Relato do PL
"Missão cumprida.
Chegámos (o JP e eu) a Évora antes do fecho do controlo.
Apesar de ter levado com o Homem da Marreta algures por volta de Vendas Novas, sobrevivi até ao final à custa dos rendimentos acumulados.
Com rendimentos acumulados quero dizer média de pedalada, que um pouco antes de Pegões, por altura da paragem para abastecimento aos 60 km de percurso, ia ligeiramente acima dos 30 km/h.
O início foi de loucos, comigo a tentar acompanhar o pelotão da roda fina que partiu como se não houvesse amanhã. Além de nós, só vimos outros dois participantes com máquinas de BTT, o que não era um bom sinal.
Rapidamente percebi que não podia embarcar nesta loucura e deixei-me ficar para trás a um ritmo mais realista. O JP estava bem mais à vontade que eu, mas deixou-se ficar comigo.
Nos arredores de Alhandra passa por nós o grupo da Carris e nós apanhamos o autocarro ;-)
Seguimos ao ritmo deles até ao abastecimento e havia alturas em que rolávamos na casa dos 40 km/h, de que resultou a média que referi atrás.
No abastecimento o grupo esfrangalhou-se. Nós os dois parámos pouco tempo e arrancámos, mas mais à frente eles voltam a passar por nós. Ainda tentámos ir na roda, mas alguns quilómetros depois o JP faz-me um sinal a dizer que não dava. Foi a boa notícia do dia. Se não dava para ele imaginem como eu ia. Fiz reset do cruise control e voltei a rolar a médias mais apropriadas à minha condição física actual que é... como dizer?... basicamente... nenhuma :-P
Lá me arrastei até Évora, com o JP sempre a esperar por mim nas subidas, e chegámos quase uma hora antes do fecho do controlo, o que ainda assim foi muito bom.
Quanto à organização, fiquei um pouco desapontado.
Os desafios Audax não são provas de velocidade e têm uma filosofia completamente diferente. Não há classificações e o controlo de chegada serve apenas para verificar que se consegue concluir o percurso no tempo limite definido. Era esta a minha expectativa, que construí pela consulta de muita informação sobre os Audaxes de outros países que está disponível na net. O próprio regulamento desta prova é claro nesse aspecto e a informação disponível no site da FPCUB também remetia para o princípio que rege os desafios Audax por esse mundo fora.
Não vi nada disso ontem. Deram-nos um papel que tinha um espaço para formalizar o controlo no abastecimento (o que de alguma confirmava o que era esperado), mas parece que a maior parte nem parou.
Quando parámos ainda perguntei se não havia carimbo, mas parecia que estava a falar chinês. Dizia o controlador que tinha chegado pouco antes dos primeiros, porque teve dificuldades para ultrapassar o pelotão, e que só tinha tido tempo de os ver passar como flechas, o que revela alguma desorganização, além de desconhecimento dos participantes quanto ao regulamento e ao espírito da coisa.
De acordo com as regras Audax, quem faltar a um controlo é desclassificado. O pessoal encarou isto como uma corrida, o que está completamente fora do espírito do Audax.
Compreendo que esta prova tenha funcionado como teste até para a organização e que no futuro sejam afinadas estas questões, senão quem fica a perder são os Audaxes de Portugal.
Dou o benefício da dúvida e disponho-me a participar no próximo desafio. Vamos a ver se a coisa melhora, ou se passamos a ter umas corridas de ciclismo em Portugal que exploram o conceito Audax para angariar participantes, mas que se estão nas tintas para os princípios que norteiam os desafios Audax originais.
Também estava previsto recebermos um certificado no final, mas parece que se esqueceram dele em Lisboa :-P
Eu, como associado da FPCUB, não paguei nada pela participação, mas até agora também não recebi nada. Até o banho tivemos que pagar (2 euros cada banho). O JP já teve que pagar 5 Euros (mais o banho) e além do seguro e de duas bananas não teve mais nenhum serviço associado, nem sequer o certificado.
Conheço maneiras bem mais agradáveis e baratas (sem custos de recolha de ciclistas no final, por exemplo) de fazer 100 ou mesmo 200 km. Podem-se substituir os custos de transporte e inscrição pelos de um almoço em Salvaterra, que é bem mais agradável. Se for preciso até se passa certificado no final. São os Audax Just4Fun.
Gostaria de ir completando os Brevets Audax, pelo menos até aos 300 km (o que já é utópico neste momento), porque o conceito original agrada-me muito, mas se continua assim acho que passo a completar apenas os brevets Just4Fun (o que me dá algumas ideias ;-) )
Já agora e só por curiosidade, o tempo limite era 6h08m e fizemos 5h14m. Concluímos portanto com alguma folga, apesar da chuva e trovoada que apanhámos em Montemor-o-Novo."
2010-03-15
24 H ZMAR - Zambujeira do Mar - 13 e 14 de Março de 2010
Relato do PL:
"Antes de continuarem a ler afastem-se um metro para trás se não quiserem levar com salpicos de lama em cima...
Já está?
Bom... Vamos lá relatar como se passou o meu fim-de-semana de incorporação nas tropas especiais.
Não se pode dizer que não estivéssemos avisados... Choveu muito durante muitos dias e nas voltinhas por Monsanto dava para perceber que o terreno não consegue absorver mais água. Seria de esperar algo semelhante lá para as bandas da Zambujeira do Mar. O que não se esperaria era que a expressão " do Mar" se referisse a um mar de lama...
A organização também preveniu uns dias antes da prova para levarmos meias impermeáveis e no briefing disse que o percurso tinha de tudo e até ciclocross. Nessa altura vieram-me à memória imagens de uns tipos com aspecto vagamente humano cheios de lama por todos os lados, a subirem taludes escorregadios com um monte de lama às costas que tinha um formato semelhante a uma bicicleta.
Nah!!! Não devia ser assim tanto. Era só para nos assustar.
Rebobinemos um pouco para a véspera da prova...
O Zmar tem condições excelentes e decidi ir na véspera com a família para aproveitar um pouco do fim-de-semana. A chegada tardia, no entanto, e algum cansaço acumulado apenas permitiu fazer um breve reconhecimento das facilidades e perceber que quem ia ter um tempo bem passado não era eu de certeza. A ida para a cama foi cedo e a noite foi descansada, pois nem se pode comparar a diferença entre dormir numa cama a sério num chalet de madeira, com uma noite num saco cama na tenda.
A alvorada foi cedinho para ir ao Secretariado e beber um café na esplanada sem andar a correr. Apesar disso, quem já fez provas de 24 h sabe que o tempo antes da prova passa num instante enquanto se fazem os preparativos e quando cheguei à partida já o briefing tinha começado. Fui ainda a tempo de ouvir o tal aviso do ciclocross, que terminou com um: “não tenham vergonha de seguir a pé...”.
Mau!!!
A mim não me precisam de avisar disto, que já vou estando habituado a empurrar a bicicleta, mas se falam assim no briefing, a coisa deve mesmo estar complicada.
Já que aqui estou, seja o que Deus quiser...
Dada a partida lá me situo estrategicamente na retaguarda do pelotão, como é hábito, para me resguardar das confusões iniciais e porque vai haver muito tempo para pedalar sem ter que ganhar dois segundos na partida (a experiência nestas provas já é muita;-) ).
Nos primeiros 500 m fazemos logo um single espectacular, que para mim era a parte mais divertida do percurso, entrando depois num estradão por cerca de um quilómetro de sobe e desce não muito acentuado até se atingir a zona em que percebemos o que queriam dizer com “desmontar”. Tratava-se de um pantanal em que a bicicleta se afundava e, quando desmontávamos, os pés enterravam-se até aos tornozelos. Isto durante para aí uns 500 m. Ao fim de 2 km já as máquinas e os homens tinham sido postos à prova duramente. Como seria nas restantes 23h45m?
Continuei a volta com apreensão relativamente ao que ainda estava reservado, mas apesar de algumas passagens complicadas, nenhuma se assemelhava a esta. Havia outras zonas pantanosas, mas de muito curta extensão, e uns caminhos que apelavam claramente para o nosso sentido de equilíbrio para conseguirmos progredir por estreitas línguas de terra apenas húmida no meio de grandes poças de água e lama. Na minha avaliação preliminar, durante o dia não haveria crise nestas passagens, mas à noite a percepção do terreno é outra e seria, para mim, das piores zonas a passar, porque com as dificuldades de visão e com a degradação das múltiplas passagens, podiam haver armadilhas escondidas.
Nestas coisas o pior é ter pensamentos parvos, como adiante se verá.
Felizmente a volta também tinha algumas extensões grandes de estradão, que davam para descansar o corpo e aliviar a concentração, beber e comer.
No fim da primeira volta, por causa da parvoíce de tentar acompanhar o restante pessoal para não ficar muito sozinho no fim do pelotão, fiz 32 minutos e estava bastante cansado. Havia que cair na realidade e reduzir o esforço. Cheguei a pensar se valia a pena o esforço, já que de “Fun” estava a haver muito pouco, mas tinham-me dito que havia 21 participantes a solo e só até ao 20º lugar é que se pontuava para o troféu. Ora eu não estava para ter vindo até aqui e ficar de mãos a abanar. Já que estava com os pés molhados ia continuar até dar, na esperança de haver alguém que desistisse antes de mim.
Foi assim que fiz as três voltas seguintes a um ritmo ligeiramente mais contido (entre 35 e 37 minutos) estabilizando a partir da 5ª volta em tempos a rondar o minuto 40. Entretanto, como já estava com os pés encharcados, não podiam ficar piores e mentalizei-me que aqueles 500m de pântano seriam para fazer em ritmo calmo e tentar recuperar um pouco do esforço de pedalar e das dores das costas que haviam de aparecer lá para o final do dia, o que me ajudou bastante no aspecto anímico.
A meio da tarde, vi que conseguiria fazer dez voltas até ter que parar para jantar e colocar as luzes e estabeleci essa meta, mesmo sem saber em que lugar estava. Só perto das 16 horas tive a primeira informação relativa à classificação e estava nessa altura em 17º. Mantive a estratégia que tinha delineado.
Para o final da tarde começou a levantar-se um vento forte e gelado que além de dificultar a progressão me fazia sentir muito frio, pois à hora da partida estava uma temperatura primaveril e arranquei de calções e manga curta.
O material começava a queixar-se e apesar de estar constantemente a ser lubrificado começava a ter chupões de corrente.
Às 18:23, no final da 10ª volta, já com o dia a escurecer e o material a queixar-se muito parei pela primeira vez. Eu fisicamente estava melhor do que o previsível e já há muito tempo que vinha a pensar como gerir o equipamento, pois tinha muita roupa, mas só dois pares de sapatos e de meias de neoprene. Iria fazer esta paragem em que teria forçosamente que me descalçar para entrar no chalet e teria que calçar material seco. Logicamente e porque a noite se adivinhava muito fria calçaria as segundas meias de neoprene e optaria por calçar os sapatos molhados, pois ao fim de um quilómetro da primeira volta nocturna já estaria a chafurdar na lama outra vez.
Fui lavar a bicicleta para a lubrificar um pouco melhor e fui jantar. De caminho fui ver as classificações e vi que dos 21 concorrentes a solo duas eram senhoras, pelo que na verdade só 19 é que estavam na minha classe, o que me garantia pontos pelo simples facto de ter terminado uma volta. Ainda assim, estava com vontade de fazer mais umas voltas, porque também não queria ficar em último e os que estavam atrás de mim tinham poucas voltas de atraso.
Foi então que tive um problema caricato e que nunca me tinha acontecido. Os fechos dos sapatos estavam com tanta lama por dentro (apesar de lhes ter dado uma mangueirada) que não funcionavam e os sapatos tiveram que ser arrancados à força. O pior é que com as meias de neoprene ficam muito justos e foi um trabalhão para os arrancar (literalmente) dos pés. Já com eles na mão tentei desapertá-los mas não consegui, pelo que estava fora de causa voltar a calçá-los.
Entretanto comi com calma, tentei lubrificar o mais que pude e montei as luzes. Fisicamente estava bem pelo que pelas 21:00 arranquei para as voltas nocturnas, todo enchouriçado por causa do frio e com o MP3 para me fazer companhia. Não estava sequer a pensar fazer a noite toda a pedalar, mas tentar fazê-lo pelo menos até por volta da uma da manhã, o que daria mais umas quatro ou cinco voltas.
A primeira volta correu bem e voltei a fazer um tempo a rondar o minuto quarenta, mas quase no final da segunda, na tal zona em que tinha que se escolher a trajectória sem o mínimo desvio, aconteceu o que se previa: escolhi mal a trajectória, tentei corrigir, a roda resvalou para um rego e eu caio para o lado para dentro de uma poça funda. Digo uma série de impropérios mas levanto-me logo para sair daquela zona rapidamente, até porque vinham concorrentes atrás.
A partir daí os chupões de corrente agravaram-se e as mudanças começaram a falhar mais, mas pensei que deveria ser pelo facto de o desviador ter ficado cheio de lama da poça. A volta seguinte foi um martírio... Sempre que precisava de pedalar em 1:1 a corrente prendia. Era impossível continuar a pedalar assim, pelo que no final da terceira volta nocturna recolhi às boxes. Nessa altura ainda considerava a possibilidade de dar mais umas voltas de manhã, mas os ecos que me chegaram sobre a qualidade das instalações do ZMAR, sem que eu pudesse usufruir delas, a preguiça que me deu e me impediu de levantar cedo, associados à pouca probabilidade de ainda subir alguns lugares, fizeram-me optar por passar uma manhã tranquila a gozar as poucas horas livres que tive no local, qual turista em férias.
Na manhã de domingo, quando estava a preparar a bicicleta para o transporte verifiquei que os chupões de corrente foram agravados pelo dropout e desviador traseiro empenados (quase de certeza resultado da queda) que causavam prisões na corrente, que os calços de travão tinham sido quase completamente consumidos, estando os traseiros quase no alumínio. Para o material a prova também não foi fácil e, apesar de ter calços para mudar, seria quase impossível pedalar com o mínimo de condições no Domingo, o que me deu algum aconchego e justificação adicional para a opção de ter parado às doze horas de prova.
Ainda passei pela meta para ver as classificações, pois como tinha terminado a noite em 14º era de prever a perda de vários lugares, mas para meu espanto estava em 15º, porque a partir do 11º só um participante é que continuou a pedalar. Apesar de tudo, até nem era mau de todo, tendo em conta que não me preparei minimamente e que nestas provas cada vez aparecem menos “pára-quedistas”, como eu.
Por falar em “pára-quedistas”, a minha incorporação nas foças especiais terminou assim ao fim de doze horas de trabalhos forçados e com tempo suficiente para beberricar um cafezinho na esplanada no Domingo de manhã e de ver a partida para o GP do Bahrein antes de me fazer à estrada para vir para casa. Só me lembro de ter chafurdado tanto em lama na recruta em Mafra, faz precisamente este mês 26 anos. Como o tempo corre depressa.
No meio disto tudo, quem gozou mais foi a família, que usufruiu em pleno das excelentes condições do ZMAR, com especial destaque para a piscina de ondas interior. No intervalo das “férias” ainda arranjaram tempo para apoiar e abastecer ciclista e máquina com os respectivos líquidos de que cada um ia necessitando em cada momento.
Fotos, só daqui a uns dias, que agora a prioridade é voltar a pôr o equipamento operacional.
Estão assim conquistados os primeiros pontos do Troféu PTOPENXCR, que era o principal objectivo.
Próxima prova: 15 e 16 de Maio em Castelo Branco.
Conto estar à partida, que esta organização merece a nossa presença, mesmo depois de nos praxar no lamaçal ;-) .
Já agora, conto ser um bocadinho menos preguiçoso e dar mais umas voltinhas"
"Antes de continuarem a ler afastem-se um metro para trás se não quiserem levar com salpicos de lama em cima...
Já está?
Bom... Vamos lá relatar como se passou o meu fim-de-semana de incorporação nas tropas especiais.
