos chegarmos à lareira. A vontade era muita, mas não queríamos sujar tudo à nossa passagem. Puseram-nos logo à vontade e que não tivéssemos problemas em sujar. Aproveitámos a oferta e logo ali tentámos secar um pouco as luvas e mais algumas peças de roupa para nos sentirmos melhor quando fôssemos reiniciar a pedalada.Demorámos uma hora no local, a degustar um creme de cenouras quentinho, e umas bifanas grelhadas que estavam espectaculares. Para as bebidas as opções foram diversas, desde a imperial à cola, até ao chá verde, que o tempo estava bom era para beber coisas quentinhas. Obviamente quem optou pela bebida mais quente (como foi o meu caso) não evitou umas piadolas à “Contemporâneos”, mas ainda assim a opção foi acertada. Fiquei com vontade de lá voltar noutras condições menos agrestes, para poder usufruir da localização, da simpatia e das especialidades (peixe do rio e carne). Para que conste, aqui fica o contacto: http://www.restauranteribeiradealge.com
Se passarem por lá digam-lhes que chegámos bem à Lousã :-).Não consigo descrever o que custou sair da frente da lareira para a chuva que não abrandava, mas o que tinha que ser tinha muita força e lá vamos nós na direcção de S. Simão.

Os quilómetros seguintes foram feitos ao longo da Ribeira de Alge que atravessámos numa ponte meio destruída, inclinada e com a madeira encharcada que escorregava mais que manteiga em frigideira quente. Com muito cuidado e algumas escorregadelas menos controladas lá chegamos à outra margem, onde nos esperava uma subida pelo meio de rochas e calhaus em que tivemos que levar as meninas ao colo ;-).

Continuou-se a subir e bem até S. Simão, onde se fez uma paragem minúscula, mas que deu para nos apercebermos da beleza da povoação. Mais uma marcada para regressar com mais calma. Seria desnecessário, mas ainda assim refiro que continuamos essencialmente a subir até Ferraria de S. João, onde chegámos às 16:43 e com 65 km. A média estava miserável: 65 km em mais de oito horas, com 15 km nas últimas duas. Mesmo considerando uma hora para almoço e mais de vinte minutos no túnel, é uma média ridícula, mas eu não tinha condições para fazer melhor.

Era a altura da grande decisão: regressar à Lousã por asfalto ou voltar a enfrentar a Serra?

Consultou-se o mapa do centro, que não deu grande ajuda. Consultaram-se as memórias difusas de uns e outros e a cartografia do GPS. Conclui-se que a distância seria equivalente nas duas opções, mas o caminho mais curto em asfalto seria por um IC, onde, em princípio não poderíamos andar, o que tenderia a aumentar a incerteza e distância por asfalto. Por outro lado, pela serra sabíamos o que nos esperava (pensávamos nós) e não havia o risco de pedalar à noite em condições de visibilidade reduzida numa estrada com carros a grande velocidade. Optou-se pela Serra.

Com os preparativos nem deu para apreciar devidamente as instalações do centro, mas o alpendre e a casa de banho deram um jeitão. Há que regressar com a devida calma.

Após cerca de trinta minutos nesta paragem fizemo-nos à subida que nos voltaria a levar à cota 900, agora com as luzes ligadas, que a noite já caía.

Da subida não há muito que contar a não ser que esperava que fosse mais complicada, o grupo dividiu-se a meio e agrupamos em S. João do Deserto, seguindo com alento renovado pela cumeada até que o SD repara que tem um furo. Não há alturas boas para furar, mas aquela, de noite, molhados e com frio, era das piores. Felizmente o SD lembrou-se que tinha uma lata de spray anti-furo que aplicou e funcionou. Foi um alívio para todos, mas especialmente para ele.

Entretanto tinha parado de chover, mas no topo da serra o vento fazia-se sentir com mais intensidade. A atmosfera agora limpa permitia-nos algumas vistas de que não tínhamos usufruído durante o dia. Não sei se foi da distracção com as vistas ou da pouca concentração provocada pelo frio e cansaço, mas falhámos um desvio do percurso, seguindo num estradão ao lado. Quando o estradão virou à esquerda e o trilho não, interpretámos que seria para seguir em frente. Havia uma espécie de caminho mas em péssimo estado, pelo que decidimos tentar subir no estradão mais um bocado para ver se apanhávamos o trilho mais à frente. Entretanto as diferenças de andamento a subir eram notórias. Apercebi-me que nos estávamos a afastar muito do trilho e a subir para uma cota muito acima da que era esperada, mas não tinha como avisar os da frente que não tinham GPS. Fui subindo devagar até que quase no topo acabámos por reagrupar. Foi um momento delicado. Soube depois que o grupo tinha ficado completamente esfrangalhado e mesmo sem contacto visual entre os elementos, alguns dos quais (os da frente) sem GPS. Não havia muitas hipóteses de sair do estradão, mas mesmo assim não é agradável ficar sozinho na serra naquelas condições.