Não se pode dizer que não estivéssemos avisados... Choveu muito durante muitos dias e nas voltinhas por Monsanto dava para perceber que o terreno não consegue absorver mais água. Seria de esperar algo semelhante lá para as bandas da Zambujeira do Mar. O que não se esperaria era que a expressão " do Mar" se referisse a um mar de lama...
A organização também preveniu uns dias antes da prova para levarmos meias impermeáveis e no briefing disse que o percurso tinha de tudo e até ciclocross. Nessa altura vieram-me à memória imagens de uns tipos com aspecto vagamente humano cheios de lama por todos os lados, a subirem taludes escorregadios com um monte de lama às costas que tinha um formato semelhante a uma bicicleta.
Nah!!! Não devia ser assim tanto. Era só para nos assustar.
Rebobinemos um pouco para a véspera da prova...
O Zmar tem condições excelentes e decidi ir na véspera com a família para aproveitar um pouco do fim-de-semana. A chegada tardia, no entanto, e algum cansaço acumulado apenas permitiu fazer um breve reconhecimento das facilidades e perceber que quem ia ter um tempo bem passado não era eu de certeza. A ida para a cama foi cedo e a noite foi descansada, pois nem se pode comparar a diferença entre dormir numa cama a sério num chalet de madeira, com uma noite num saco cama na tenda.
A alvorada foi cedinho para ir ao Secretariado e beber um café na esplanada sem andar a correr. Apesar disso, quem já fez provas de 24 h sabe que o tempo antes da prova passa num instante enquanto se fazem os preparativos e quando cheguei à partida já o briefing tinha começado. Fui ainda a tempo de ouvir o tal aviso do ciclocross, que terminou com um: “não tenham vergonha de seguir a pé...”.
Mau!!!
A mim não me precisam de avisar disto, que já vou estando habituado a empurrar a bicicleta, mas se falam assim no briefing, a coisa deve mesmo estar complicada.
Já que aqui estou, seja o que Deus quiser...
Dada a partida lá me situo estrategicamente na retaguarda do pelotão, como é hábito, para me resguardar das confusões iniciais e porque vai haver muito tempo para pedalar sem ter que ganhar dois segundos na partida (a experiência nestas provas já é muita;-) ).
Nos primeiros 500 m fazemos logo um single espectacular, que para mim era a parte mais divertida do percurso, entrando depois num estradão por cerca de um quilómetro de sobe e desce não muito acentuado até se atingir a zona em que percebemos o que queriam dizer com “desmontar”. Tratava-se de um pantanal em que a bicicleta se afundava e, quando desmontávamos, os pés enterravam-se até aos tornozelos. Isto durante para aí uns 500 m. Ao fim de 2 km já as máquinas e os homens tinham sido postos à prova duramente. Como seria nas restantes 23h45m?
Continuei a volta com apreensão relativamente ao que ainda estava reservado, mas apesar de algumas passagens complicadas, nenhuma se assemelhava a esta. Havia outras zonas pantanosas, mas de muito curta extensão, e uns caminhos que apelavam claramente para o nosso sentido de equilíbrio para conseguirmos progredir por estreitas línguas de terra apenas húmida no meio de grandes poças de água e lama. Na minha avaliação preliminar, durante o dia não haveria crise nestas passagens, mas à noite a percepção do terreno é outra e seria, para mim, das piores zonas a passar, porque com as dificuldades de visão e com a degradação das múltiplas passagens, podiam haver armadilhas escondidas.
Nestas coisas o pior é ter pensamentos parvos, como adiante se verá.
Felizmente a volta também tinha algumas extensões grandes de estradão, que davam para descansar o corpo e aliviar a concentração, beber e comer.
No fim da primeira volta, por causa da parvoíce de tentar acompanhar o restante pessoal para não ficar muito sozinho no fim do pelotão, fiz 32 minutos e estava bastante cansado. Havia que cair na realidade e reduzir o esforço. Cheguei a pensar se valia a pena o esforço, já que de “Fun” estava a haver muito pouco, mas tinham-me dito que havia 21 participantes a solo e só até ao 20º lugar é que se pontuava para o troféu. Ora eu não estava para ter vindo até aqui e ficar de mãos a abanar. Já que estava com os pés molhados ia continuar até dar, na esperança de haver alguém que desistisse antes de mim.
Foi assim que fiz as três voltas seguintes a um ritmo ligeiramente mais contido (entre 35 e 37 minutos) estabilizando a partir da 5ª volta em tempos a rondar o minuto 40. Entretanto, como já estava com os pés encharcados, não podiam ficar piores e mentalizei-me que aqueles 500m de pântano seriam para fazer em ritmo calmo e tentar recuperar um pouco do esforço de pedalar e das dores das costas que haviam de aparecer lá para o final do dia, o que me ajudou bastante no aspecto anímico.
A meio da tarde, vi que conseguiria fazer dez voltas até ter que parar para jantar e colocar as luzes e estabeleci essa meta, mesmo sem saber em que lugar estava. Só perto das 16 horas tive a primeira informação relativa à classificação e estava nessa altura em 17º. Mantive a estratégia que tinha delineado.
Para o final da tarde começou a levantar-se um vento forte e gelado que além de dificultar a progressão me fazia sentir muito frio, pois à hora da partida estava uma temperatura primaveril e arranquei de calções e manga curta.
O material começava a queixar-se e apesar de estar constantemente a ser lubrificado começava a ter chupões de corrente.
Às 18:23, no final da 10ª volta, já com o dia a escurecer e o material a queixar-se muito parei pela primeira vez. Eu fisicamente estava melhor do que o previsível e já há muito tempo que vinha a pensar como gerir o equipamento, pois tinha muita roupa, mas só dois pares de sapatos e de meias de neoprene. Iria fazer esta paragem em que teria forçosamente que me descalçar para entrar no chalet e teria que calçar material seco. Logicamente e porque a noite se adivinhava muito fria calçaria as segundas meias de neoprene e optaria por calçar os sapatos molhados, pois ao fim de um quilómetro da primeira volta nocturna já estaria a chafurdar na lama outra vez.
Fui lavar a bicicleta para a lubrificar um pouco melhor e fui jantar. De caminho fui ver as classificações e vi que dos 21 concorrentes a solo duas eram senhoras, pelo que na verdade só 19 é que estavam na minha classe, o que me garantia pontos pelo simples facto de ter terminado uma volta. Ainda assim, estava com vontade de fazer mais umas voltas, porque também não queria ficar em último e os que estavam atrás de mim tinham poucas voltas de atraso.
Foi então que tive um problema caricato e que nunca me tinha acontecido. Os fechos dos sapatos estavam com tanta lama por dentro (apesar de lhes ter dado uma mangueirada) que não funcionavam e os sapatos tiveram que ser arrancados à força. O pior é que com as meias de neoprene ficam muito justos e foi um trabalhão para os arrancar (literalmente) dos pés. Já com eles na mão tentei desapertá-los mas não consegui, pelo que estava fora de causa voltar a calçá-los.
Entretanto comi com calma, tentei lubrificar o mais que pude e montei as luzes. Fisicamente estava bem pelo que pelas 21:00 arranquei para as voltas nocturnas, todo enchouriçado por causa do frio e com o MP3 para me fazer companhia. Não estava sequer a pensar fazer a noite toda a pedalar, mas tentar fazê-lo pelo menos até por volta da uma da manhã, o que daria mais umas quatro ou cinco voltas.
A primeira volta correu bem e voltei a fazer um tempo a rondar o minuto quarenta, mas quase no final da segunda, na tal zona em que tinha que se escolher a trajectória sem o mínimo desvio, aconteceu o que se previa: escolhi mal a trajectória, tentei corrigir, a roda resvalou para um rego e eu caio para o lado para dentro de uma poça funda. Digo uma série de impropérios mas levanto-me logo para sair daquela zona rapidamente, até porque vinham concorrentes atrás.
A partir daí os chupões de corrente agravaram-se e as mudanças começaram a falhar mais, mas pensei que deveria ser pelo facto de o desviador ter ficado cheio de lama da poça. A volta seguinte foi um martírio... Sempre que precisava de pedalar em 1:1 a corrente prendia. Era impossível continuar a pedalar assim, pelo que no final da terceira volta nocturna recolhi às boxes. Nessa altura ainda considerava a possibilidade de dar mais umas voltas de manhã, mas os ecos que me chegaram sobre a qualidade das instalações do ZMAR, sem que eu pudesse usufruir delas, a preguiça que me deu e me impediu de levantar cedo, associados à pouca probabilidade de ainda subir alguns lugares, fizeram-me optar por passar uma manhã tranquila a gozar as poucas horas livres que tive no local, qual turista em férias.
Na manhã de domingo, quando estava a preparar a bicicleta para o transporte verifiquei que os chupões de corrente foram agravados pelo dropout e desviador traseiro empenados (quase de certeza resultado da queda) que causavam prisões na corrente, que os calços de travão tinham sido quase completamente consumidos, estando os traseiros quase no alumínio. Para o material a prova também não foi fácil e, apesar de ter calços para mudar, seria quase impossível pedalar com o mínimo de condições no Domingo, o que me deu algum aconchego e justificação adicional para a opção de ter parado às doze horas de prova.
Ainda passei pela meta para ver as classificações, pois como tinha terminado a noite em 14º era de prever a perda de vários lugares, mas para meu espanto estava em 15º, porque a partir do 11º só um participante é que continuou a pedalar. Apesar de tudo, até nem era mau de todo, tendo em conta que não me preparei minimamente e que nestas provas cada vez aparecem menos “pára-quedistas”, como eu.
Por falar em “pára-quedistas”, a minha incorporação nas foças especiais terminou assim ao fim de doze horas de trabalhos forçados e com tempo suficiente para beberricar um cafezinho na esplanada no Domingo de manhã e de ver a partida para o GP do Bahrein antes de me fazer à estrada para vir para casa. Só me lembro de ter chafurdado tanto em lama na recruta em Mafra, faz precisamente este mês 26 anos. Como o tempo corre depressa.
No meio disto tudo, quem gozou mais foi a família, que usufruiu em pleno das excelentes condições do ZMAR, com especial destaque para a piscina de ondas interior. No intervalo das “férias” ainda arranjaram tempo para apoiar e abastecer ciclista e máquina com os respectivos líquidos de que cada um ia necessitando em cada momento.
Fotos, só daqui a uns dias, que agora a prioridade é voltar a pôr o equipamento operacional.
Estão assim conquistados os primeiros pontos do Troféu PTOPENXCR, que era o principal objectivo.
Próxima prova: 15 e 16 de Maio em Castelo Branco.
Conto estar à partida, que esta organização merece a nossa presença, mesmo depois de nos praxar no lamaçal ;-) .
Já agora, conto ser um bocadinho menos preguiçoso e dar mais umas voltinhas"
2010-03-08
Duatlo de Grândola - 7 de Março de 2010
Relato do TA:
"Desta vez a representação dos J4F no campeonato de Triatlo PORTerra resumiu-se à minha presença, talvez porque os restantes elementos habituais não tivessem cleats instalados nas galochas.
A prova de Grândola era um duatlo mas com tanta água que atravessámos até ficou a dúvida.
Mas voltemos ao princípio: a primeira componente de corrida era feita no centro da vila, em alcatrão e num plano pouco inclinado pelo que a velocidade foi relativamente elevada nos 5700m de percurso, eu pelo menos nunca tinha corrido tão rápido… De seguida tínhamos duas voltas de BTT que perfaziam 19km num autêntico lamaçal. Não havia grandes desníveis, e ainda bem porque as dificuldades que a lama provocavam já eram suficientes. Para além da lama e das inúmeras poças nos estradões de areia que obrigavam a um serpentear constante, o ponto alto da volta foi uma parte do percurso ser constituída por um caminho em pedra (acho eu) totalmente inundado: a água teria entre um palmo e meio metro de altura numa extensão de 600/700 metros. No mínimo caricato… especialmente se pensarmos que este era já o ‘plano B’ uma vez que a ribeira que tínhamos de atravessar estava demasiado cheia…
Não me safei a duas quedas, uma para cima de um arbusto quando perdi aderência numa curta subida íngreme e outra numa descida também ela com um desnível acentuado e que terminava num enorme campo de lama… aquilo dava para um gajo se afogar pois afundei um palmo na lama! Pelas contas que fiz, consegui fazer uma média superior na corrida que no BTT.
Depois deste tratamento de beleza e com uns 5kg de barro agarrados ao corpo chegava à última componente de atletismo que foram feitos com muito sacrifício pois o joelho esquerdo começou a embirrar com o esforço.
Terminei a prova(ção) com 1h51m em 128º lugar, um lugar no meio da tabela."
"Desta vez a representação dos J4F no campeonato de Triatlo PORTerra resumiu-se à minha presença, talvez porque os restantes elementos habituais não tivessem cleats instalados nas galochas.
A prova de Grândola era um duatlo mas com tanta água que atravessámos até ficou a dúvida.
Mas voltemos ao princípio: a primeira componente de corrida era feita no centro da vila, em alcatrão e num plano pouco inclinado pelo que a velocidade foi relativamente elevada nos 5700m de percurso, eu pelo menos nunca tinha corrido tão rápido… De seguida tínhamos duas voltas de BTT que perfaziam 19km num autêntico lamaçal. Não havia grandes desníveis, e ainda bem porque as dificuldades que a lama provocavam já eram suficientes. Para além da lama e das inúmeras poças nos estradões de areia que obrigavam a um serpentear constante, o ponto alto da volta foi uma parte do percurso ser constituída por um caminho em pedra (acho eu) totalmente inundado: a água teria entre um palmo e meio metro de altura numa extensão de 600/700 metros. No mínimo caricato… especialmente se pensarmos que este era já o ‘plano B’ uma vez que a ribeira que tínhamos de atravessar estava demasiado cheia…
Não me safei a duas quedas, uma para cima de um arbusto quando perdi aderência numa curta subida íngreme e outra numa descida também ela com um desnível acentuado e que terminava num enorme campo de lama… aquilo dava para um gajo se afogar pois afundei um palmo na lama! Pelas contas que fiz, consegui fazer uma média superior na corrida que no BTT.
Depois deste tratamento de beleza e com uns 5kg de barro agarrados ao corpo chegava à última componente de atletismo que foram feitos com muito sacrifício pois o joelho esquerdo começou a embirrar com o esforço.
Terminei a prova(ção) com 1h51m em 128º lugar, um lugar no meio da tabela."
2010-01-21
Trilhos de Pontével - 10 de Janeiro de 2010
Relato do TA:
"A primeira prova que escolhi para fazer parte do meu calendário foi os Trilhos de Pontével, próximo do Cartaxo. As possibilidades que se apresentavam, 30 (na realidade 35) ou 60km, faziam crer que seria uma boa prova de kick-off e por 10 EUR (+5 se fosse com almoço)…
As previsões à medida que a data se aproximava apresentavam um cenário cada vez mais negro: chuva, vento e frio. E de facto estavam lá todas desde as primeiras horas da madrugada: 5ºC e um vento gélido que acompanhava uma chuvinha que teimava em não parar.
Às 8.15m cheguei a Pontével. Em vez do Henrique, queixoso de um joelho, tinha a companhia de Marco Lúcio, ex-DH e professor de spinbike num ginásio que frequento para além de um companheiro dessas aulas, o Correia.