Reagrupados e com a informação que o estradão continuava em bom piso depois de atingir o topo (o SD já lá tinha ido e voltado), decidimos continuar e verificar se de facto conseguíamos encontrar o trilho, o que acabou por acontecer. Nessa altura voltámos a discutir as opções e a mais lógica seria tentar encontrar o caminho mais rápido para a Lousã. O estradão onde estávamos era de serviço às eólicas, pelo que devia ter ligação a uma estrada algures. O bom piso também ajudou na opção e andámos cerca de um quilómetro nele, sempre controlando a direcção em que nos levava. Pareceu, no entanto, que se afastava do nosso objectivo e arriscávamos a ir parar a um vale na vertente contrária da serra, pelo que voltámos a discutir as opções e decidimos voltar atrás e seguir o trilho até Gondramaz. Aí podíamos pedir indicações para a Lousã, porque havia estrada de certeza.
Deste estradão ao longo das eólicas ficam sensações que não consigo descrever, conjugando o som das pás a assobiar na atmosfera com as luzes a piscar ora claramente visíveis ora escondidas no meio das nuvens num ambiente com algo misterioso.

O caminho até Gondramaz, sempre a descer, não teve história, fizemo-lo com cuidado para não termos surpresas, dado que o piso era irregular. À chegada à aldeia encontrámos duas pessoas que não nos sabiam dar indicações, porque não eram de lá, mas nos forneceram uma indicação preciosa: tinha acabado de vir de Miranda do Corvo.
Isso queria dizer que havia estrada :-) .
Entrámos na aldeia e encontrámos uma senhora muito simpática a quem perguntámos o caminho para a Lousã. Para nosso espanto indicou-nos o trilho do PR15, ora esse sabíamos nós que não queríamos seguir. Pedimos um mapa e disse-nos que tinha um no café. Bingo! Mapa num café queria dizer que podíamos ingerir algo quente enquanto o consultávamos. Seguimo-la e verificámos que o mapa não estava “no”, mas “junto” ao café, num painel de informações para os caminhantes. Era de utilidade nula, uma vez que apenas referia os percursos pedestres da zona. Entrámos no café (que também era restaurante) e pedimos galões e chocolate quente. Não resistimos à proposta de ingerir umas sobremesas, tendo as opções sido mousse de chocolate e tigelada. Eu comi a tigelada que estava óptima, mas quem comeu a mousse diz que também estava muito boa. Aproveitámos a pausa para organizar as ideias e voltar a vasculhar a cartografia do GPS. Encontramos a referência de três aldeias próximas sabendo que na última passava a EM555 que nos levaria à Lousã. Reformulámos a questão e perguntámos pela estrada que nos levaria a estas aldeias e a resposta já nos agradou, confirmando que era por onde nós pensávamos ser.Terminado o repasto já com alguns clientes no restaurante prontos a jantar era tempo de nos fazermos à estrada. Um obrigado e adeus à senhora e aos clientes (dois dos quais eram as primeiras pessoas que encontrámos na aldeia) que nos desejaram boa viagem e devem ter ficado a pensar que éramos malucos.
Isto mesmo pôde confirmar o APRO que lá regressou para almoçar no dia seguinte. A senhora não o reconheceu, então “à civil”, mas não deixou de comentar para quem o acompanhava que ele era maluco :-) .

Como referência, porque gostamos de publicitar os locais onde somos bem tratados, ficam os contactos do local: Pátio do Xisto – Turismo em Espaço Rural, Lda – http://www.patiodoxisto.pt
Mais um local a revisitar com mais tempo.

Os quilómetros até Espinho, onde encontraríamos a EM555, eram a descer e por estranho que pareça foram muito difíceis. Sem tempo para reaquecer os músculos, o vento fazia-nos tremer de frio por todos os lados, pelo que foi um alívio quando voltámos a subir já perto da EM555, que nos conduziu a bom porto, que é como quem diz à Lousã, onde tomámos um banho quente na Pousada, previamente tratado pelos outros quatro elementos, que entretanto já tinham jantado e partido da Lousã, não sem antes nos ligarem apara saberem como estávamos e nos darem as indicações necessárias para referirmos na Pousada.

Eram 21:13 quando largámos definitivamente as bicicletas, com 97 quilómetros e 2700m de ascendente. A média geral foi ridiculamente baixa, mas não deu para mais.

O APRO seguiu directamente para Coimbra, mas nós os três ainda fomos jantar antes de iniciar a viagem para Lisboa, assim terminando “um dia épico de BTT” como foi várias vezes apelidado.

Faltou o bocadinho depois de Gondramaz, mas havemos de lá voltar com condições mais propícias para fazer o percurso todo. Obrigado a todos pela excelente companhia nesta aventura e em especial ao PC pelo trabalho da organização.

PL»