Chegado a Pontével andei um bocado às voltas até encontrar a secretaria. Levanto o dorsal (e uma garrafinha de tinto do Cartaxo) e vou preparar a bicicleta já sem sentir as mãos tal era o frio. Faltavam 10 minutos para as 9h, hora programada para a partida e vou dar umas voltinhas para tentar aquecer um pouco. Quando dou por mim estava num grupo de cerca de 50, 100 pessoas que aguardavam não sei bem o quê porque o tempo foi passando e quando olho para o relógio verifico que já estava parado à 20 minutos. Aparentemente o grupo de amigos do Marco Chagas (com quem estive na palheta enquanto não arrancávamos) é que mandava na coisa e só depois dele trocar o pneu traseiro por causa de um furo é que arrancámos. Eram já 9.30h. Estranhei que estivessem tão poucos atletas para a prova (no total rondavam os 300) até porque garantidamente os meus dois companheiros de pedal não estavam ali. Um dos ‘comparsas do Chagas’ explicou que ali era a partida não oficial e que depois se juntariam todos no local da partida oficial. Quando passámos pelo suposto ponto de encontro já os restantes ciclistas tinham arrancado…
A prova em si não era tecnicamente ou fisicamente complicada mas o ritmo era feito à velocidade que a lama permitia. Havia lama para todos os gostos e em quantidade suficiente: da que escorrega, da que se agarra à roda e impede que se avance, da que entra para os olhos e quase nos cega, da que nos faz perder o equilíbrio e até da que nos atira ao chão… A chuva até se portou bem e manteve-se (quase sempre) nas nuvens mas o frio e o vento constante faziam com que mãos e pés permanecessem entre o tremendamente frio e o brutalmente gelado. A prova estava relativamente bem marcada e as zonas de perigo só se tornavam de facto perigosas porque a lama que se agarrava aos pneus era tanta que se tornava complicado controlar a montada com os slicks barrentos. Tentei fazer as subidas montado mas duas eram de facto impossíveis de se fazer nas condições em que o terreno se encontrava, uma delas apenas consegui fazer a pé porque saí da pista para uma zona de erva.
Pelos 30km avistei a separação dos trajectos e optei por antecipar o banho pois os dedos e os travões já não respondiam da melhor maneira. O frio venceu a batalha (constou-me que ainda chegou aos 2ºC) e eu preferia acabar antes do previsto do que continuar naquele tormento. Após 5km a bom ritmo (quase deu para finalmente aquecer) cheguei à meta no 49º lugar com 2h12m56s (a cerca de 42m do 1º).
Enquanto tentava arrumar as coisas começo a tremer descontroladamente. Aparentemente deixar de pedalar fez o meu corpo enregelar ainda mais pelo que fui à procura do ambicionado banho quente. O tão almejado banho veio na forma de um fio de água tépida que nem dava para arrancar a lama do corpo. Mais ou menos lavado segui viagem para ir almoçar a outras paragens (desta vez cortei-me ao almoço do evento, rancho).
Pontos positivos: Marcações: prova bem marcada, pelo menos a dos 35km; o brinde, apesar de ainda não ter provado a pinga sempre é diferente da t-shirt e promove a região.
Pontos negativos: A organização: meia hora de atraso ao frio e com partida dividida entre dois locais para além da falta de informação em Pontével sobre a localização da secretaria, dos banhos, da partida… o traçado, sei que não conseguem controlar o tempo, mas não conseguiriam contornar algumas das subidas que se revelaram praticamente intransitáveis?
Dados da prova:
Distância: 35km
Tempo: 2h12m56s
Calorias: 1554 Kcal"
"A primeira prova que escolhi para fazer parte do meu calendário foi os Trilhos de Pontével, próximo do Cartaxo. As possibilidades que se apresentavam, 30 (na realidade 35) ou 60km, faziam crer que seria uma boa prova de kick-off e por 10 EUR (+5 se fosse com almoço)…
As previsões à medida que a data se aproximava apresentavam um cenário cada vez mais negro: chuva, vento e frio. E de facto estavam lá todas desde as primeiras horas da madrugada: 5ºC e um vento gélido que acompanhava uma chuvinha que teimava em não parar.
Às 8.15m cheguei a Pontével. Em vez do Henrique, queixoso de um joelho, tinha a companhia de Marco Lúcio, ex-DH e professor de spinbike num ginásio que frequento para além de um companheiro dessas aulas, o Correia.
Chegado a Pontével andei um bocado às voltas até encontrar a secretaria. Levanto o dorsal (e uma garrafinha de tinto do Cartaxo) e vou preparar a bicicleta já sem sentir as mãos tal era o frio. Faltavam 10 minutos para as 9h, hora programada para a partida e vou dar umas voltinhas para tentar aquecer um pouco. Quando dou por mim estava num grupo de cerca de 50, 100 pessoas que aguardavam não sei bem o quê porque o tempo foi passando e quando olho para o relógio verifico que já estava parado à 20 minutos. Aparentemente o grupo de amigos do Marco Chagas (com quem estive na palheta enquanto não arrancávamos) é que mandava na coisa e só depois dele trocar o pneu traseiro por causa de um furo é que arrancámos. Eram já 9.30h. Estranhei que estivessem tão poucos atletas para a prova (no total rondavam os 300) até porque garantidamente os meus dois companheiros de pedal não estavam ali. Um dos ‘comparsas do Chagas’ explicou que ali era a partida não oficial e que depois se juntariam todos no local da partida oficial. Quando passámos pelo suposto ponto de encontro já os restantes ciclistas tinham arrancado…
A prova em si não era tecnicamente ou fisicamente complicada mas o ritmo era feito à velocidade que a lama permitia. Havia lama para todos os gostos e em quantidade suficiente: da que escorrega, da que se agarra à roda e impede que se avance, da que entra para os olhos e quase nos cega, da que nos faz perder o equilíbrio e até da que nos atira ao chão… A chuva até se portou bem e manteve-se (quase sempre) nas nuvens mas o frio e o vento constante faziam com que mãos e pés permanecessem entre o tremendamente frio e o brutalmente gelado. A prova estava relativamente bem marcada e as zonas de perigo só se tornavam de facto perigosas porque a lama que se agarrava aos pneus era tanta que se tornava complicado controlar a montada com os slicks barrentos. Tentei fazer as subidas montado mas duas eram de facto impossíveis de se fazer nas condições em que o terreno se encontrava, uma delas apenas consegui fazer a pé porque saí da pista para uma zona de erva.
Pelos 30km avistei a separação dos trajectos e optei por antecipar o banho pois os dedos e os travões já não respondiam da melhor maneira. O frio venceu a batalha (constou-me que ainda chegou aos 2ºC) e eu preferia acabar antes do previsto do que continuar naquele tormento. Após 5km a bom ritmo (quase deu para finalmente aquecer) cheguei à meta no 49º lugar com 2h12m56s (a cerca de 42m do 1º).
Enquanto tentava arrumar as coisas começo a tremer descontroladamente. Aparentemente deixar de pedalar fez o meu corpo enregelar ainda mais pelo que fui à procura do ambicionado banho quente. O tão almejado banho veio na forma de um fio de água tépida que nem dava para arrancar a lama do corpo. Mais ou menos lavado segui viagem para ir almoçar a outras paragens (desta vez cortei-me ao almoço do evento, rancho).
Pontos positivos: Marcações: prova bem marcada, pelo menos a dos 35km; o brinde, apesar de ainda não ter provado a pinga sempre é diferente da t-shirt e promove a região.
Pontos negativos: A organização: meia hora de atraso ao frio e com partida dividida entre dois locais para além da falta de informação em Pontével sobre a localização da secretaria, dos banhos, da partida… o traçado, sei que não conseguem controlar o tempo, mas não conseguiriam contornar algumas das subidas que se revelaram praticamente intransitáveis?
Dados da prova:
Distância: 35km
Tempo: 2h12m56s
Calorias: 1554 Kcal"
2009-12-14
Tróia-Sagres - 12 de Dezembro de 2009


Relato do TA:
"Pois é,
Já andava a ameaçar fazer esta prova há um ano ou dois (e não antes por puro desconhecimento da mesma) e desta foi mesmo. E com companhia de luxo: o clã Cravo quase completo, Pedro, Jorge e Henrique para além dum outro colega de pedal, o Rui Pinto que antes de ir a Sagres agarrou na bicicleta por duas vezes (e uma delas para passear na Expo!)
Encontrámo-nos com o Pedro e o Jorge um pouco depois do barco, junto a um condomínio onde eu, o Henrique e o Rui tínhamos dormido, ou melhor, eles tinham dormido. Eu fiquei a maldizer a minha sorte por não ter adormecido antes do ressonanço ter começado! À hora que o SD se levantou já eu devia estar prestes a agarrar numa almofada para acabar com aquele martírio. Devo ter adormecido pelas 5h com o despertador a tocar 1h depois. Nada como um sono retemperador antes de um esforço exigente.
Em relação à prova propriamente dita começámos às 7:45h a pedalar, primeiro devagarinho mas logo encontrámos um grupo a rolar a 35km/h que nos levou à Comporta onde eu e o Rui enchemos os pneus 1.25 (alvo de chacota juntamente com os do Henrique com 1.4 pelo Jorge e Pedro com os seus 1.0). Nesta altura o Rui já se estava a atrasar pelo que não estranhámos quando depois de fazermos mais 4/5km ele ter desaparecido do mapa.
Inicialmente tinha delineado 4 troços com paragens a cada 50km e foi mais ou menos isso que fizemos pelo que não parámos nos locais habituais da prova (Sines e Rogil).
Ainda antes da primeira paragem voltámos a rolar a velocidades bem interessantes principalmente quando fomos na cauda de um TGV que levou o velocímetro a uma velocidade entre os 45 e os 65km/h! Ao fim de um bocado comecei a ficar para trás até pq iria sofrer aquele ‘atrevimento’ no final.
Pouco depois da Aldeia de Brescos fizemos a primeira paragem: troca de garrafa Powerade (consegui consumir uma por troço), bolo rainha (que foi quase todo consumido pelo Vasco, condutor cada vez mais habitual do nosso carro de apoio, uma sandes de salsicha, uma frutinha, estica um pouco a perna e, após já estar gelado, o Rui ter chegado e também ele reabastecido, siga. O nosso pecado foram mesmo as paragens: em três paragens conseguimos consumir 1h34m.
Após a nossa paragem conseguimos incorporar-nos num grupo de estradistas que nos colocou novamente a rolar nos 32km/h que não nos levou mais longe porque à entrada de Sines um toque de rodas provocou uma queda mesmo à nossa frente. Nessa altura já o Rui ficava de novo para trás. Continuámos com uma parte desse pelotão mas que também estariam a aproveitar a velocidade do conjunto porque rolavam bem mais devagar pelo que, depois de descansar um naquela velocidade, aumentámos a cadência e seguimos. Rapidamente fomos absorvidos por outro grupo a rolar nos 30-35km/h desta vez conhecidos dos irmãos Cravo pelo que se aproveitou para usar mais alguns músculos: os da língua. Antes de chegarmos a Milfontes já tínhamos deixado também esse grupo para trás e parámos logo depois da ponte para mais meia hora de “abastecimento-estica-a-perna-e-tira-mais-uma-foto”. Távamos todos 5 estrelas à excepção de algum desconforto da zona traseira. A partir daqui é que começava a doer.
Pela frente tínhamos agora 4 subidas, dizia-nos o gráfico altimétrico. A primeira dos 119 até aos 130 (subida a S. Teotónio), depois dos 140 aos 145 (Odeceixe). Faltava ainda Aljezur e Carrapateira. Devo dizer que assusta mais do que exigem, excepto Odeceixe, o único sítio em que fui na roda-da-avózinha. São subidas compridas é certo mas também não são agressivas: sobe-se 150, 200 metros no máximo. Claro que a perna não tem descanso e vai sempre em tensão e ao fim de 120 km pode causar problemas musculares. A mim causou-me foi dores nos ligamentos junto ao joelho. Se calhar ainda não atinei com a altura do banco.
As subidas fizeram-se a um ritmo também elevado pois voltámos a encontrar um grupo rolante (não tanto como os outros mas não se pode pedir tudo). O erro deles foi dizer-nos que se puxava à vez… é que fomos para a frente e desmembrámos o pelotão todo. Mais tarde voltámos a encontrar o grupo de amigos dos Cravo que só largámos na subida de Odeceixe. Aí era cada um por si. O Pedro desapareceu lá para a frente, acompanhado pelo Jorge mas só por alguns metros. Eu ia com o Henrique a puxar à vez na subida. No final dessa subida tínhamos direito a brinde: uma mini a acompanhar o bolo que ainda sobejava e mais uma peça de fruta. Alguns elementos já acalmavam as dores com Picalm (nem vou dizer onde o aplicaram!). Combinou-se com o carro de apoio que estivesse à coca na subida seguinte, aos 168km (Aljezur), não fosse o diabo tecê-las.
Enquanto por ali estávamos (os 40 minutos de paragem deu para muito) encontrámos um elemento que seguia numa bicicleta citadina vestido a rigor: por cima do Jersey vestia camisa e gravata. Este personagem acompanhava um outro que seguia numa trike bike o que originou novo desenferrujar da língua e mais uma foto. Arrancámos com eles mas aquela velocidade não ajudava nada (22km/h) pelo que após o reaquecimento arrancámos os 4. Para a subida a Aljezur íamos já integrados num grupo que tive alguma dificuldade em acompanhar mas na descida apenas em posição aerodinâmica atingimos novamente velocidades na casa dos 60km/h (um velhote na sua Famel ia-me ultrapassar nessa descida, foi só preciso baixar o corpo para lhe ganhar vantagem e sem ter de pedalar). Claro que assim que o Pedro nos ultrapassou desatámos a pedalar que nem uns animais por ali abaixo até… à subida seguinte. Claro que nem parámos lá em cima…
A última subida foi a altura em que mais tempo pedalámos sem um grupo. Apenas um par aqui e outro ali dos quais aproveitávamos a boleia para descansar um cadinho. Lá foi sendo feita a começar a sentir o frio (porque entretanto já não conseguia usar o casaco e ia de manga curta), de novo o Pedro a descolar com o Jorge no seu encalço e eu e o Henrique mais para trás. Foi aí que achei que grandes quantidades de Dextrose e Powerade devem provocar um efeito similar ao da cocaína: não sentia absolutamente dor nenhuma no corpo e aos poucos fui buscar o Jorge e depois o Pedro (mas acho que aqui ele ia tranquilamente a passear e a fazer os seus filmes). Um pouco mais à frente reagrupámos e já o Pedro dizia para seguirmos para Lagos depois de Sagres… apesar de ir com pica no pedal não estava com grande vontade de fazer esse extra até porque já começava a ter fome de coisas mais decentes para além de barras energéticas, gel e toda a panóplia de produtos. A última parte do percurso, já depois de Vila do Bispo foi a parte que mais me custou, é uma recta um pouco inclinada que parece que nunca mais acaba… Parámos finalmente em frente à casa azul onde serviam sopa, bifana e 4sagres (ou águas) por 5 EUR. Desapareceu tudo num instante (mas só depois de esticar as pernas durante meia hora porque os músculos pareciam que iam explodir). A nossa chegada deu-se às 16:50h, 9h05m de tempo total. Passado um pouco o PL chegou para fazer as honras no painel aí exposto e após quase uma hora da nossa chegada o Rui terminou o percurso. Devo dizer que foi com quem mais espantado fiquei! Parece que afinal é só querer (e crer).
Dados:
Hora de partida: 7:45h
Hora de Chegada: 16:50h
Tempo a rolar: 7:26:28
Tempo parado: (com a vergonha nem faço as contas!)
Distância:200.43km
Média: 26,93km/h
Velocidade Max: 65,72km/h
Calorias: cerca de 4800cal: para limpar a dextrose (uns 12 comprimidos), powerade (4 x 500ml), o bolo rainha e a jola entre outras coisas mais saudáveis.
TA"
Relato do SD:
"Tróia-Sagres na visão… da minha pessoa
Eram 4:30 quando o despertador tocou. Acordar cedo, bem cedo para pedalar, depois de uma noite rápida e pouco sossegada. A ansiedade tem destas coisas mesmo quando se trata da nossa 4ª Travessia, mas esta ía ser um pouco diferente. Sair a pedalar de casa tem outro sabor, mesmo utilizando o comboio para alcançar Setúbal.
Como previsto, a primeira pedalada do dia foi às 5:30 da manhã. Estavam 11ºC de temperatura. Bem agasalhado, iniciei a primeira etapa do dia. Tinha encontro marcado à porta da casa do Paulo Leitão. Foram 9.5Km, cumpridos em 27min e quase sem avistar ninguém. Pontual, o Paulo Leitão aguardava já a minha chegada e às 5:57 dirigimo-nos para a estação de comboios de Campolide, onde chegámos às 6:35, 9.15Km depois.
Enquanto aguardávamos pelo comboio, recebi um SMS do João Bronze dizendo que viajava já na primeira carruagem. Conforme previsto, o comboio chegou às 6:50 a Campolide e deixou-nos em Setúbal às 7:40. Com 8ºC de temperatura, percorremos os 1,71Km que nos separavam do cais marítimo. Sem fila, comprámos o bilhete “velocípede sem motor” para a travessia do Sado. Bilhete esse que nos custou a cada um 4,50€. Caríssimo na minha opinião! Entrámos de imediato no barco, escolhendo um recanto para encostar as bicicletas e pouco depois o barco partia. Junto a nós estavam 2 heróis que saíram a pedalar às 4:30 de Loures e contavam já com 60Km nas pernas. O dia amanhecera e a temperatura algo baixa fazia-se sentir. Desejava chegar rapidamente a terra para aquecer em cima da bicicleta, coisa que aconteceu 38min depois. Pelas 8:20, dávamos assim início ao nosso Tróia-Sagres, edição 2009. Para a minha conta pessoal, tinha já percorrido 20.5Km.
Partimos mais tarde do que o habitual mas ainda assim não fomos os últimos a fazê-lo. Tal como as previsões faziam crer, estava um óptimo dia para a prática da modalidade. O pouco vento que se fazia sentir deixava de ter significado quando pensava na tempestuosa edição do ano anterior. Em ritmo moderado, pedalámos rumo a Sul, alcançando o primeiro pelotão. Com um ritmo semelhante ao nosso, seguímos na sua roda, poupando assim energias.
O carro de apoio estava previsto aparecer a partir das 10 horas. Mais uma vez, o amigo Francisco Gomes disponibilizou-se para nos acompanhar e que jeito dá poder contar com amigos assim. Além de todo o apoio, transportava uma carga preciosa, algo pelo qual ansiávamos àquela hora da manhã – café. Ao longo destes anos, a Aldeia de Brescos tem sido a nossa primeira paragem e foi em plena recta, a escassos metros da Aldeia, que o carro de apoio nos ultrapassa. Nem combinado teria sido tão certinho. Até esta paragem, pouco há para contar, apenas o facto de ter perdido contacto com os outros dois elementos quando me entusiasmei e me deixei levar num grupo com um ritmo mais vivo. Café quentinho com uma fatia de bolo e estava pronto para outra estirada. São momentos como estes que marcam este dia…
Primeira paragem: Aldeia de Brescos, 48.6Km após Tróia. Duração: 12min
Depois desta primeira paragem, seguimos sozinhos até Sines. A espaços, éramos ultrapassados e ultrapassávamos também alguns elementos individuais. Às 10:54, parei por 4min para trocar as pilhas ao GPS, logo após a rotunda de Sines. O Paulo Leitão e o João Bronze seguiram. Não muito tempo depois de ter arrancado, avisto o Paulo Leitão parado junto ao carro de apoio. Páro para perceber se há algum problema e arranco de imediato ao ver que se estava apenas a abastecer. Sigo no encalço do João Bronze e tentei recuperar terreno para o alcançar. Apanhei grupos pelo caminho que fui ultrapassando, um deles numeroso – o grupo de Fernão-Ferro com o seu equipamento azul e laranja. Acabo por me colar a elementos mais rápidos que montavam bicicletas de estrada e segui nas suas rodas. Instantes depois, nas Brunheiras, onde se vira numa rotunda à direita em direcção a Vila Nova de Mil Fontes, oiço chamar insistentemente pelo meu nome. Quem seria? Claro… o amigo João Bronze andava na feira metido na tasquinha dos bolos e vinha de lá de boca ainda cheia. Seguimos de imediato e pouco depois da ponte sobre o rio Mira, em plena subida após Vila Nova de Milfontes, tive o primeiro sintoma de cãibra na perna direita. Já há muito tempo que não andava com este tipo de espasmos musculares e este ameaçava apanhar-me toda a parte interior da coxa direita. Abrandei o ritmo na subida, esforcei mais a perna esquerda e parei no cimo aproveitando também para trocar o bidom e comer um pouco de magnésio sob a forma de banana. Arranquei ainda antes do João Bronze que terminava uma tangerina.
Segunda paragem: Após a rotunda de Sines para trocar as pilhas ao GPS. Duração: 4min
Terceira paragem: A seguir a Vila Nova de Milfontes. Duração 5min
A curta paragem fez-me bem pois voltei a pedalar sem condicionalismos. Pela frente, tinha agora um conjunto de rectas que percorri a espaços com companhia. Comecei a sentir alguma fome e pensei na paragem do ano passado, na Fataca. Após virar para o Cabo Sardão, às 12:56, encontro o fotógrafo de serviço, pronto a fazer novo disparo à minha passagem. Peço-lhe para que pare à frente. Fui o primeiro a chegar à povoação da Fataça, com um café à beira da estrada e já famoso pelas chamadas realizadas por telemóvel dentro de uma cabine telefónica debaixo de um temporal. Era altura de comer qualquer coisa mas mais do que comer, eu queria era refrescar-me com uma Coca-Cola fresquinha que trazia na geleira. Pedalara a pensar nela. Estive parado na Fataca das 13:05 até às 13:20. Antes de arrancar, eu e o Francisco tentámos perceber onde se teria metido o João e concluímos que ele deveria ter passado enquanto eu me distraía com a bicicleta e aguardava a chegada do carro de apoio.
Quarta paragem: Fataça. Duração: 15min
Às 13:40, já perto da Povoação Estibeira, liga-me o João Bronze e diz-me que está perdido. Tinha-se enganado com mais uns quantos companheiros e seguido assim em direcção a Odemira, em vez de ter virado para o Cabo Sardão. Telefonei ao Francisco que consultou o mapa e confirmámos o que o João dizia, ou seja, que a estrada onde seguia ía entroncar mais à frente na nossa.
Quinta paragem: Junto da Povoação Estibeira para orientar o João Bronze, por telefone. Duração: 8min
13 Minutos volvidos e poucas pedaladas depois, encontro o Paulo Leitão descontraidamente sentado a dar ao dente. Páro por breves instantes para dizer olá e perguntar se está tudo bem, ao mesmo tempo que lhe transmito o sucedido com a terceira carinha sorridente. Sigo viagem e viro para S.Teotónio.
Tento recuperar algum atraso fruto destas paragens imprevistas. No cimo de uma subida, avisto o João Bronze na “curva da carroça”, a dar à língua com o Francisco. Esperava por mim e arrancou à minha passagem. Rolámos juntos uns bons quilómetros. Nas descidas, enquanto eu aproveitava para descansar um pouco as pernas, o João ‘dáva-lhe’ e fugia-me. Pouco depois, entrávamos em Aljezur e ao recordar o traçado da estrada, recordo também as subidas à saída daquela vila, aquelas que ficam esquecidas e que ninguém comenta quando fala desta travessia. No cimo destas subidas há um café e comentei com o João como seria bom o Francisco estar lá à nossa espera pois eu precisava de água. Continuámos a rolar juntos mas nas subidas o meu andamento mais vivo afastava-nos um pouco. O certo é que passámos o café e nada de carro de apoio. Não me preocupei pois o Francisco deveria estar perto, o que se veio a verificar momentos depois. Nova paragem para troca de bidom e… não resisti à segunda e última lata de Coca-Cola que tinha levado. Parámos às 15:25 e arrancámos 10min depois.
Sexta paragem: Após viragem na primeira placa que assinala a direcção para a vila de Sagres. Duração: 10min
Continuámos a rolar juntos até que o João se afastou um pouco. Nesse momento, fui alcançado por um jovem que me perguntou quantos quilómetros faltavam para Sagres. Seguiu comigo e fomos a conversar sobre Triatlo pois tal como eu, também ele participa em provas desta federação. Alcançámos o João Bronze instantes antes da última subida do dia, a subida da Carrapateira. Seguimos a pedalar os três mas por pouco tempo pois a conversa estava animada e a bom ritmo a Carrapateira rapidamente ficou para trás. A meio da subida, lembrei-me do João e olhando para trás já não o vi. Preferi continuar naquele ritmo e aguardar por ele lá no cimo. Enquanto trocava as pilhas à câmara de filmar, o João inserido num grupo, passou por mim. Acabei a operação e fui no seu encalço mas já só o voltei a encontrar quando faltavam meia dúzia de quilómetros para Sagres.
Sétima paragem: Serra da Carrapateira para trocar as pilhas da câmara. Duração: 5min
Entrei em Sagres com o João e ainda de dia. Cerca das 17:15, chegávamos por fim à nossa meta simbólica dos últimos anos nesta paragem, o posto de Turismo. Ainda antes de mudar de roupa, arrumei a bicicleta no carro. Este ano não fiz strip nas traseiras do Turismo, até porque este ano ainda havia gente a trabalhar lá dentro. Após mudar de roupa atrás de uns arbustos, quando chego ao carro sou presenteado com mais uma Coca-Cola fresquinha – recuerdo de João Bronze. Já lá íam 99Cl deste gás negro. Pouco depois, passa o amigo Paulo Leitão que nem parou junto de nós. Mais tarde, vim a saber que este ano a organização tinha preparado uma chegada especial, comemorativa da 20ª Travessia, havendo um quadro de honra onde os heróis do dia podiam inscrever o seu nome. Já à paisana e com a bicicleta arrumada, nem eu nem o João Bronze arredámos pé. Afinal, a meta desta prova para os Just4Fun tem sido ao longo dos anos, o posto de Turismo…
Sagres está mais perto. O novo cais de Tróia (desde 2008), dista 4,43Km relativamente ao antigo, o que faz com que a distância a cumprir até Sagres não ultrapasse actualmente os 200Km. De qualquer das formas, atingi alguns marcos importantes a nível pessoal, durante esta travessia. Os 10 000Km da Specialized foram alcançados pouco antes de Aljezur e a maior distância percorrida num só dia situa-se agora nos 216,10Km.
Obrigado malta! Até 2010…
Os números da minha 4ª Travessia… e meia
Trip Distance: 216,10Km
Trip Time: 8:56:03
Avgerage Speed: 24,18
Max. Speed: 59,81
Total Odom.: 10.061Km
Tempo Total de Paragens, após Tróia: 59min
Tempo total a pedalar, após Tróia: 7:55
Travessia do Sado: 4,50€
Comboio Fertagus Campolide-Setúbal: 4,05€
Hora de saída de casa: 5:30
Hora de encontro com Paulo Leitão: 5:57
Hora de chegada à estação de comboios em Campolide: 6:35
Hora de chegada à estação de comboios em Setúbal: 7:43
Hora de chegada ao Ferry, Setúbal: 7:52
Hora de chegada ao Ferry, Tróia: 8:20
Travessias já realizadas
2004 - Ok
2005 - Ok
2006 - Desistência em Sines
2007 – Operação ao ombro
2008 - Ok
2009 - Ok"
Relato do JB:
"Até foi um bom treino para o Tróia - Sagres :)))))))
A preparação este ano tinha ficado longe do ideal, mas lá me fiz ao caminho com os dois magníficos PL e SD.
A etapa do Tróia - Sagres 2009 começou bem cedo. 6h42 lá arrancava o comboio da estação de Roma-Areeiro em direcção a Setúbal, com paragem em Campolide para entrar o PL, o SD e as suas respectivas meninas.
Chegados a Setúbal sentimos logo um frio que nos fez pedalar o mais rapidamente possível até ao barco que nos levava até Tróia. Mal o barco atracou no cais, lá saímos nós a pedalar em direcção a Sagres...
Nos primeiros kms da etapa encontrámos um grupo que ia a pedalar bem e aproveitámos o ritmo deles. Fiquei sempre na parte final do "pelotão" e tentei acompanhar o ritmo, mas mal aparecia uma pequena subida notava-se a falta de treino.
Grupo aqui, grupo ali, lá nos mantivemos todos até à primeira paragem onde o amigo Francisco estava à nossa espera. Uns minutos para comer e beber qualquer coisa e siga para Sagres.
Depois desta pequena paragem, e como o percurso era a rolar, segui a roda do SD. Notei que à medida que os kms iam passando o corpo parecia estar a reagir bem, mas as subidas davam luta...
Entretanto o PL tinha ficado mais para trás, o SD fez uma paragem e eu lá continuei até encontrar um grupo de 3 ciclistas da Margem Sul (Pinhal Novo e Moita) que iam ao meu ritmo e assim sendo fui com eles a pedalar e a conversar. Separei-me desse grupo quando vi uma feira... Eles continuaram mas eu parei... Não bebi nada, juro!!!! Aproveitei para comprar 3 bolos de noz, que estavam deliciosos e eis que passa o SD e lá começo eu a gritar pelo seu nome. A partir daí seguimos juntos e depois de Vila Nova de Milfontes, o amigo Francisco estava à nossa espera para mais uma paragem...
Nesta paragem o SD arrancou primeiro e passado um ou outro minuto saio eu. Nunca mais vi o SD até 28 kms de Aljezur, isto porque me enganei no caminho. Em vez de virar para o cabo Sardão segui em frente com mais 2 ciclistas. Começámos a achar estranho não vermos ninguém, mas pensámos que poderia ser normal, ou talvez não... Eles tinham um carro de apoio no final da subida (aquilo além de uma boa descida, tinha uma subida) e foi aí que reparámos que estávamos enganados, mas como aquela estrada nos levava a Aljezur eu segui por ela enquanto eles ficaram a comer. Aí andei uns bons kms a pedalar sozinho até que decidi telefonar ao SD a perguntar onde é que ele andava, pois eu estava "meio" perdido do resto do pelotão. Passados alguns kms lá encontrei os ciclistas que vinham pela estrada do lado do cabo Sardão e mais à frente encontrei o nosso amigo Francisco, onde aproveitei para esperar pelo SD.
A partir daqui seguimos juntos, excepto nas subidas de Odeceixe e da Carrapateira onde o SD descolava. Nas subidas tentava impor o meu ritmo e ia fazendo alguns amigos...
Depois da subida da Carrapateira, já cheirava a mar, a Sagres e a cabeça/corpo só pensava numa cerveja fresquinha... Como era sempre a rolar passei pelo SD estava ele parado na berma a fazer qualquer coisa, mas como eu ia tão concentrado nem esperei por ele, pois Vila do Bispo era já ali...
Depois de Vila do Bispo e na recta que nos leva até Sagres ia olhando para trás a ver se via o SD e eis que começo a ver umas mangas que não me eram estranhas e então esperei pelo SD e lá chegámos a Sagres com um sorriso de orelha a orelha.
Estávamos nós já à civil quando chega o PL. Eu bem acenei com uma mini, mas o PL fez mais uns metros para ir assinar a "papelada" do Tróia Sagres. Estava a ver que eu e o FG tínhamos de dividir aquela mini, pois o Xôr Presidente nunca mais aparecia.
Obrigado ao SD e ao PL pela companhia e uma palavra especial ao FG que mais uma vez nos acompanhou nesta etapa.
TA, apesar de não nos termos cruzado durante o percurso, sei que acabaste a etapa e por isso os meus parabéns. Para o ano tens de cortar a meta ao pé do posto de Turismo e beber uma mini connosco (o SD bebe uma Coca-Cola).
Mais uma etapa para o CV e para o ano lá estarei novamente mas desta vez com mais treino...
JB"
Rescaldo do PL:
"Lá chegámos os quatro (SD, JB, TA e PL) a Sagres, sendo que para mim os bocados mais fáceis foram entre a estação de Campolide e a estação de Setúbal e entre o cais de Setúbal e o cais de Tróia. Pelo meio também houve outros troços fáceis, como a deslocação da estação de Setúbal para o cais e todas as descidas ;-). Houve, no entanto, alguns troços que me custaram muito e nos locais onde já é costume (principalmente entre Sines e Aljezur).
O dia esteve quase perfeito, com uma temperatura amena, sem a mínima ameaça de chuva e mesmo com algum Sol para nos alegrar a viagem. Apenas o vento de SE nos atrapalhava a progressão, principalmente para quem seguia só, como me aconteceu a partir de Sines.
Fica para a posteridade mais uma chegada a Sagres (a quinta consecutiva), sendo esta emblemática porque se cumpria a vigésima edição da clássica.
Fica o registo de 9:18 desde Tróia a Sagres, com 43 minutos de paragens, o que dá um tempo “oficial” de 8:35, um dos piores que fiz nas minhas cinco participações. O SD e o JB já lá estavam há uns minutos quando cheguei a Sagres ainda com as últimas réstias de luz do dia, mas já sem o Sol no horizonte, para o que muito contribuiu o elevado tempo no percurso, mas essencialmente a partida de Tróia às 8:22, que foi condicionada pela saída do primeiro comboio de Lisboa às 6:42, o que apenas nos permitiu apanhar o ferry das 8:00. Este ia com menos de metade da lotação, manifestamente pouco para o que seria expectável, mas parece que este ano o pessoal decidiu sair todo muito cedo. Aos 200 km que registei no percurso principal há que somar cerca de 11km da deslocação desde casa até à estação de Campolide e entre a estação e o cais de Setúbal.
Fica também para a posteridade a assinatura no painel que estava junto à chegada, onde fiz questão de inscrever, além do meu, o nome Just4Fun. Foi uma ideia simpática ter uma chegada bem identificada e com animação, música, comes e bebes e o já referido painel para assinaturas. Foi também a oportunidade de acenar ao António Malvar e cumprimentar o clã Cravo e o TA, que foi com eles, e apenas encontrei no final.
Fica também uma lição: não devemos menosprezar o Tróia-Sagres. Depois do massacre do ano passado, achava que este ano eram favas contadas e não encarei o desafio com o realismo devido. Os 5000 km de pedalada num ano, que atingi pela primeira vez em 2009, e que foram comemorados com um simples sorriso um pouco antes de S.Teotónio, também poderão ter contribuído para um sobreavaliar da minha forma, o que talvez tenha influenciado o elevado ritmo inicial. Vim a pagar mais tarde este excesso, com ameaças de cãibras entre Vila Nova de Milfontes e Sagres, sempre que tentava forçar um pouco mais. Lição aprendida.
Além dos ciclistas, o FG voltou a fazer o percurso no carro de apoio e reportagem e eu sei que isso não é uma tarefa nada fácil, embora imprescindível e que agradeço.
PL"
2009-11-26
PR15 - Desafio Lousã - 21 de Novembro de 2009
Relato do PL
«Por onde começar um dia épico de BTT na Lousã?
As memórias estão todas ainda bem presentes e todas querem saltar para a ribalta e ter protagonismo. O melhor é tentar organizar as ideias antes de começar a escrever.
Isto é capaz de ficar longo...
O desafio estava traçado há mais de uma semana: oito artistas iam fazer o PR15, percurso de BTT que se inicia em Ferraria de S. João sobe a Serra da Lousã em direcção a Gondramaz e depois de umas voltas lá no topo inflecte para Sul em direcção a Figueiró dos Vinhos, para depois de umas voltas lá por baixo seguir para S. Simão, terminando novamente em Ferraria de S. João.
Just4Funners eram 3 (SD, JP e PL) que se juntaram ao Pedro Cravo (PC), Leonel Rodrigues (LR), Sónia Martins (SM), David Portelada (DP) e Pedro Roque (APRO) para desafiarem a Serra no dia 21 de Novembro de 2009.
A dormida foi já na Lousã de Sexta para Sábado na Pousada da Juventude e, como estava prometido, a noite foi tudo menos o que se aconselha na véspera de um percurso destes. Ao vinho do PC juntou-se pão saloio, chouriço assado, queijo e muita conversa, pelo que só bem depois da uma da manhã é que recolhemos aos beliches. A primeira foto atesta a combinação estranha que estava em cima da mesa.
A alvorada foi cedo, porque a partida estava marcada para as 8:00, já com o pequeno-almoço tomado e logo aí começou a aventura de escolher a indumentária adequada ao que tínhamos pela frente. Estava prometida chuva e vento, mas a verdade é que não chovia e não estava muito frio, pelo que optei por um traje mais light, embora enfiasse um impermeável no bolo da camisola (just in case). Com preparativos e reforço alimentar, que o da Pousada foi fraquito, só às 8:36 é que começámos a pedalar. Como se o desafio do PR15 não tivesse já dificuldade suficiente, decidimos partir de bicicleta directamente da Lousã, apanhando o percurso a meio, lá no alto da serra. Acrescentámos assim quase 800 m de ascendente aos já respeitáveis mais 2000 m que o percurso prometia. Apesar de tudo esta subida, que decorreu entre o km 2 e o km 13 e durou perto de 1:30, fez-se bem, com um ritmo contido porque ainda havia muito que pedalar pela frente. Apesar do vento não houve chuva até lá acima, onde se fez uma pausa e toda a gente se protegeu porque se anteviam algumas descidas. Até ao km 22, onde se atingiu a cota mais alta andámos num sobe e desce em torno dos 900 metros de altitude, iniciando por volta das 11:11 a fase maioritariamente a descer que nos levaria até ao extremo Sul do percurso. Por volta das 12:10, ao km 36, chegamos ao túnel que atravessa o IC8 e aproveitamos para reagrupar, comer, tratar de pequenos detalhes do material e avaliar o que fazer. O túnel era o abrigo perfeito para a chuva incessante que começava a fazer mossa. Quatro de nós decidem seguir uma parte do percurso por asfalto até Ana de Aviz, onde nos voltaríamos a encontrar. Os restantes quatro (SD, JP, PL e APRO) permaneceram fiéis ao trilho.
Quando encontrámos a outra metade do grupo estavam parados num café com lareira e desafiaram-nos para entrarmos. A proposta era tentadora, mas eles disseram que seguiriam para a Lousã por asfalto, e nós queríamos continuar no trilho. Resistimos à tentação de entrar e decidimos continuar para almoçar um pouco mais à frente.
Por esta altura a minha corrente começou a ser “chupada” pela pedaleira pequena sempre que necessitava dela. As subidas começaram a ser massacrantes porque a cada duas pedaladas para a frente tinha que dar uma para trás. Muitas vezes tive que desmontar por causa disso, o que além de reduzir drasticamente o ritmo do grupo me começava a chatear seriamente. Lubrifiquei diversas vezes e a coisa melhorava durante algum tempo, mas rapidamente voltava à mesma.
Foi com alívio que chegámos a Ribeira de Alge e entrámos no primeiro estabelecimento de restauração que encontrámos, que até tinha um telheiro onde podíamos abrigar-nos da chuva.
O lugar era espectacular pois esta varanda estava mesmo sobre a ribeira e junto à ponte que tínhamos acabado de atravessar.
Preparávamo-nos para ficar pelo alpendre, mas assim que nos viram disseram-nos logo para entrar e para nos chegarmos à lareira. A vontade era muita, mas não queríamos sujar tudo à nossa passagem. Puseram-nos logo à vontade e que não tivéssemos problemas em sujar. Aproveitámos a oferta e logo ali tentámos secar um pouco as luvas e mais algumas peças de roupa para nos sentirmos melhor quando fôssemos reiniciar a pedalada.
Demorámos uma hora no local, a degustar um creme de cenouras quentinho, e umas bifanas grelhadas que estavam espectaculares. Para as bebidas as opções foram diversas, desde a imperial à cola, até ao chá verde, que o tempo estava bom era para beber coisas quentinhas. Obviamente quem optou pela bebida mais quente (como foi o meu caso) não evitou umas piadolas à “Contemporâneos”, mas ainda assim a opção foi acertada. Fiquei com vontade de lá voltar noutras condições menos agrestes, para poder usufruir da localização, da simpatia e das especialidades (peixe do rio e carne). Para que conste, aqui fica o contacto: http://www.restauranteribeiradealge.com Se passarem por lá digam-lhes que chegámos bem à Lousã :-).
Não consigo descrever o que custou sair da frente da lareira para a chuva que não abrandava, mas o que tinha que ser tinha muita força e lá vamos nós na direcção de S. Simão.Os quilómetros seguintes foram feitos ao longo da Ribeira de Alge que atravessámos numa ponte meio destruída, inclinada e com a madeira encharcada que escorregava mais que manteiga em frigideira quente. Com muito cuidado e algumas escorregadelas menos controladas lá chegamos à outra margem, onde nos esperava uma subida pelo meio de rochas e calhaus em que tivemos que levar as meninas ao colo ;-).
Continuou-se a subir e bem até S. Simão, onde se fez uma paragem minúscula, mas que deu para nos apercebermos da beleza da povoação. Mais uma marcada para regressar com mais calma. Seria desnecessário, mas ainda assim refiro que continuamos essencialmente a subir até Ferraria de S. João, onde chegámos às 16:43 e com 65 km. A média estava miserável: 65 km em mais de oito horas, com 15 km nas últimas duas. Mesmo considerando uma hora para almoço e mais de vinte minutos no túnel, é uma média ridícula, mas eu não tinha condições para fazer melhor.
Era a altura da grande decisão: regressar à Lousã por asfalto ou voltar a enfrentar a Serra?
Consultou-se o mapa do centro, que não deu grande ajuda. Consultaram-se as memórias difusas de uns e outros e a cartografia do GPS. Conclui-se que a distância seria equivalente nas duas opções, mas o caminho mais curto em asfalto seria por um IC, onde, em princípio não poderíamos andar, o que tenderia a aumentar a incerteza e distância por asfalto. Por outro lado, pela serra sabíamos o que nos esperava (pensávamos nós) e não havia o risco de pedalar à noite em condições de visibilidade reduzida numa estrada com carros a grande velocidade. Optou-se pela Serra.
Com os preparativos nem deu para apreciar devidamente as instalações do centro, mas o alpendre e a casa de banho deram um jeitão. Há que regressar com a devida calma.
Após cerca de trinta minutos nesta paragem fizemo-nos à subida que nos voltaria a levar à cota 900, agora com as luzes ligadas, que a noite já caía.
Da subida não há muito que contar a não ser que esperava que fosse mais complicada, o grupo dividiu-se a meio e agrupamos em S. João do Deserto, seguindo com alento renovado pela cumeada até que o SD repara que tem um furo. Não há alturas boas para furar, mas aquela, de noite, molhados e com frio, era das piores. Felizmente o SD lembrou-se que tinha uma lata de spray anti-furo que aplicou e funcionou. Foi um alívio para todos, mas especialmente para ele.
Entretanto tinha parado de chover, mas no topo da serra o vento fazia-se sentir com mais intensidade. A atmosfera agora limpa permitia-nos algumas vistas de que não tínhamos usufruído durante o dia. Não sei se foi da distracção com as vistas ou da pouca concentração provocada pelo frio e cansaço, mas falhámos um desvio do percurso, seguindo num estradão ao lado. Quando o estradão virou à esquerda e o trilho não, interpretámos que seria para seguir em frente. Havia uma espécie de caminho mas em péssimo estado, pelo que decidimos tentar subir no estradão mais um bocado para ver se apanhávamos o trilho mais à frente. Entretanto as diferenças de andamento a subir eram notórias. Apercebi-me que nos estávamos a afastar muito do trilho e a subir para uma cota muito acima da que era esperada, mas não tinha como avisar os da frente que não tinham GPS. Fui subindo devagar até que quase no topo acabámos por reagrupar. Foi um momento delicado. Soube depois que o grupo tinha ficado completamente esfrangalhado e mesmo sem contacto visual entre os elementos, alguns dos quais (os da frente) sem GPS. Não havia muitas hipóteses de sair do estradão, mas mesmo assim não é agradável ficar sozinho na serra naquelas condições.
Reagrupados e com a informação que o estradão continuava em bom piso depois de atingir o topo (o SD já lá tinha ido e voltado), decidimos continuar e verificar se de facto conseguíamos encontrar o trilho, o que acabou por acontecer. Nessa altura voltámos a discutir as opções e a mais lógica seria tentar encontrar o caminho mais rápido para a Lousã. O estradão onde estávamos era de serviço às eólicas, pelo que devia ter ligação a uma estrada algures. O bom piso também ajudou na opção e andámos cerca de um quilómetro nele, sempre controlando a direcção em que nos levava. Pareceu, no entanto, que se afastava do nosso objectivo e arriscávamos a ir parar a um vale na vertente contrária da serra, pelo que voltámos a discutir as opções e decidimos voltar atrás e seguir o trilho até Gondramaz. Aí podíamos pedir indicações para a Lousã, porque havia estrada de certeza.
Deste estradão ao longo das eólicas ficam sensações que não consigo descrever, conjugando o som das pás a assobiar na atmosfera com as luzes a piscar ora claramente visíveis ora escondidas no meio das nuvens num ambiente com algo misterioso.
O caminho até Gondramaz, sempre a descer, não teve história, fizemo-lo com cuidado para não termos surpresas, dado que o piso era irregular. À chegada à aldeia encontrámos duas pessoas que não nos sabiam dar indicações, porque não eram de lá, mas nos forneceram uma indicação preciosa: tinha acabado de vir de Miranda do Corvo.
Isso queria dizer que havia estrada :-) .
Entrámos na aldeia e encontrámos uma senhora muito simpática a quem perguntámos o caminho para a Lousã. Para nosso espanto indicou-nos o trilho do PR15, ora esse sabíamos nós que não queríamos seguir. Pedimos um mapa e disse-nos que tinha um no café. Bingo! Mapa num café queria dizer que podíamos ingerir algo quente enquanto o consultávamos. Seguimo-la e verificámos que o mapa não estava “no”, mas “junto” ao café, num painel de informações para os caminhantes. Era de utilidade nula, uma vez que apenas referia os percursos pedestres da zona. Entrámos no café (que também era restaurante) e pedimos galões e chocolate quente. Não resistimos à proposta de ingerir umas sobremesas, tendo as opções sido mousse de chocolate e tigelada. Eu comi a tigelada que estava óptima, mas quem comeu a mousse diz que também estava muito boa.
Aproveitámos a pausa para organizar as ideias e voltar a vasculhar a cartografia do GPS. Encontramos a referência de três aldeias próximas sabendo que na última passava a EM555 que nos levaria à Lousã. Reformulámos a questão e perguntámos pela estrada que nos levaria a estas aldeias e a resposta já nos agradou, confirmando que era por onde nós pensávamos ser.
Terminado o repasto já com alguns clientes no restaurante prontos a jantar era tempo de nos fazermos à estrada. Um obrigado e adeus à senhora e aos clientes (dois dos quais eram as primeiras pessoas que encontrámos na aldeia) que nos desejaram boa viagem e devem ter ficado a pensar que éramos malucos.Isto mesmo pôde confirmar o APRO que lá regressou para almoçar no dia seguinte. A senhora não o reconheceu, então “à civil”, mas não deixou de comentar para quem o acompanhava que ele era maluco :-) .
Como referência, porque gostamos de publicitar os locais onde somos bem tratados, ficam os contactos do local: Pátio do Xisto – Turismo em Espaço Rural, Lda – http://www.patiodoxisto.pt
Mais um local a revisitar com mais tempo.
Os quilómetros até Espinho, onde encontraríamos a EM555, eram a descer e por estranho que pareça foram muito difíceis. Sem tempo para reaquecer os músculos, o vento fazia-nos tremer de frio por todos os lados, pelo que foi um alívio quando voltámos a subir já perto da EM555, que nos conduziu a bom porto, que é como quem diz à Lousã, onde tomámos um banho quente na Pousada, previamente tratado pelos outros quatro elementos, que entretanto já tinham jantado e partido da Lousã, não sem antes nos ligarem apara saberem como estávamos e nos darem as indicações necessárias para referirmos na Pousada.
Eram 21:13 quando largámos definitivamente as bicicletas, com 97 quilómetros e 2700m de ascendente. A média geral foi ridiculamente baixa, mas não deu para mais.
O APRO seguiu directamente para Coimbra, mas nós os três ainda fomos jantar antes de iniciar a viagem para Lisboa, assim terminando “um dia épico de BTT” como foi várias vezes apelidado.
Faltou o bocadinho depois de Gondramaz, mas havemos de lá voltar com condições mais propícias para fazer o percurso todo. Obrigado a todos pela excelente companhia nesta aventura e em especial ao PC pelo trabalho da organização.
PL»
2009-10-19
1ª Maratona BTT Cocheiros - Santo Aleixo da Restauração - 18 de Outubro de 2009
Mais um relato do TA.
Ainda bem que ele vai escrevendo alguma coisa, senão este blogue era uma pasmaceira de levar ao bocejo ;-).
Continua a este ritmo TA e mostra aos outros preguiçosos como se faz :-)...
"Após 2h30m de viagem cheguei finalmente a Santo Aleixo da Restauração uma aldeia no Concelho de Moura a dois passos de Espanha, mesmo a tempo de ver um excelente nascer do sol que aqueceu a alma numa manhã fria.
A partida começou pontualmente e os cerca de 300 atletas atacaram de pronto o percurso que teve um início bastante rápido. O traçado foi bem escolhido e se a nível de orientações estava bem delineado, já as zonas de perigo pareceram-me mal identificadas: a organização deu a indicação de que as zonas perigosas estavam assinaladas com umas folhas A4; até posso ser um bocado despassarado mas não vi uma única indicação.
A prova tinha algumas descidas e single tracks bastante técnicos com muita pedra solta (e muita bosta de vaca…) e várias passagens por linhas de água ou ribeiros secos. Na passagem de um desses ribeiros secos (e este tenho a certeza que não estava assinalado com um sinal de perigo) dei um trambolhão de todo o tamanho: o leito desse ribeiro apenas permitia uma passagem segura se fossemos encostados do lado esquerdo pois do lado direito o declive que se formava apenas permitia que a roda embatesse com violência na margem oposta. Conclusão: dei uma cambalhota por cima do guiador e fiz uns arranhões no tornozelo. Nem mesmo a troca do pneu da frente evitou que desse a minha queda. Estou a chegar à conclusão que ou o problema é meu ou da bicicleta que gosta de ter um contacto mais `terra-a-terra' com o solo. Creio que será mesmo a segunda possibilidade porque antes de trocar de montada raramente caí.
O trajecto teve uma curiosidade bem engraçada, a passagem por um percurso de motocross.
No final, após a zona de controlo, o traçado estendia-se num enorme estradão a direito que permitia massacrar o pedal na mudança mais pesada.
Após o banho e almoço tive ainda a oportunidade de passar na ambulância para desinfectar as feridas. Pelo que me contaram não era minimamente o que estava em pior estado: o `cliente' anterior tinha abraçado um arame farpado com braços e pernas e um outro tinha mesmo sido encaminhado para o hospital para levar pontos.
Para primeira experiência dou os meus sinceros parabéns à organização com as ressalvas que coloco abaixo.
Pontos positivos: o traçado escolhido, rápido e técnico; o preço (por 17 EUR tivemos direito a um jersey alusivo à prova e a almoço para além de outras lembranças).
Pontos a rever: a marcação das zonas perigosas deveria estar marcada com cartazes maiores que as folhas A4 ou com cores mais vivas; os banhos não eram quentes nem frios, eram gelados; o almoço era composto por uma autêntica sopa alentejana, de grão com o belo courato cheio de pêlo a boiar no caldo. Eu não desgostei (e até repeti) mas julgo que poderiam arranjar uma alternativa para estômagos mais sensíveis.
Dados:
Distância 40km
Acumulado 705m
Tempo 2h35m
Calorias 1864"
Ainda bem que ele vai escrevendo alguma coisa, senão este blogue era uma pasmaceira de levar ao bocejo ;-).
Continua a este ritmo TA e mostra aos outros preguiçosos como se faz :-)...
"Após 2h30m de viagem cheguei finalmente a Santo Aleixo da Restauração uma aldeia no Concelho de Moura a dois passos de Espanha, mesmo a tempo de ver um excelente nascer do sol que aqueceu a alma numa manhã fria.
A partida começou pontualmente e os cerca de 300 atletas atacaram de pronto o percurso que teve um início bastante rápido. O traçado foi bem escolhido e se a nível de orientações estava bem delineado, já as zonas de perigo pareceram-me mal identificadas: a organização deu a indicação de que as zonas perigosas estavam assinaladas com umas folhas A4; até posso ser um bocado despassarado mas não vi uma única indicação.
A prova tinha algumas descidas e single tracks bastante técnicos com muita pedra solta (e muita bosta de vaca…) e várias passagens por linhas de água ou ribeiros secos. Na passagem de um desses ribeiros secos (e este tenho a certeza que não estava assinalado com um sinal de perigo) dei um trambolhão de todo o tamanho: o leito desse ribeiro apenas permitia uma passagem segura se fossemos encostados do lado esquerdo pois do lado direito o declive que se formava apenas permitia que a roda embatesse com violência na margem oposta. Conclusão: dei uma cambalhota por cima do guiador e fiz uns arranhões no tornozelo. Nem mesmo a troca do pneu da frente evitou que desse a minha queda. Estou a chegar à conclusão que ou o problema é meu ou da bicicleta que gosta de ter um contacto mais `terra-a-terra' com o solo. Creio que será mesmo a segunda possibilidade porque antes de trocar de montada raramente caí.
O trajecto teve uma curiosidade bem engraçada, a passagem por um percurso de motocross.
No final, após a zona de controlo, o traçado estendia-se num enorme estradão a direito que permitia massacrar o pedal na mudança mais pesada.
Após o banho e almoço tive ainda a oportunidade de passar na ambulância para desinfectar as feridas. Pelo que me contaram não era minimamente o que estava em pior estado: o `cliente' anterior tinha abraçado um arame farpado com braços e pernas e um outro tinha mesmo sido encaminhado para o hospital para levar pontos.
Para primeira experiência dou os meus sinceros parabéns à organização com as ressalvas que coloco abaixo.
Pontos positivos: o traçado escolhido, rápido e técnico; o preço (por 17 EUR tivemos direito a um jersey alusivo à prova e a almoço para além de outras lembranças).
Pontos a rever: a marcação das zonas perigosas deveria estar marcada com cartazes maiores que as folhas A4 ou com cores mais vivas; os banhos não eram quentes nem frios, eram gelados; o almoço era composto por uma autêntica sopa alentejana, de grão com o belo courato cheio de pêlo a boiar no caldo. Eu não desgostei (e até repeti) mas julgo que poderiam arranjar uma alternativa para estômagos mais sensíveis.
Dados:
Distância 40km
Acumulado 705m
Tempo 2h35m
Calorias 1864"
2009-10-13
2009-10-02
Lisboa-Fátima - 26 e 27 de Setembro de 2009
Doze Just4funners chegaram ao Santuário cerca das 13:00 do dia 27 de Setembro no final da última "peregrinação" que fizemos, passados quase três anos da primeira vez que lá fomos.
O formato da viagem era já conhecido de alguns, com partida da Torre Vasco da Gama, a caminho da Nascente do Alviela no Sábado. Dormida em Alcanena para se arrancar no dia seguinte direitos a Fátima. Os estreantes estavam apreensivos, mas acabaram por concluir que o esforço, apesar de não ser negligenciável, não é para super-homens, e as caras de satisfação de todos revelavam a sensação de vitória que cada um sentia.
Além de aumentarmos o número de participantes, este ano alguns ciclistas aumentaram a distância a percorrer, pois uns saíram de casa logo a pedalar e outros continuaram por mais 50km depois de Fátima.
Para os que se ficaram por Fátima seguiu-se um banho nos balneários do Santuário e o almoço convívio no Crispim, que começa já a ser tradição. Há até quem diga que a próxima edição vai chamar-se Lisboa-Crispim. São uns ateus ;-)
O formato da viagem era já conhecido de alguns, com partida da Torre Vasco da Gama, a caminho da Nascente do Alviela no Sábado. Dormida em Alcanena para se arrancar no dia seguinte direitos a Fátima. Os estreantes estavam apreensivos, mas acabaram por concluir que o esforço, apesar de não ser negligenciável, não é para super-homens, e as caras de satisfação de todos revelavam a sensação de vitória que cada um sentia.
Além de aumentarmos o número de participantes, este ano alguns ciclistas aumentaram a distância a percorrer, pois uns saíram de casa logo a pedalar e outros continuaram por mais 50km depois de Fátima.
Para os que se ficaram por Fátima seguiu-se um banho nos balneários do Santuário e o almoço convívio no Crispim, que começa já a ser tradição. Há até quem diga que a próxima edição vai chamar-se Lisboa-Crispim. São uns ateus ;-)
Rota da Sopa da Pedra - Almeirim - 20 de Setembro de 2009
Relato do TA:
"No meu dicionário Almeirim tem um significado: Sopa da Pedra. E era esse mesmo o prémio que eu esperava no final da prova. Desta vez iria com dois companheiros do pedal, o Henrique e o Bruno. Após os preparativos iniciais o evento iniciou-se às 9h05m e os cerca de 750 atletas iniciaram a prova da maratona (75km) e meia-maratona (40 km). Para além destas duas provas havia ainda um passeio guiado de 25 km.
Após a volta de apresentação, assim que nos preparávamos para pisar terra a bicicleta à minha frente derrapa na gravilha e vejo o primeiro espalho do dia, mesmo aos pés de alguns elementos da organização… e ainda só tinham passado 5kms! Não era bom augúrio!
O percurso era relativamente rápido sem inclinações de maior. As únicas coisas que iam diminuindo o andamento eram alguns atletas não acreditarem um pouco mais neles próprios: assim que se deparavam com uma subida, grande ou pequena, inclinada ou nem por isso, desmontavam e seguiam a pé, dificultando os restantes elementos. Ainda tentei uma vez ou outra vez furar por entre as fileiras mas normalmente o caminho ao meio é de pior qualidade (com pedra solta e areia) e tinha forçosamente de lhes seguir o exemplo. Outra coisa que atrasava bastante era precisamente os inúmeros bancos de areia… Para mim a areia deveria estar nas praias ou desertos. A bicicleta parecia ganhar vida, pronta a atirar-me ao chão a qualquer momento.
Ao fim de 25 km chegámos à primeira ZA já eu tinha perdido os meus colegas. Esperei uns 5 minutos enquanto repunha água e comia qualquer coisita (havia bastante fruta e bolos) e o Henrique chega. Ele vinha a acompanhar o Bruno para quem a prova não estava a correr bem, estava branco, mal-disposto e com tremores. Após comer ficou fino e cortou para os 40 km.
Logo a seguir a essa paragem havia a separação dos trilhos. Após uma descida à base de areia uma autêntica parede… de areia pois claro. Seria qualquer coisa como uns 200 metros com um grau de inclinação de respeito. Atirei-me a ela mas não devo ter feito mais de 50 metros. Subi o resto a pé e mesmo assim tive dificuldade em fixar os pés na subida.
Nos 10 a 15 km seguintes cruzo com três zonas de abastecimento de líquidos.
Estranhei a proximidade mas aproveitei para meter conversa e queixar-me da areia. Prometeram-me que para o ano estaria tudo alcatroado. Espero que não mas estarei lá para ver .
A partir da altura em que se deu a separação dos trilhos a quantidade de ciclistas diminui radicalmente: apenas vi mais 10 ou 12 ciclistas após a divisão.
O caminho a partir daí apresentava-se mais acidentado e deparei-me com uma descida bem engraçada pois tinha 4 ou 5 saltos que só com o balanço nos lançavam pelo ar. Numa outra mais inclinada, dei finalmente um trambolhão decente na minha nova bicicleta (até aqui somei 4 quedas completamente idiotas): no final de uma descida sempre a direito verifico que terminar com um cotovelo à direita.
Força nos travões e quando quero virar… um palmo da minha amiga areia. Pelo menos se foi ela que me fez cair também foi ela que evitou que me magoasse. Foi só levantar (endireitar o selim) e seguir.
Aí pelos 60 km chego ao último abastecimento onde só encontrei água e fruta.
Pela frente faltavam 15 km e onde encontrei uma descida não muito inclinada mas bastante comprida mesmo ao lado duma vinha. Devo dizer que desci de forma bastante inconsciente a pensar que mais metro menos metro o meu dentista ia ter notícias minhas.
A partir daí o percurso voltou a ter poucas inclinações mas mesmo assim a perna queixou-se de uma cãibra nos instantes finais. Faltava pouco mais de 5 km pelo que guardei a dor para me queixar depois da meta.
Umas notas sobre a organização:
Nota positiva em relação à marcação do trajecto, todo o caminho estava muito bem delineado. Outra nota positiva para o almoço: os 15 EUR da inscrição davam direito à tão afamada sopa, febras, doces variados, fruta, café (mas não descafeinado, vá-se lá saber porquê) e a prémio para os 5 primeiros de cada percurso (tanto para eles como para elas).
Nota negativa pela selecção de alguns percursos, se era difícil fugir à areia julgo que poderiam ter optado por colocar single tracks (especialmente quando são a subir) após a separação dos dois trajectos ou após alguma subida que permitisse o espaçamento dos quase 750 atletas. Nota negativa também pela escolha dos locais de abastecimento de líquidos, não serve de muito ter paragens de 5 em 5km e depois ficar 25 sem ver vivalma, até porque se cruzaram duas ou três zonas marcadas como perigosas e que a ajuda mais próxima ficaria a uns 15km.
Actualizei o meu dicionário, agora Almeirim para além de significar sopa da pedra é também sinónimo de boa gente… e muita areia.
Dados:
Distância 75km
Acumulado 1192m
Tempo 4h50m
Calorias aprox 3200"
"No meu dicionário Almeirim tem um significado: Sopa da Pedra. E era esse mesmo o prémio que eu esperava no final da prova. Desta vez iria com dois companheiros do pedal, o Henrique e o Bruno. Após os preparativos iniciais o evento iniciou-se às 9h05m e os cerca de 750 atletas iniciaram a prova da maratona (75km) e meia-maratona (40 km). Para além destas duas provas havia ainda um passeio guiado de 25 km.
Após a volta de apresentação, assim que nos preparávamos para pisar terra a bicicleta à minha frente derrapa na gravilha e vejo o primeiro espalho do dia, mesmo aos pés de alguns elementos da organização… e ainda só tinham passado 5kms! Não era bom augúrio!
O percurso era relativamente rápido sem inclinações de maior. As únicas coisas que iam diminuindo o andamento eram alguns atletas não acreditarem um pouco mais neles próprios: assim que se deparavam com uma subida, grande ou pequena, inclinada ou nem por isso, desmontavam e seguiam a pé, dificultando os restantes elementos. Ainda tentei uma vez ou outra vez furar por entre as fileiras mas normalmente o caminho ao meio é de pior qualidade (com pedra solta e areia) e tinha forçosamente de lhes seguir o exemplo. Outra coisa que atrasava bastante era precisamente os inúmeros bancos de areia… Para mim a areia deveria estar nas praias ou desertos. A bicicleta parecia ganhar vida, pronta a atirar-me ao chão a qualquer momento.
Ao fim de 25 km chegámos à primeira ZA já eu tinha perdido os meus colegas. Esperei uns 5 minutos enquanto repunha água e comia qualquer coisita (havia bastante fruta e bolos) e o Henrique chega. Ele vinha a acompanhar o Bruno para quem a prova não estava a correr bem, estava branco, mal-disposto e com tremores. Após comer ficou fino e cortou para os 40 km.
Logo a seguir a essa paragem havia a separação dos trilhos. Após uma descida à base de areia uma autêntica parede… de areia pois claro. Seria qualquer coisa como uns 200 metros com um grau de inclinação de respeito. Atirei-me a ela mas não devo ter feito mais de 50 metros. Subi o resto a pé e mesmo assim tive dificuldade em fixar os pés na subida.
Nos 10 a 15 km seguintes cruzo com três zonas de abastecimento de líquidos.
Estranhei a proximidade mas aproveitei para meter conversa e queixar-me da areia. Prometeram-me que para o ano estaria tudo alcatroado. Espero que não mas estarei lá para ver .
A partir da altura em que se deu a separação dos trilhos a quantidade de ciclistas diminui radicalmente: apenas vi mais 10 ou 12 ciclistas após a divisão.
O caminho a partir daí apresentava-se mais acidentado e deparei-me com uma descida bem engraçada pois tinha 4 ou 5 saltos que só com o balanço nos lançavam pelo ar. Numa outra mais inclinada, dei finalmente um trambolhão decente na minha nova bicicleta (até aqui somei 4 quedas completamente idiotas): no final de uma descida sempre a direito verifico que terminar com um cotovelo à direita.
Força nos travões e quando quero virar… um palmo da minha amiga areia. Pelo menos se foi ela que me fez cair também foi ela que evitou que me magoasse. Foi só levantar (endireitar o selim) e seguir.
Aí pelos 60 km chego ao último abastecimento onde só encontrei água e fruta.
Pela frente faltavam 15 km e onde encontrei uma descida não muito inclinada mas bastante comprida mesmo ao lado duma vinha. Devo dizer que desci de forma bastante inconsciente a pensar que mais metro menos metro o meu dentista ia ter notícias minhas.
A partir daí o percurso voltou a ter poucas inclinações mas mesmo assim a perna queixou-se de uma cãibra nos instantes finais. Faltava pouco mais de 5 km pelo que guardei a dor para me queixar depois da meta.
Umas notas sobre a organização:
Nota positiva em relação à marcação do trajecto, todo o caminho estava muito bem delineado. Outra nota positiva para o almoço: os 15 EUR da inscrição davam direito à tão afamada sopa, febras, doces variados, fruta, café (mas não descafeinado, vá-se lá saber porquê) e a prémio para os 5 primeiros de cada percurso (tanto para eles como para elas).
Nota negativa pela selecção de alguns percursos, se era difícil fugir à areia julgo que poderiam ter optado por colocar single tracks (especialmente quando são a subir) após a separação dos dois trajectos ou após alguma subida que permitisse o espaçamento dos quase 750 atletas. Nota negativa também pela escolha dos locais de abastecimento de líquidos, não serve de muito ter paragens de 5 em 5km e depois ficar 25 sem ver vivalma, até porque se cruzaram duas ou três zonas marcadas como perigosas e que a ajuda mais próxima ficaria a uns 15km.
Actualizei o meu dicionário, agora Almeirim para além de significar sopa da pedra é também sinónimo de boa gente… e muita areia.
Dados:
Distância 75km
Acumulado 1192m
Tempo 4h50m
Calorias aprox 3200"
2009-09-13
Passeio da Terrugem - 13 de Setembro de 2009
Uma das diferenças entre um ciclista que enverga a camisola das bicicletas sorridentes e os outros pode ser constatada nas fotos abaixo, tiradas no final do passeio da Terrugem.
O RB, orgulhoso da camisola, aparece em grande plano.
O JP, com uma camisola da concorrência, aparece meio desfocado lá atrás de um outro ciclista, não se percebendo bem quem é quem :-).jpg)
Editado em 15 de Setembro de 2009: Relato do JP
"Foi uma manhã animada e muito bem passada! A afluência superou a expectativas, pelo que só houve dorsais até aos 500 participantes. Assim, muita gente participou sem dorsal e sem ter recebido as normais lembranças, mas ficou a promessa de dentro de mais ou menos 2 semanas terem na loja o seu devido saquinho com tudo o que tinha direito.
Eu que só fiz a inscrição pouco antes da partida, também não teria dorsal não fosse o amigo DN que gentilmente me cedeu o dele, dado que não podia participar. Já agora, DN, não houve prémios ao número 278.
No final e quando se chegava à meta, tínhamos direito a um rifa. A minha até foi premiada com um cadeado. Houve logo certas bocas da reacção... que diziam valer mais o cadeado do que a máquina. Pffffffff.... Não foi amigo PL? :p
Quanto à volta em si, os mais de 600 participantes saíram já com cerca de meia hora de atraso em relação ao previsto, pois ainda houve lugar ao sorteio de 3 bicicletas, alguns voucher de viagens, assim como refeições completas em restaurantes da zona, mas lá partiram felizes e contentes para os anunciados 30 e 50 kms de percurso, conforme aquilo a que se propunham.
O percurso em si era engraçado e confesso que já sentia saudades daqueles que foram os caminhos dos meus primórdios ciclísticos. Alguns deles vocês também já tiveram oportunidade de por lá andar. Um ligeiro senão, foi a presença de dois pontos com bastante areia o que não só pela dificuldade que acresce à passagem, mas também pelo desgaste acrescido que trás aos materiais, seria de evitar. O que, e conhecendo a zona como a conheço, era perfeitamente viável!
Tratava-se de um passeio. Não tinha qualquer objectivo de classificação nem tempos atribuídos, mas como é costume nestes passeios de andamento livre, ninguém quer ficar para trás e grande parte dos participantes transformam-se imediatamente em concorrentes, logo após o sinal de partida. Eu próprio o faço e desde que não prejudique o passeio a ninguém, nem tão pouco ultrapasse as regras normais destes
eventos, reservo-me ao direito de poder chegar mais cansado em relação aquilo que poderia chegar! :)
O amigo Rui Berrincha que há mais de 1 ano não andava nestas lides, lá fez uma perninha e alinhou na distância mais curta com muito entusiasmo. Parecia um miúdo a quem de repente se deixa ir brincar à rua! eheheheh. Divertiu-se, matou saudades, não se magoou e mesmo que hoje esteja um pouco dorido... foi por uma boa causa e amanhã já estará melhor! ;)
E pronto, aqui ficou um breve relato daquilo que foi este passeio que praticamente me entrou pelo portão de casa....! :)"
O RB, orgulhoso da camisola, aparece em grande plano.
O JP, com uma camisola da concorrência, aparece meio desfocado lá atrás de um outro ciclista, não se percebendo bem quem é quem :-).jpg)
Editado em 15 de Setembro de 2009: Relato do JP
"Foi uma manhã animada e muito bem passada! A afluência superou a expectativas, pelo que só houve dorsais até aos 500 participantes. Assim, muita gente participou sem dorsal e sem ter recebido as normais lembranças, mas ficou a promessa de dentro de mais ou menos 2 semanas terem na loja o seu devido saquinho com tudo o que tinha direito.
Eu que só fiz a inscrição pouco antes da partida, também não teria dorsal não fosse o amigo DN que gentilmente me cedeu o dele, dado que não podia participar. Já agora, DN, não houve prémios ao número 278.
No final e quando se chegava à meta, tínhamos direito a um rifa. A minha até foi premiada com um cadeado. Houve logo certas bocas da reacção... que diziam valer mais o cadeado do que a máquina. Pffffffff.... Não foi amigo PL? :p
Quanto à volta em si, os mais de 600 participantes saíram já com cerca de meia hora de atraso em relação ao previsto, pois ainda houve lugar ao sorteio de 3 bicicletas, alguns voucher de viagens, assim como refeições completas em restaurantes da zona, mas lá partiram felizes e contentes para os anunciados 30 e 50 kms de percurso, conforme aquilo a que se propunham.
O percurso em si era engraçado e confesso que já sentia saudades daqueles que foram os caminhos dos meus primórdios ciclísticos. Alguns deles vocês também já tiveram oportunidade de por lá andar. Um ligeiro senão, foi a presença de dois pontos com bastante areia o que não só pela dificuldade que acresce à passagem, mas também pelo desgaste acrescido que trás aos materiais, seria de evitar. O que, e conhecendo a zona como a conheço, era perfeitamente viável!
Tratava-se de um passeio. Não tinha qualquer objectivo de classificação nem tempos atribuídos, mas como é costume nestes passeios de andamento livre, ninguém quer ficar para trás e grande parte dos participantes transformam-se imediatamente em concorrentes, logo após o sinal de partida. Eu próprio o faço e desde que não prejudique o passeio a ninguém, nem tão pouco ultrapasse as regras normais destes
eventos, reservo-me ao direito de poder chegar mais cansado em relação aquilo que poderia chegar! :)
O amigo Rui Berrincha que há mais de 1 ano não andava nestas lides, lá fez uma perninha e alinhou na distância mais curta com muito entusiasmo. Parecia um miúdo a quem de repente se deixa ir brincar à rua! eheheheh. Divertiu-se, matou saudades, não se magoou e mesmo que hoje esteja um pouco dorido... foi por uma boa causa e amanhã já estará melhor! ;)
E pronto, aqui ficou um breve relato daquilo que foi este passeio que praticamente me entrou pelo portão de casa....! :)"
2009-09-10
Maratona de Óbidos - 6 de Setembro de 2009
Relato do JP:“Só para dar uma "achega", demorei qualquer coisa como 4h38m36s para completar os 80 km do percurso. Cheguei em 96º lugar, dos 166 que terminaram...! Houve muitas desistências, pois estavam confirmados 248 concorrentes a esta distância, tal era a dureza da 2ª parte da maratona!
Uma vez que tive acesso ao percurso na véspera, deu logo para ver que a coisa não ia ser tão pacífica quanto no ano anterior! Depois de percorrermos os primeiros 39 km no mesmo percurso de quem correu na meia-maratona, até aqui tínhamos cerca de 500 m de acumulado, coisa soft..., a partir daqui é que a coisa se complicou, pois restavam 41 km apenas mas com cerca de 1400 m de acumulado, completando assim os quase 1900 m anunciados de acumulado em 80 km. Considerável...!
Receei esta 2ª parte da maratona e acautelando, preferi gerir o esforço durante toda a primeira parte. Passei na divisão de percursos aos 39 kms, com 1h58m, e dentro daquilo que havia pensado, para não pagar mais adiante...! Pouco adiantou, pois o tempo perdido aqui não proporcionou um melhor andamento mais à frente. O percurso endureceu quase de imediato e a grande parte do acumulado que atrás relatei estava em 3 ou 4 autênticas paredes. Paredes essas, daquelas feitas em "empurrabike" por todos os concorrentes que eu vi. Logo eu que detesto andar em "empurrabike" fartei-me de dizer mal da vidinha, por não me ter inscrito na meia maratona (com o tempo de passagem e com um pouco mais de esforço, facilmente me colocaria entre os 50 primeiros naquela distância). Paciência, havia que levar o esforço até ao fim. Assim prossegui e lá cheguei à famosa subiiiiiiiida ao castelo, terminando lá bem no alto com as tais 4h38h36s depois da partida. Não sem antes ter voltado a dizer mal da vidinha quando por diversas vezes andava "ziguezagueando" em grandes bancos de areia que teimavam em dificultar a progressão!
Como ligeiro reparo, acho até que se deveria fazer uma melhor selecção de caminhos de modo a evitar este tipo de situações. Por acaso, gostaria de ter visto a organização a fazer o reconhecimento ao percurso e ver quantos deles conseguiram subir aquilo por onde tivemos de passar...! Não me pronuncio em relação aos "atletas da frente", pois esses são de outros campeonatos...!
O percurso apesar de tudo era muito engraçado e a paisagem também! Estava extremamente bem marcado e com bons abastecimentos. Parabéns à organização nestes aspectos. Já quanto ao cumprimento de horário de partida e principalmente ao almoço, aqui tenho de dizer mal! Apesar de por várias vezes terem dito que o horário ía ser cumprido, tardou em cerca de 15 minutos e segundo eles, devido aos atrasados... !! No almoço, os mesmos problemas do ano anterior. Se por um lado o almoço foi bem melhor, e o espaço escolhido ao ar livre era muito agradável, estar pregado ao sol durante mais de uma hora é que não se tornou de todo agradável! Ora porque o serviço era lento, ora porque a comida tinha acabado e havia que aguardar pela chegada de mais tabuleiros etc. e tal...!
Bem sei que servir refeições para 700 participantes, mais alguns familiares e/ou amigos não é coisa fácil, por isso, cada vez mais acho que é de bom-tom deixar à consideração dos participantes a possibilidade de se fazer as inscrições com ou sem almoço. Assim, cada um é livre de optar pelo que achar mais conveniente! Ter de se pagar 20€ de inscrição e ter de desistir das filas para se ir almoçar fora, como me apercebi que alguns estavam a fazer, é que não é boa solução!
Pronto, já está o relato, os elogios merecidos onde foram merecidos, e também as críticas que acho que deveriam de ser feitas! Se somos pagantes, temos o direito de reclamar! Isto, para não sermos radicais e começarmos logo a dizer que assim nunca mais e coisa e tal....!
E pronto, foram estas as façanhas do (único) gajo do equipamento das carinhas sorridentes, na Maratona de Óbidos de 2009.
JP”
2009-08-29
Trilhos de Baco - Vidigueira - 23 de Agosto de 2009
Relato do TA, mais recente "aquisição" dos Just4Fun:
"O toque de alvorada às 5h15m (ainda por cima a deitar-me tarde) fazia-me crer que a prova não ia ser de boa memória. Após arrumarmos o equipamento no carro segui junto com o Henrique, o único a aceitar o convite, rumo à Vidigueira: 'Trilhos de Baco'. Esta é mais uma daquelas provas míticas na qual ainda não havia participado. E se isso não fosse motivo suficiente para participar nesta prova, a contribuição aos soldados da paz da Vidigueira seriam-no certamente (15 EUR sem direito a almoço mas com recibo para descontar no IRS por ser um donativo aos Bombeiros, com almoço seria mais 10 EUR). Inicialmente tinha previsto ir lá passar a noite e participar no passeio nocturno mas optei por ir apenas à maratona. Após um bom pequeno-almoço, apesar do preço cobrado na estação de serviço da auto-estrada), seguimos rumo ao local da prova.
Faltava ainda meia horita, o suficiente para tratar da bicicleta e levantar o dorsal (que incluía a habitual t-shirt, uma garrafinha de vinho branco da zona e outra de azeite). Após a concentração dos cerca de 750 aventureiros a partida deu-se pontualmente às 9h. Estava com algum receio da prova: 70kms no interior alentejano em pleno Agosto não seria pêra doce. Após um reajuste no banco seguimos em direcção aos trilhos de terra.
Na realidade a prova estava a correr da melhor forma, tanto que após uma hora já tínhamos chegado ao primeiro posto de abastecimento. Parece que infelizmente para alguns a prova não estava a correr tão bem pois, antes de chegarmos a esta paragem, cruzámo-nos com uma ambulância em marcha de urgência.
Após comermos e nos refrescarmos, pois convinha não deixar o calor vencer, seguimos para o segundo troço. Acordámos que iríamos abrandar o ritmo para não nos desgastarmos demasiado. Após umas subidas que considerámos bastante simples de ultrapassar e descidas bem rasgadinhas, chegámos a meio da prova, perto das antenas, com duas horas de prova. Mesmo abrandando, o ritmo era alto. Novo reforço alimentar (com melão, bananas e uns bolos muito agradáveis) e de líquidos (água e Coca-Cola), mais um pouco de óleo na corrente (por sinal presente em todos os abastecimentos) e voltámos à carga. Era também aqui que o percurso se separava, 40km em frente, 70 para a esquerda a subir até às antenas.
Aí a vista era fantástica e os trilhos também: um carrossel alucinante com umas descidas tão compridas que quase não era preciso pedalar para vencer as subidas. Parecia tudo correr da melhor forma até que o Henrique se queixou de cãibras. Também a minha perna direita apresentava os primeiros sinais de fadiga, julgo eu, provocados pela prova da Malveira na semana anterior. Decidi acompanhar o Henrique nos restantes km da prova, ainda faltariam 25 para o final. O ritmo desceu consideravelmente e era necessário encontrar o equilíbrio entre o pedal e a cãibra que teimava em moer. As pequenas paragens para descansar, esticar, massajar os músculos sucediam-se. Mais uma banana, um pouco de gel e água e seguimos viagem. Mais umas descidas, estas indicadas como perigosas, fosse pela pedra solta ou pelos regos. Quase caía, não pela dificuldade do percurso mas porque os pneus não me inspiram muita confiança: escorregam demasiado em terra. Aos 48km havia uma paragem apenas de água. Esperávamos um posto de abastecimento aos 50 mas afinal só apareceu aos 55. Foi a única coisa a apontar em toda a organização. Entre o km 50 e 55 o percurso foi essencialmente a subir, pouco inclinado mas durante bastante tempo e o calor começava a apertar. Estariam seguramente mais de 40º C. No final da terra o acesso ao 3º posto de abastecimento era uma enorme descida em alcatrão com duas ou três curvas em cotovelo.
Mais água, mais fruta, mais bolos, estica aqui massaja além e estávamos preparados para o último troço. O terreno ia ter muito poucas oscilações mas a perna do Henrique atingiu o limite. Desmontámos. Seguimos até ao final da subida a pé. A vista essa era fantástica, junto a um campo de girassóis. Para mim o Alentejo é assim: seco, por vezes árido, tórrido mas de uma beleza sem igual. Passámos algumas vinhas onde já não havia sombras para nos escondermos. Descarreguei parte da água por cima. Estava quentinha mas deu para esfriar um pouco o corpo. Atravessámos mais um troço de alcatrão e o Henrique voltou a desmontar. Faltavam uns míseros 5kms. E eram para ser feitos. Animei como pude o Henrique e até consegui puxá-lo para um pequeno sprint. Subimos até ao último posto de controlo mesmo à entrada da Vidigueira, bastava fazer um troço em terra – a descer – e a chegada à meta era logo a seguir. Fomos quase os últimos mas terminámos a prova.
No próximo ano estarei lá de novo, seguramente acompanhado por um grupo maior: pelo prazer de pedalar, pelo prazer que as paisagens do Alentejo me dão e pelo prazer de contribuir para que o esforço e dedicação dos Bombeiros Voluntários da Vidigueira não se extinga.
Dados:
Distância 70km
Acumulado 1300m
Tempo 5h40m
Calorias 3075"
"O toque de alvorada às 5h15m (ainda por cima a deitar-me tarde) fazia-me crer que a prova não ia ser de boa memória. Após arrumarmos o equipamento no carro segui junto com o Henrique, o único a aceitar o convite, rumo à Vidigueira: 'Trilhos de Baco'. Esta é mais uma daquelas provas míticas na qual ainda não havia participado. E se isso não fosse motivo suficiente para participar nesta prova, a contribuição aos soldados da paz da Vidigueira seriam-no certamente (15 EUR sem direito a almoço mas com recibo para descontar no IRS por ser um donativo aos Bombeiros, com almoço seria mais 10 EUR). Inicialmente tinha previsto ir lá passar a noite e participar no passeio nocturno mas optei por ir apenas à maratona. Após um bom pequeno-almoço, apesar do preço cobrado na estação de serviço da auto-estrada), seguimos rumo ao local da prova.
Faltava ainda meia horita, o suficiente para tratar da bicicleta e levantar o dorsal (que incluía a habitual t-shirt, uma garrafinha de vinho branco da zona e outra de azeite). Após a concentração dos cerca de 750 aventureiros a partida deu-se pontualmente às 9h. Estava com algum receio da prova: 70kms no interior alentejano em pleno Agosto não seria pêra doce. Após um reajuste no banco seguimos em direcção aos trilhos de terra.
Na realidade a prova estava a correr da melhor forma, tanto que após uma hora já tínhamos chegado ao primeiro posto de abastecimento. Parece que infelizmente para alguns a prova não estava a correr tão bem pois, antes de chegarmos a esta paragem, cruzámo-nos com uma ambulância em marcha de urgência.
Após comermos e nos refrescarmos, pois convinha não deixar o calor vencer, seguimos para o segundo troço. Acordámos que iríamos abrandar o ritmo para não nos desgastarmos demasiado. Após umas subidas que considerámos bastante simples de ultrapassar e descidas bem rasgadinhas, chegámos a meio da prova, perto das antenas, com duas horas de prova. Mesmo abrandando, o ritmo era alto. Novo reforço alimentar (com melão, bananas e uns bolos muito agradáveis) e de líquidos (água e Coca-Cola), mais um pouco de óleo na corrente (por sinal presente em todos os abastecimentos) e voltámos à carga. Era também aqui que o percurso se separava, 40km em frente, 70 para a esquerda a subir até às antenas.
Aí a vista era fantástica e os trilhos também: um carrossel alucinante com umas descidas tão compridas que quase não era preciso pedalar para vencer as subidas. Parecia tudo correr da melhor forma até que o Henrique se queixou de cãibras. Também a minha perna direita apresentava os primeiros sinais de fadiga, julgo eu, provocados pela prova da Malveira na semana anterior. Decidi acompanhar o Henrique nos restantes km da prova, ainda faltariam 25 para o final. O ritmo desceu consideravelmente e era necessário encontrar o equilíbrio entre o pedal e a cãibra que teimava em moer. As pequenas paragens para descansar, esticar, massajar os músculos sucediam-se. Mais uma banana, um pouco de gel e água e seguimos viagem. Mais umas descidas, estas indicadas como perigosas, fosse pela pedra solta ou pelos regos. Quase caía, não pela dificuldade do percurso mas porque os pneus não me inspiram muita confiança: escorregam demasiado em terra. Aos 48km havia uma paragem apenas de água. Esperávamos um posto de abastecimento aos 50 mas afinal só apareceu aos 55. Foi a única coisa a apontar em toda a organização. Entre o km 50 e 55 o percurso foi essencialmente a subir, pouco inclinado mas durante bastante tempo e o calor começava a apertar. Estariam seguramente mais de 40º C. No final da terra o acesso ao 3º posto de abastecimento era uma enorme descida em alcatrão com duas ou três curvas em cotovelo.
Mais água, mais fruta, mais bolos, estica aqui massaja além e estávamos preparados para o último troço. O terreno ia ter muito poucas oscilações mas a perna do Henrique atingiu o limite. Desmontámos. Seguimos até ao final da subida a pé. A vista essa era fantástica, junto a um campo de girassóis. Para mim o Alentejo é assim: seco, por vezes árido, tórrido mas de uma beleza sem igual. Passámos algumas vinhas onde já não havia sombras para nos escondermos. Descarreguei parte da água por cima. Estava quentinha mas deu para esfriar um pouco o corpo. Atravessámos mais um troço de alcatrão e o Henrique voltou a desmontar. Faltavam uns míseros 5kms. E eram para ser feitos. Animei como pude o Henrique e até consegui puxá-lo para um pequeno sprint. Subimos até ao último posto de controlo mesmo à entrada da Vidigueira, bastava fazer um troço em terra – a descer – e a chegada à meta era logo a seguir. Fomos quase os últimos mas terminámos a prova.
No próximo ano estarei lá de novo, seguramente acompanhado por um grupo maior: pelo prazer de pedalar, pelo prazer que as paisagens do Alentejo me dão e pelo prazer de contribuir para que o esforço e dedicação dos Bombeiros Voluntários da Vidigueira não se extinga.
Dados:
Distância 70km
Acumulado 1300m
Tempo 5h40m
Calorias 3075"
2009-08-18
Passeio FEXPOMALVEIRA - 16 de Agosto de 2009
Relato do SD:
"Domingo dia 16 de Agosto, os Just4Fun marcaram presença na FExpoMalveira2009. Eu, o João Pedro, o Nuno (presente no passeio que fizemos a Muge) e o Tiago (colega da CGD) apontámos todos como heróis para o passeio dos 50Km.
Desde já uma palavra à Organização que me surpreendeu pela positiva. O passeio que estava previsto para arrancar às 9:00 arrancou às 9:17. É bom lembrar as 500 inscrições, ainda assim, os 17 minutos foram passados com o tradicional briefing seguindo-se o sorteio de um GPS Garmin bem como equipamento da equipa Liberty Seguros. Normalmente os sorteios estão reservados para o final do evento e obrigam os participantes por vezes a longas esperas por isso, o meu aplauso pelo modus operandi. Os elogios à organização continuam pois o percurso estava muito bem marcado (apesar de me ter enganado uma vez mas a culpa foi exclusivamente minha), os abastecimentos foram óptimos (recordo-me de uns bocadinhos de pão cobertos com doce) e havia sempre malta da organização e também GNR nos cruzamentos com o asfalto (tanto quanto me lembro, só não havia num). Quem gosta de álcool ainda pôde fazer o gostinho à goela com umas mines que a organização tinha nos abastecimentos. Foi a primeira vez que vi isto…
O passeio em si, deu trabalho. Apesar de saber como é a zona em redor da Malveira imaginei que os 50Km iam ser piece of cake mas enganei-me. Estava tão convencido que ia passear que nem retirei o lastro que suporta a cadeirinha que transporto na bicicleta à semana. Nas subidas quando me lembrava que podia ir mais de um quilo mais leve só me chamava nomes. Houve ali muito trabalhinho durante as 3:31 que demorei a chegar novamente à Malveira. Esgotei a transmissão e cheguei a andar com a ‘moeda’ atrás, pois só assim se venciam algumas autênticas paredes. Em alguns sítios a bicicleta subia mesmo para as costas dos trepadores, especialmente em algumas zonas de muita pedra. Sim, estes 50km foram bem fustigados nesse sentido pois apanhámos muitas zonas de piso demolidor. Mas este passeio não se fez só de subidas, descidas também as houve. E que descidas!! No briefing a organização deu a conhecer a zona do Gerês como uma zona muito técnica, perigosa e como tal opcional. Quem não se sentisse à vontade para passar pelo Gerês tinha uma alternativa. O Gerês acrescentava cerca de 2Km ao percurso e quando dou por mim lá estava a fazer o seu sigle track. Ao princípio achei a coisa engraçada e procurei não pensar muito. Descidas feitas com as rodas bloqueadas, precipício do lado esquerdo, curva à direita seguida de curva à esquerda e… descida brutal em frente. Imaginei que a coisa não ía correr muito bem até porque havia um gancho pronunciado à direita no fim da descida, pelo que tive o juízo de desmontar. Acho que foi a melhor opção. Segundo o JP, foi neste início de descida que ele caiu mas felizmente sem qualquer consequências. Devido à queda a corrente saltou-lhe e teve ainda uns instantes a tentar recolocá-la pois esta ficara entalada custando a sair.
Os últimos metros incluíam um lance de escadas algo prolongado e aqui o Nuno chegou a furar mas o carro estava a escassos metros e a meta ali à vista.
No fim soube também que o Tiago tinha tido um azar e caíra, felizmente também sem consequências de maior e que também tivera um furo mas conseguiu ir remediando dando umas bombadas.
Acabámos todos por fazer o passeio mais ou menos de uma forma individual. Após 50m da partida parei e estive uns instantes de volta de uma câmara que imprevisivelmente ficara sem pilhas. Por este motivo não tenho registo fotográfico. Recuperei e apanhei o Tiago mas também rapidamente o perdi pois estávamos ainda no início da prova e estava por ali muita gente. Ainda tentei ir buscar o JP mas nunca cheguei a ver a ‘cenoura’ (mas alguma vez eu ia buscar o JP…!). Após a chegada, novo abastecimento e neste, encontro o JP que me diz ter chegado à instantes. Eram 13h. Afinal a cenoura não estava muito longe…
Gostei da volta (para mim perdeu a classificação de passeio!) e da sua organização como expliquei atrás. Os 50Km foram por mim percorridos em 3h31m, com um média de 14,20 Km/h. Considero esta média baixa mas atendendo ao 1495,33m de acumulado, talvez não seja tão má quanto isso."
"Domingo dia 16 de Agosto, os Just4Fun marcaram presença na FExpoMalveira2009. Eu, o João Pedro, o Nuno (presente no passeio que fizemos a Muge) e o Tiago (colega da CGD) apontámos todos como heróis para o passeio dos 50Km.
Desde já uma palavra à Organização que me surpreendeu pela positiva. O passeio que estava previsto para arrancar às 9:00 arrancou às 9:17. É bom lembrar as 500 inscrições, ainda assim, os 17 minutos foram passados com o tradicional briefing seguindo-se o sorteio de um GPS Garmin bem como equipamento da equipa Liberty Seguros. Normalmente os sorteios estão reservados para o final do evento e obrigam os participantes por vezes a longas esperas por isso, o meu aplauso pelo modus operandi. Os elogios à organização continuam pois o percurso estava muito bem marcado (apesar de me ter enganado uma vez mas a culpa foi exclusivamente minha), os abastecimentos foram óptimos (recordo-me de uns bocadinhos de pão cobertos com doce) e havia sempre malta da organização e também GNR nos cruzamentos com o asfalto (tanto quanto me lembro, só não havia num). Quem gosta de álcool ainda pôde fazer o gostinho à goela com umas mines que a organização tinha nos abastecimentos. Foi a primeira vez que vi isto…
O passeio em si, deu trabalho. Apesar de saber como é a zona em redor da Malveira imaginei que os 50Km iam ser piece of cake mas enganei-me. Estava tão convencido que ia passear que nem retirei o lastro que suporta a cadeirinha que transporto na bicicleta à semana. Nas subidas quando me lembrava que podia ir mais de um quilo mais leve só me chamava nomes. Houve ali muito trabalhinho durante as 3:31 que demorei a chegar novamente à Malveira. Esgotei a transmissão e cheguei a andar com a ‘moeda’ atrás, pois só assim se venciam algumas autênticas paredes. Em alguns sítios a bicicleta subia mesmo para as costas dos trepadores, especialmente em algumas zonas de muita pedra. Sim, estes 50km foram bem fustigados nesse sentido pois apanhámos muitas zonas de piso demolidor. Mas este passeio não se fez só de subidas, descidas também as houve. E que descidas!! No briefing a organização deu a conhecer a zona do Gerês como uma zona muito técnica, perigosa e como tal opcional. Quem não se sentisse à vontade para passar pelo Gerês tinha uma alternativa. O Gerês acrescentava cerca de 2Km ao percurso e quando dou por mim lá estava a fazer o seu sigle track. Ao princípio achei a coisa engraçada e procurei não pensar muito. Descidas feitas com as rodas bloqueadas, precipício do lado esquerdo, curva à direita seguida de curva à esquerda e… descida brutal em frente. Imaginei que a coisa não ía correr muito bem até porque havia um gancho pronunciado à direita no fim da descida, pelo que tive o juízo de desmontar. Acho que foi a melhor opção. Segundo o JP, foi neste início de descida que ele caiu mas felizmente sem qualquer consequências. Devido à queda a corrente saltou-lhe e teve ainda uns instantes a tentar recolocá-la pois esta ficara entalada custando a sair.
Os últimos metros incluíam um lance de escadas algo prolongado e aqui o Nuno chegou a furar mas o carro estava a escassos metros e a meta ali à vista.
No fim soube também que o Tiago tinha tido um azar e caíra, felizmente também sem consequências de maior e que também tivera um furo mas conseguiu ir remediando dando umas bombadas.
Acabámos todos por fazer o passeio mais ou menos de uma forma individual. Após 50m da partida parei e estive uns instantes de volta de uma câmara que imprevisivelmente ficara sem pilhas. Por este motivo não tenho registo fotográfico. Recuperei e apanhei o Tiago mas também rapidamente o perdi pois estávamos ainda no início da prova e estava por ali muita gente. Ainda tentei ir buscar o JP mas nunca cheguei a ver a ‘cenoura’ (mas alguma vez eu ia buscar o JP…!). Após a chegada, novo abastecimento e neste, encontro o JP que me diz ter chegado à instantes. Eram 13h. Afinal a cenoura não estava muito longe…
Gostei da volta (para mim perdeu a classificação de passeio!) e da sua organização como expliquei atrás. Os 50Km foram por mim percorridos em 3h31m, com um média de 14,20 Km/h. Considero esta média baixa mas atendendo ao 1495,33m de acumulado, talvez não seja tão má quanto isso."
2009-07-15
24 H Monsanto 2009 - Fotos NC
E aqui vão mais umas fotos de malta a pedalar em Monsanto.
Já havia por aí bocas a insinuar que era só grelhador e "mines", mas pedalar " 'tá quieto"...
Ora bem...
Lá conseguimos arrastar o pessoal para uma sessão fotográfica para fingir que estavam a participar nas 24H, de modo a calar essas bocas.
Só assim se justifica o ar alegre com que eles estão a pedalar :-)





Já havia por aí bocas a insinuar que era só grelhador e "mines", mas pedalar " 'tá quieto"...
Ora bem...
Lá conseguimos arrastar o pessoal para uma sessão fotográfica para fingir que estavam a participar nas 24H, de modo a calar essas bocas.
Só assim se justifica o ar alegre com que eles estão a pedalar :-)




